PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Com chocolate de leite, negro ou branco; de dois ou três sabores, com cone ou à colher. De frutas ou só de gelo. Os gelados são desde sempre um ícone do verão, e dizer que se consegue passar por esta época sem comer pelo menos um, é claramente uma utopia.
Desde pequen@s, aquela voltinha depois de jantar, nas férias, para ir comer um gelado — quem nunca? —, aquele viennetta clássica que só havia na casa dos avós, ou aquela marca que só havia naquele café específico…
Guardamos todos estes pequenos hábitos e rituais na memória, e com eles guardamos também sabores de gelados que nunca mais vimos, ou saboreámos.
Por isso mesmo: millennials e boomers, cheguem aqui!
Está na hora de honrar esses momentos, de fazermos uma viagem no tempo e voltarmos a imaginar-nos, por uns minutos, na casa dos nossos avós, com aquele gelado a derreter até aos cotovelos.
Desde as marcas mais memoráveis, aos gelados que ninguém esquece, aos slogans que ainda hoje se repetem como se os anúncios tivessem sido lançados ontem. Não vos faltará nada!
(Gen Z, não se preocupem, podem ficar por aí também, que a história só nos enriquece)
Desfrutar de um gelado, principalmente num dia de calor, é um prazer que não tem descrição. Não é o mesmo do que comer um outro doce qualquer, não é aquela gula por açúcar que dá de vez em quando, é algo diferente.
Quando nos apetece comer um gelado — e acreditamos que concordam connosco —, é um gelado que tem de ser. Vá-se lá saber como explicar isto.
Se calhar, lá está, quando pensamos que nos apetece um gelado, a nossa memória sensorial e gustativa leva-nos para determinados momentos, e é quase como se fosse uma comfort food.
E já que falamos em comfort food…
Expressões do género desta do título surgiram em milhares de memes nas redes sociais, e se lhe juntarmos então o conceito do gelado, não podíamos concordar mais.
Sabem aquele clichê de estarmos num dia mau, e decidirmos só ficar no sofá a ver um filme com um pote de gelado à frente? Pois, pois. Não resolve, mas conforta, isso podemos garantir.
Vamos então ao que vos trouxe aqui: aquela viagem aos gelados do passado (que pode não ser assim tãooo distante).
Claro que tínhamos de começar com a marca mais transversal, e que é a mais conhecida entre nós.
A Olá, que associamos às cores vermelho e branco, com o famoso logótipo do coração, é uma marca global do grupo Unilever — Heartbrand — e existe noutros países com nomes como Wall’s (Reino Unido), Kibon (Brasil), Frigo (Espanha) ou Miko (França). E estes são só alguns!
Em Portugal surgiu no final dos anos 50, e eternizou gelados como o Cornetto, o Epá, o Perna de Pau, o Mini Milk ou o Magnum.
Também outros gelados da marca se transformaram num êxito, ao ponto de terem deixado de existir, e anos mais tarde, terem voltado — por exemplo o Rol ou o Fizz.
Evolução ao longo dos anos
Agora se quiserem saber de onde é que esta ideia da Wall’s surgiu e como tudo realmente começou, vão buscar um Cornetto de Morango e dediquem só mais uns minutinhos à leitura aqui.
Se calhar para muitos de nós a Santini é "só" aquela marca de gelados artesanais que provoca filas à porta da sua loja no Chiado. E não deixa de ser um facto, mas é muito mais do que isso, e muito mais antiga também.
Os gelados da Santini são conhecidos pelos seus sabores puros e naturais, parecendo mesmo que a fruta acabou de ser colhida e transformada num gelado naquele momento. Frescos, mega saborosos e gulosos.
Um pouco da história
A Santini surgiu pela mão de um imigrante italiano — Attilio Santini —, que se mudou para Portugal, mais concretamente para Cascais, depois da Segunda Guerra Mundial (1949).
Usou a sua sabedoria e expertise de gelateiro italiano, e introduziu este conceito artesanal quando ainda era desconhecido no nosso país.
A ideia passava por pegar em fruta fresca e sazonal, e juntar-lhe natas e leite. Sem corantes ou conservantes, sem mais invenções de ingredientes. Apenas isto.
Eram feitos diariamente e vendidos em pequenas quantidades, na primeira loja que criou perto da Baía de Cascais.
Apesar de ser uma marca familiar e ter resistido à “massificação” durante muitos anos, a marca acabou por se expandir e hoje em dia existem várias lojas espalhadas pelo país.
Mesmo assim, mantêm-se fieis aos seus princípios: criar gelados de sabores únicos, utilizando ingredientes sazonais, destacando sempre o sabor natural da fruta.
Se nunca experimentaram um Santini, não sabem o que estão a perder.
Possivelmente desconhecida de muitos, pois foi uma marca que marcou principalmente os anos 50, 60 e início dos 70.
A Rajá foi fundada em Lisboa, em 1955, e antes de surgir a Olá, era a grande estrela do mundo dos gelados: foram os primeiros gelados embalados em Portugal.
Três anos depois do início da sua existência, foi proibida a venda de gelados sem serem embalados, e foi aí que se deu o boom da marca, pois essa era a grande vantagem dos gelados Rajá.
“Comer um Rajá” passou a ser sinónimo de “comer um gelado”, e os mais conhecidos eram os:
Também a publicidade era um dos seus pontos fortes, tendo imortalizado slogans como o “Rajá — O Melhor Que Há”.
Tinham ainda a vantagem de oferecerem brindes com os gelados, o que era um super atrativo para o público mais novo.
No início dos anos 70, a empresa de Monsanto foi então comprada pela Olá, acabando por se fundir com esta. O curioso foi que a Olá não quis de todo apagar o legado Rajá, e acabou por se inspirar mais tarde em alguns sabores para criar gelados novos.
Uma história inspiradora que dá mesmo vontade de conhecer.
Quem não conhece esta marca, não cresceu certamente nos anos 90.
Embora não seja uma marca originalmente portuguesa, pois nasceu em Espanha, a Camy tornou-se um grande símbolo em Portugal no que aos gelados diz respeito.
Pela mão da Nestlé, a marca surgiu em Portugal no final dos anos 80, e trouxe sabores diferentes mas ao mesmo tempo já conhecidos entre tod@s.
Grande concorrente da Olá, apostava numa comunicação mais virada para o público mais jovem, através de 3 pilares principais:
No início dos anos 2000, a Nestlé começou a desvincular o nome Camy e a assumir a marca de gelados em nome próprio.
Os Gelados Mais Conhecidos
Alguns deles são clássicos que ainda hoje existem, tal como estes, que são os verdadeiros reis:
. Maxibon - aquela escolha inevitável quando não sabíamos se apetecia bolacha ou chocolate, por isso o Maxibon acabava por ser a escolha certa (e que sempre foi motivo de discussão sobre se começávamos pela bolacha ou pelo chocolate)
. Choco Clack - um mix de sabores, entre a crocância do chocolate, a suavidade da baunilha e o doce do caramelo.
. Pirulo - um gelado de gelo fresco e de frutas de vários sabores, mais popular nas crianças
O bom de tudo isto é que ainda podemos provar estas, digamos que, iguarias. Do que é que estão à espera?
Outro clássico que fez parte da infância de muitos de nós, que víamos os seus cartazes de gelados nos quiosques ou na carta das sobremesas dos restaurantes.
A La Menorquina, como o próprio nome já sugere, surgiu em Menorca, portanto, não é uma marca portuguesa. No entanto, sempre esteve muito presente no nosso país principalmente nos anos 80, 90 e início dos 2000.
A História
A marca foi criada por Fernando Sintes, um pasteleiro conhecido como “El Mestre”, que abriu a sua primeira fábrica de gelados em Alaior, com um prémio que ganhou na lotaria.
Começou, como todos, através da venda ambulante em carrinhos, e quando a empresa começou a crescer, criou o primeiro balcão refrigerado, em 1945.
Cinco anos depois abriu a primeira loja, e mais tarde, em 1957, lançou um gelado inovador, que era a combinação perfeita entre pastelaria e gelataria — o Bombón 57.
Em 1959 a marca começou a expandir-se, com quiosques da marca, e em 1965, ao adquirir outras empresas, expandiu-se por toda a Espanha.
A Portugal chegou nos anos 80, e era muito comum encontrar gelados La Menorquina principalmente no Algarve e em zonas mais turísticas.
Uma história de sucesso, que prova que quando se tem uma boa ideia, ela vingará de qualquer forma.
Se esta viagem ao passado vos fez desbloquear memórias de histórias de verão e bons momentos da infância, missão cumprida. Agora, já sabem o que têm a fazer… Comprar um gelado e aproveitá-lo, sem culpa, como se estivessem nessa época.