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Que levante a mão quem nunca ouviu falar sobre Lipedema. Muito pouca gente, certo? Pois é.
Ultimamente este é um tema que tem andado nas bocas do mundo e que tem ganho muita relevância.
Se antes era algo abordado apenas em consultórios médicos — e mesmo assim talvez até com pouca frequência — agora podemos encontrar “n” artigos e conteúdos a falar sobre. E ainda bem! É realmente importante que se comece a socializar estas temáticas, principalmente quando se trata de um problema que, como se tem visto, até é bastante comum e pode afetar muita gente.
Mas como em tudo, claro, há sempre as duas faces da moeda. O hype nas redes sociais é real, o que pode também levar a que muitas pessoas possam ser induzidas em erro e até a que se auto diagnostiquem erradamente. E é por isso mesmo que também queremos falar sobre isto.
O que é o Lipedema, quais os sintomas associados (e o que podemos fazer para os atenuar); a palavra dos especialistas sobre este problema e até onde podemos encontrar a ajuda certa. Trazemos tudo, para que saiam daqui com a matéria bem estudada e, quiçá, poderem aconselhar alguém que precise, ou até mesmo vocês própri@s.
Pelo nome, podíamos pensar que é algo muito complexo. Mas a verdade é que é algo até bastante simples de explicar.
O Lipedema é, nada mais nada menos, do que uma doença crónica do tecido adiposo, e caracteriza-se pela distribuição desproporcional de gordura, principalmente nas pernas (pode manifestar-se também nos braços, mas é menos comum).
O facto de ser muito parecida com outras doenças como o linfedema ou a obesidade, pode tornar o diagnóstico mais difícil e, muitas vezes, levar até a um diagnóstico errado.
Não há ainda estudos suficientes para determinar a origem da doença, mas acredita-se que possa acontecer devido a 3 coisas: predisposição genética, fatores metabólicos e hormonais.
Se já ouviram dizer que atinge maioritariamente as mulheres, não está errado. Apesar de ser uma doença que não escolhe géneros, as mulheres são as principais afetadas.
Como dissemos, os sintomas do Lipedema podem facilmente ser confundidos com outras doenças, por isso é importante estarem atent@s a determinados sinais e saber distingui-los. Tais como:
A distribuição de gordura acontece de forma desproporcional, acumulando-se principalmente nas pernas, coxas e glúteos. Os braços podem ser poupados, ou quanto muito, ter um menor acumulo de gordura.
Apesar da parte inferior do corpo ser a que mais sofre, por norma os pés não são afetados. A gordura distribui-se até ao tornozelo, criando até uma visível diferença entre as pernas e os pés.
A gordura geralmente distribui-se da mesma forma nos dois lados do corpo, criando um aspeto semelhante nas duas pernas.
A sensação de peso e/ou de pernas tensas surge normalmente ao longo do dia, e pode agravar ao final do dia. Com o inchaço acontece exatamente da mesma forma, e em casos mais avançados, este pode também indicar que existe já algum comprometimento do sistema linfático.
As partes mais inflamadas podem ter mais sensibilidade ao toque e ter mais tendência para criar nódoas negras.
Nas zonas afetadas torna-se difícil perder gordura, mesmo mantendo uma alimentação saudável e prática de exercício físico regular.
A pele fica com aspeto mais irregular, tipo casca de laranja, e tem tendência a criar nódulos.
Claro que os sintomas não se manifestam da mesma forma em todas as pessoas ou surgem ao mesmo tempo. Daí ser super importante a opinião de profissionais de saúde que trabalhem diretamente com estes casos.
As diferenças entre estas três doenças podem não ser óbvias, mas elas existem. Por isso, antes de se pensar que temos isto ou aquilo, é importante saber-se primeiro as diferenças entre elas.
As características são as que descrevemos acima, mas para que possam mais facilmente comparar, resumimos:
Cada vez mais existem profissionais de saúde a debruçarem-se sobre o Lipedema, e a estudar formas de atenuar sintomas e a progressão da doença.
No entanto, e embora ultimamente se fale muito sobre o assunto — e haja inclusive estudos que comprovam algumas evidências —, ainda existem algumas questões que precisam de ser exploradas.
De qualquer forma, há algo em que os clínicos estão de acordo: é uma doença crónica, mas que pode ser controlada, seja através de métodos conservadores (alimentação e exercício, por exemplo), ou de cirurgia em alguns casos específicos.
A coisa mais importante a reter é: cada caso é um caso, por isso as pessoas que sejam afetadas por esta condição devem ser diagnosticadas e acompanhadas pelos profissionais certos.
Embora as intervenções sejam cada vez mais comuns, como dissemos acima, estas devem acontecer apenas em casos específicos e quem decide isso são os médicos que acompanham o caso.
Agora, há algumas coisas que estão ao nosso alcance e que podemos obviamente fazer para melhorar o bem-estar e qualidade de vida se formos diagnosticadas com Lipedema.
Deve praticar-se exercício com regularidade, mas adaptá-lo à capacidade e aos sintomas de cada um, podendo ir progredindo ao longo do tempo.
Exercícios na água, como natação ou hidroginástica, podem ser uma boa opção devido ao efeito de pressão da água.
Não basta apenas comer comida saudável, convém que seja anti inflamatória para não piorar a condição.
Priorizar proteína, vegetais, fruta, leguminosas e gorduras de boa qualidade.
We know, esteticamente não são incríveis, mas…se ajudar a atenuar a sensação de peso nas pernas e o inchaço, principalmente em pessoas que passam muitas horas em pé ou sentadas, porque não?
Mas atenção, devem ser usadas apenas se indicadas e o nível de compressão deve ser adaptado individualmente.
Tanto a fisioterapia como a drenagem linfática (se houver questões do sistema linfático associadas), podem ser boas opções para ajudar a aliviar os sintomas, principalmente ao nível da mobilidade e do edema, respetivamente.
Mas sempre com profissionais adequados e especializados na condição, obviamente.
E aqui não falamos de exercício físico, mas de movimento simples, do dia a dia.
Tentar alternar entre períodos sentados ou de pé com períodos de movimento é importante, para ajudar na mobilidade e circulação.
Uma das principais. Não é usarem o que a amiga usa, não é fazerem a massagem que viram no TikTok ou no Instagram. É procurarem uma rede de profissionais que possam mesmo ajudar no vosso caso e condição, e fazerem acompanhamento regular.
Por ser uma doença que até então era desconhecida ou desvalorizada, houve muitas pessoas — principalmente mulheres, lá está — a sofrer com a falta de um diagnóstico, e com sucessivas tentativas falhadas de resolver um problema que parecia não ter solução.
Tudo isto, juntamente com a expectativa ridícula que a sociedade criou sobre o “corpo perfeito feminino”, começou a afetar também psicológica e emocionalmente quem sofre de Lipedema.
Por isso ser tão importante não só haver acompanhamento médico relacionado com a parte física, como também acompanhamento psicológico.
Ficamos a saber então que o Lipedema é uma doença crónica, e que embora não tenha uma cura, milagrosa ou não, existem muitas formas de conseguir travar a sua progressão.
Mas mais importante: há um diagnóstico. E tenha evidências cientificas 100% estudadas ou não, pode ser uma luz ao fundo do túnel para muitas mulheres, e pode mudar as suas vidas e a forma como lidam com o próprio corpo.