PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Há duas certezas nas férias de verão: vais dizer "este ano é que vou mesmo descansar", mas depois começas a convidar amigos e família para se juntarem a ti... e rapidamente o caos instala-se no paraíso.
Porque sejamos honest@s: umas férias em família ou com casais de amigos podem dar origem às melhores memórias de sempre... ou testar a nossa paciência de formas que nem sabíamos serem possíveis.
E de repente começam as discussões, as discórdias, o stress... e lá se foi a paz e o sossego!
Mas calma! Se este cenário lhe parece familiar, acredita: não estás sozinho!
E há boas notícias: com algumas estratégias (e uma boa dose de sentido de humor), é possível sobreviver às férias em grupo sem regressar a casa a precisar de outras férias: e hoje conto-te tudo.
À primeira vista parece contraditório: se estamos de férias, porque é que, por vezes, nos sentimos mais cansados do que quando estamos a trabalhar?
A resposta está, em grande parte, na quebra da rotina.
Durante o ano, quase tudo funciona em piloto automático. Acordamos a determinada hora, seguimos horários, tomamos dezenas de pequenas decisões sem pensar muito nelas.
Nas férias, tudo muda. De repente, tens de organizar tudo:
Pode parecer insignificante, mas a psicologia chama-lhe decision fatigue (fadiga de decisão). O investigador Roy Baumeister demonstrou que quanto mais decisões tomamos ao longo do dia, maior é o desgaste mental e menor é a nossa capacidade para sermos pacientes, compreensivos e simpáticos.
Além disso, também é comum dormirmos menos horas, fazermos refeições mais demoradas, consumirmos mais álcool, alterarmos os horários habituais e passarmos muito mais tempo rodeados de pessoas do que durante o resto do ano.
Mesmo quando gostamos muito da nossa família, ou dos nossos amigos, o cérebro também precisa de pausas.
O facto de ires de férias com familiares e amigos não tem de ser um "pesadelo". Há estratégias que podes e deves adotar se não queres passar os teus dias de descanso numa constante irritação.
Este talvez seja o maior segredo para umas férias felizes.
Quanto mais cedo aceitar que é impossível agradar a toda a gente, melhor.
Porque em todas as famílias existe:
A verdade é que tentar satisfazer permanentemente todas as vontades acaba por gerar mais frustração do que bem-estar.
Curiosamente, a Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, mostra que sentir autonomia, ou seja, poder escolher como ocupamos o nosso tempo, está diretamente relacionado com níveis mais elevados de satisfação e felicidade.
Traduzindo por 'miúdos': Não faz mal nenhum que nem toda a gente faça tudo em conjunto.
E está tudo certo. O mais importante aqui é: não é por estarem todos juntos de férias que têm de fazer todos as mesmas coisas.
No final do dia, encontram-se todos ao jantar, com mais histórias para contar e muito menos probabilidades de discutir.
Há quem acorde com os passarinhos... e há quem nem saiba que eles existem. Se há tema capaz de gerar pequenos conflitos durante as férias, é este: os horários.
Há sempre aquele familiar que, às sete da manhã, já fez uma caminhada, foi comprar pão fresco e regressa à casa de férias cheio de energia.
Depois há quem considere que antes das dez da manhã qualquer conversa é uma forma de "violência psicológica."
E nenhum dos dois está errado! Cada pessoa possui um cronótipo diferente, ou seja, uma predisposição biológica para funcionar melhor de manhã ou ao final do dia.
Obrigar alguém a seguir um ritmo completamente diferente do seu tende a aumentar a irritabilidade e diminuir o humor.
Por isso, talvez a melhor estratégia seja simples:
Afinal, férias também significam poder descansar ao nosso ritmo... e a verdade é que não temos todos o mesmo ritmo!
Se há uma altura do ano em que desaparecem as regras, costuma ser esta.
E há sempre alguém que diz: "Estamos de férias. Logo se vê em setembro."
Mas será mesmo preciso escolher entre aproveitar e continuar a ter cuidados? A resposta é: não.
Cada vez mais estudos mostram que uma alimentação flexível é muito mais eficaz do que a lógica do "tudo ou nada". Quando deixamos de olhar para os alimentos como "proibidos", a relação com a comida torna-se mais saudável e sustentável.
Em vez de pensar em compensações ou restrições, experimente seguir algumas estratégias simples:
E muito muito importante: não sintas que só porque todos estão a comer algo, tu também tens de comer! Ou só porque alguém não quer comer algo, tu não tens de deixar de comer.
Cada um faz as suas escolhas e não deve influenciar a dos outros.
O equilíbrio não acontece por causa de uma refeição. Constrói-se pelas escolhas que fazemos ao longo de semanas, meses e anos.
E isso inclui aproveitar as férias.
Porque, no fim de contas, ninguém se lembra da salada que comeu. Mas toda a gente se lembra daquele jantar interminável à beira-mar, das gargalhadas à mesa e da sobremesa que acabou dividida por todos porque "só queríamos provar".
Há uma ideia quase automática de que, se fomos de férias em família ou com amigos, temos de fazer tudo juntos. Pequeno-almoço juntos, praia juntos, almoço juntos, passeio juntos, jantar juntos... e, se alguém decide ficar sozinh@ durante um bocadinho, parece que fez alguma coisa de errado.
Mas a verdade é precisamente o contrário.
Passar tempo sozinh@ não significa gostar menos da companhia dos outros. Significa apenas dar ao cérebro a oportunidade de recuperar.
Aliás, vários estudos sobre recuperação psicológica mostram que pequenos momentos de pausa ajudam a reduzir o stress, melhoram o humor e aumentam a paciência.
E convenhamos: quando estamos juntos 24 horas por dia durante vários dias seguidos, um bocadinho de espaço pode fazer maravilhas.
Por isso, não tenhas receio de tirar meia hora só para ti.
Podes aproveitar para:
No final, toda a gente ganha.
Tu regressas mais tranquil@, mais bem-dispost@ e com muito mais paciência para a inevitável pergunta que aparece ao final da tarde: "Então... onde é que vamos jantar hoje?"
Este talvez seja o segredo para ter uma boas férias quando as passamos com pessoas de quem gostamos, mas que são muito diferentes de nós: tem de haver menos pressão para fazer tudo de forma perfeita e mais espaço para aproveitar aquilo que realmente importa.
No fundo, sobreviver às férias em família ou entre amigos não depende apenas da organização da mala ou do destino escolhido.
Depende da capacidade de aceitar que haverá atrasos, opiniões diferentes, crianças aos gritos, protetor solar espalhado pela casa, toalhas molhadas em todo o lado e discussões sobre quem ficou com o último iogurte.
E sabes que mais? É precisamente isso que, daqui a uns anos, provavelmente vai recordar com um sorriso.
Porque as melhores férias raramente são perfeitas. São simplesmente aquelas onde houve tempo para rir, descansar, criar memórias e regressar a casa um bocadinho mais leve do que quando partimos.
Posto isto, estas férias não te esqueças de levar contigo este pequeno manual de sobrevivência. E desfruta! O melhor das férias será sempre a companhia... e as memórias que crias com ela.
Boas férias!