PLANO DE TREINO
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Coaching. Uma daquelas palavras que entrou no nosso vocabulário há uns anos e que, surpreendentemente, ainda por cá anda, seja nas redes sociais, nas conversas de café, nas empresas ou nos podcasts. Quem diria, não é?
Para começar, vamos a uma das nossas metáforas. Há uns anos, Portugal foi invadido (no melhor dos sentidos!) por restaurantes de sushi. Até aí, a comida japonesa era um mistério. E não é que os rolinhos de arroz com alga nori e peixe cru e a perícia estoica de comer com pauzinhos nos conquistaram?
Nada contra, certo? Mais ou menos. Porque quando há mercado, há oferta. O problema é quando a oferta começa a surgir que nem cogumelos na época das chuvas: por todo o lado. Posto isto, passa a ser importante, e desafiante, escolher um restaurante com makis bem compostos e evitar entrar em sítios onde servem makis com um pedaço quase invisível de abacate.
Quem diria que o coaching e o sushi teriam coisas em comum, não é? Tal como os restaurantes japoneses, também o fenómeno do coaching se tornou tão omnipresente que é preciso questionar: será apenas mais uma daquelas modas passageiras e a bolha está prestes a rebentar? Ou, por outro lado, será a área do coaching uma tendência sustentável? Vai entrar nos manuais de História ou nem por isso? E como distinguir entre um bom profissional e um vendedor de banha da cobra?
Há algo curioso que acontece com montes de palavras importadas do inglês: atravessam fronteiras e, seja de que forma for, chegam até nós e, como é o caso aqui, de tanto ouvir a palavra, não nos sai da cabeça. Agora se sabemos o que significa... Isso é outra história.
Vamos lá: o dicionário diz-nos que o coaching é um "processo que visa o desenvolvimento de competências profissionais ou pessoais". Não diríamos melhor! Mas podemos acrescentar uns fun facts para dares flex no próximo jantar com a malta:
O coaching é um fenómeno em expansão que tem oferta para muitas (todas?) das necessidades da vida adulta. A popularização dos oradores e autores motivacionais e o crescimento de áreas de atuação especializadas faz-nos pensar que sim.
Surpreende-te a descobrir as principais áreas de atuação dos coaches:
Como podes ver, há coaching para todos os gostos. E não, um coach não é um psicólogo. Se achas que precisas de acompanhamento, o importante é que tomes uma decisão informada e não te deixes levar por modas nem promessas milagrosas.
Sim, a sedução é real. É por isso que o mercado do coaching está em crescimento e é tão lucrativo. Descobre algumas das razões por detrás deste flirt que não é só uma questão de marketing.
Ahhh, a pressão constante para sermos melhores: agora que a saúde mental ganhou visibilidade, esta é uma das bandeiras dos nossos tempos. A esta dimensão mais cultural do coaching podemos chamar "economia da esperança". Por outras palavras, quando se lucra com a busca da excelência a nível do desenvolvimento pessoal — e o coaching encaixa perfeitamente nesta lógica.
Há sempre espaço para melhorias. OK, contra factos não há argumentos. Mas a ideia de otimizar cada área da vida tem tanto de inspirador como de angustiante.
Quantas vezes não entraste no LinkedIn ou no Instagram e te deparaste com frases motivacionais em fundo minimalista sobre melhoria pessoal? E histórias quase surreais de transformação pessoal? Também as há aos montes.
A verdade é que o coaching se adaptou perfeitamente à comunicação da era da internet e à cultura da performance. As mensagens são curtas e positivas. E prometem melhorias rápidas. Que atire a primeira pedra quem não gostaria de mudar a vida em 3 meses com um pack curso online + livro de auto-ajuda. Mas, como sabemos, as varinhas mágicas pertencem ao universo do Harry Potter.
Longe vai o tempo do "trabalho para a vida". O mercado de trabalho mostra-se cada vez mais competitivo, a pressão para performances de excelência é real e a progressão profissional já não é o que era. Subir a corporate ladder pode fazer-se — mas não na mesma empresa para onde foste estagiar.
Pois é: mudar de emprego é normal e desejável. E mudar de carreira, também. E navegar nisto sozinho? Quando não conseguimos aceder à nossa bússola interna, o coaching de carreira pode ser uma orientação super útil e também aqui o mercado nos soube piscar o olho.
Sabes aqueles anúncios de emprego que falam em ambientes de trabalho fast-paced? Bem, atualmente o mundo é fast-paced. E arranjar um tempinho para pensar sobre aquilo que precisamos de mudar ou de melhorar? Difícil.
As sessões de coaching promovem espaços e momentos dedicados exclusivamente à reflexão e com o acompanhamento de um profissional. Por outras palavras, é o mesmo que tentar fazer dieta sozinho ou com o acompanhamento de um nutricionista. A motivação é outra, certo?
A tua leitura deste artigo tem sido acompanhada de franzires de sobrolho? Pois, quando os mercados crescem de forma meteórica, é natural que existam reações de ceticismo. Mas mantém a mente aberta, porque vamos a factos: a balança do coaching pesa mais para o lado da revolução ou da moda?
Afinal, quais os sinais que indicam que o coaching é sustentável?
E o que nos dizem os mais pessimistas (ou serão realistas) sobre o assunto?
A capacidade de prever o futuro? Ainda não a temos. Mas podemos falar-te do que seria justo acontecer no mundo do coaching: que os profissionais com formação apropriada consigam vingar e destacar-se junto do novo consumidor dos nossos dias, cada vez mais exigente e informado. Tal como os bons restaurantes de sushi não devem fechar, certo?