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É poder dizer o que pensas? Escolher o teu caminho? Amar quem quiseres? Ou simplesmente viver sem medo?
No dia 25 de Abril, em Portugal, celebramos muito mais do que uma data histórica: celebramos a possibilidade de sermos quem somos, de verdade. E às vezes, nada melhor do que o cinema para nos lembrar disso.
Neste artigo, reunimos 6 filmes sobre liberdade que vão desde a Revolução dos Cravos até lutas individuais e coletivas que mudaram o mundo. Alguns vão emocionar-te. Outros vão revoltar-te. Mas todos vão te vão fazer pensar.
Podes ir preparando as pipocas e os lenços de papel, porque vais precisar.
Se há filme obrigatório sobre o 25 de Abril, é este.
Realizado por Maria de Medeiros, Capitães de Abril coloca-te dentro da noite em que tudo mudou. A tensão, o medo, a coragem. Está tudo lá.
Durante 2 horas vais acompanhar um grupo de militares que decide derrubar o regime ditatorial. O plano está em marcha, mas tudo pode correr mal. A tensão cresce à medida que o país acorda sem saber que está prestes a mudar para sempre.
Este não é só um filme histórico, é um lembrete de que a liberdade que tens hoje foi conquistada com risco real e que nada é garantido.
Se o primeiro filme te mostra a revolução, este mostra-te o homem por trás dela.
Salgueiro Maia foi uma das figuras-chave do 25 de Abril, mas este filme mostra muito mais do que o herói/líder. Mostra o humano.
A história acompanha a vida do militar Fernando Salgueiro Maia, desde os dias antes da revolução até às consequências das suas decisões. Não é um filme só sobre estratégia militar, é sobre valores, dúvidas e uma coragem por muitas vezes silenciosa.
Salgueiro Maia: O Implicado aposta numa abordagem mais íntima e emocional e mostra os bastidores pouco conhecidos da revolução. E principalmente vai-te deixar com uma pergunta incómoda na cabeça: “Será que eu teria feito o mesmo?”
Liberdade também é poder ser quem és.
Baseado na história real de Harvey Milk, o primeiro político assumidamente gay eleito na Califórnia, este filme é um murro no estômago (no bom sentido).
Sean Penn ganhou o Óscar de Melhor Ator ao interpretar a história real do homem que desafiou o sistema político e social da época para dar voz à comunidade LGBTQ+. Entre vitórias e ameaças, ele tornou-se um símbolo de resistência e mudança.
Milk foi indicado a 8 óscares, e mostra que liberdade não é também sobre identidade, expressão e dignidade.
Sim, é épico. Sim, é dramático. E sim… vais arrepiar-te.
Em Braveheart, Mel Gibson interpreta William Wallace, o homem que liderou a luta pela liberdade da Escócia, num clássico que arrecadou 5 óscares, incluindo Melhor Filme.
Após perder tudo, Wallace decide lutar contra o domínio inglês, e o que começa como sede de vingança transforma-se numa revolução que inspira um povo inteiro.
Prepara-te para momentos em que vais ter vontade de te levantares do sofá e gritar “LIBERDADE!”, ao veres momentos épicos de luta coletiva, sacrifício e inspiração.
Agora vamos ao presente (ou quase).
Com uma atuação “sem espinhas” de Wagner Moura, este filme mergulha num tema super atual: vigilância, controlo e o limite da liberdade no mundo moderno.
O Agente Secreto, explora num cenário de tensão política, um agente que se vê dividido entre obedecer ao sistema ou questionar a sua própria moral enquanto que a linha entre segurança e liberdade começa a desaparecer.
Este filme, (o mais recente da lista), aclamado pela crítica internacional, promete deixar-te desconfortável e com uma pergunta inquietante atrás da orelha: “Será que somos mesmo livres?”
Prepara-te, porque este não é um filme fácil.
Baseado na história real de Solomon Northup, um homem negro livre que foi sequestrado e vendido como escravo nos Estados Unidos, este é um filme que mostra o lado mais cruel da ausência total de liberdade.
Durante 12 anos, Solomon luta para sobreviver e manter a sua dignidade.
Sim, vais sentir desconforto, revolta e vais provavelmente valorizar algo que muitas vezes consideramos garantido.
12 Anos Escravo é um retrato duro, honesto e impossível de ignorar, mas que sem dúvida vale a pena ver.
Apesar de diferentes épocas e contextos, há entre estes filmes um fio condutor claro:
A liberdade nunca é garantida. É conquistada. E muitas vezes, tem que defendida.
Seja num golpe militar sem sangue, numa luta política ou num campo de batalha, todos estes filmes mostram que:
Se achas que estes filmes são só boas histórias… pensa outra vez.
Há detalhes por trás de cada um que tornam tudo ainda mais interessante e que fazem toda a diferença na forma como os vais ver:
Por exemplo, em Capitães de Abril, muitas das cenas foram construídas com base em testemunhos reais de quem viveu a revolução. Ou seja, aquela tensão que sentes não é só cinema, é quase um reflexo direto daquilo que aconteceu naquela noite.
Já em Salgueiro Maia: O Implicado, houve um cuidado especial com os detalhes históricos, desde os uniformes até aos veículos militares, para garantir o máximo de realismo.
Quando passamos para Milk, o impacto torna-se mais real com várias cenas tendo sido filmadas nos locais originais onde tudo aconteceu e através da utilização de imagens de arquivo.
Em Braveheart, a famosa frase final do discurso de William Wallace, “They may take our lives, but they’ll never take our freedom!”, acabou por se tornar um dos momentos mais citados do cinema moderno.
Para o filme O Agente Secreto, foram usadas algumas câmeras que eram equipamentos reais usados por agências de espionagem, para além de ter sido feito um trabalho de estudo e consultoria com especialistas em segurança cibernética.
Por fim, em 12 Anos Escravo, muitas cenas dolorosas foram filmadas em locais históricos reais, incluindo plantações que realmente existiam no século XIX.
Porque o 25 de Abril não é só uma data para celebrar. Trata-se de relembrar e pensar.
Pensar no que mudou, no que temos hoje e, sobretudo, no que às vezes damos como garantido sem sequer reparar. E é precisamente por isso que vale a pena voltar a estas histórias.
Estes filmes não te vão dar lições nem respostas prontas, mas vão-te colocar dentro de realidades diferentes, mostrar o que estava em jogo e fazer com que possas olhar para o presente com outros olhos.
No fundo, são uma forma simples (e poderosa) de te reconectares com o significado desta data sem ser através discursos ou formalidades pela televisão.
A verdade é simples (e um pouco desconfortável): a liberdade que tens hoje pode não existir amanhã. Parece óbvia… até deixar de o ser.
Se olhares para a história, percebes rapidamente que aquilo que hoje consideramos normal já foi, muitas vezes, impossível. E que direitos que pareciam seguros desapareceram, mudaram ou foram postos em causa.
E é por isso que não basta falar de liberdade como um conceito. É preciso percebê-la no dia a dia, valorizá-la nas pequenas coisas e não a dar como adquirida.
Nada disto está garantido, nem o facto de eu poder escrever este artigo com liberdade. Ou de o poderes ler. Nem poderes ter acesso aos filmes mencionados acima ou os poderes debater.
Por isso, neste 25 de Abril, escolhe um destes filmes, fala sobre ele, partilha este artigo com amigos para que possam fazer o mesmo, e faz a ti próprio uma pergunta simples: “O que significa liberdade para mim?”