PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Mudança — o assunto que se tornou parte do nosso dia a dia, e que rouba o protagonismo em qualquer conversa de café.
Seja por vontade própria, ou por influência de algo ou alguém, nos últimos tempos qualquer um de nós já se sentiu tentado a mudar algo na sua vida. Pode ser a casa onde vivemos que já não tem espaço suficiente, o trabalho que já não nos satisfaz como antes, ou até os hábitos que já não se alinham com aquela pessoa em quem nos queremos tornar, por exemplo.
Estes últimos, que comparados com os primeiros até parecem menores, podem ser na realidade os mais desafiantes, mas ao mesmo tempo também os que mais mudanças geram em tudo à nossa volta. Sem dúvida.
Independentemente do que queiramos mudar, em nós ou na nossa vida, temos de ter noção que não é só tomar a decisão. Vai dar trabalho! Ui, se vai…
Estar dispostos a arriscar e a aceitar que nem tudo vai correr sem espinhas é importante, mas mais importante ainda, é comprometermo-nos connosco e com as nossas convicções.
Mas deixando de generalizar e focando na mudança de hábitos, que é para isso que aqui estamos.
Não sabemos se é por influência das redes sociais (se calhar...), mas esta necessidade urgente de mudança de hábitos ou estilo de vida tem sido uma constante em todas as pessoas à nossa volta. E está tudo bem com isso! Desde que as mudanças sejam para melhor, claro.
Se for para se tornarem aquele amigo que compara tudo com o seu pace de corrida incrível, byeee.
Bom, qualquer que seja o hábito que queiramos mudar ou adquirir, este precisa de tempo e espaço para evoluir, só aí podemos considerá-lo um hábito, right?
E para isso, precisamos de criar um compromisso com a nova rotina que nos vai ajudar a chegar lá, right?
Ora, posto isto, vamos lá falar então daquilo que nos pode ajudar (ou prejudicar), neste caminho para o novo eu. Ou para a nossa versão 2.0. Ou para aquilo que lhe quiserem chamar.
Claro que é a primeira coisa de que vamos falar.
Decidimos mudar, decidimos começar a dar o tudo por tudo para mudarmos alguma(s) coisa(s) em nós, mas nunca equacionamos que isso não acontece numa semana, e às vezes nem num mês.
Vamos logo à procura de resultados rápidos e algo que prove que estamos realmente a fazer a coisa certa; não sabemos esperar. Esta constante prova que nos exigem (achamos nós), está a deixar-nos cada vez mais impacientes e frustrados.
Clichê dos clichês, mas não damos tempo ao tempo.
Uma nova rotina, seja ela qual for, para se encaixar e, eventualmente, enraizar, precisa de tempo.
Por isso vamos lá ter calma e aprender a desfrutar do processo.
Agora que já vos preparámos e mentalizámos para o que isto exige, vamos ao importante: dicas de como chegar lá.
Não adianta querermos mudar logo coisas megalómanas, se não conseguirmos mudar primeiro coisas pequenas. Por isso o segredo é começar por pequenos hábitos, algo que não exija grandes mudanças que nos virem a vida do avesso de um dia para o outro.
Exemplo: vou começar a ler.
Então em vez de definires logo que vais ler um livro por mês, começa por decidir ler duas ou três páginas por dia.
Definir um momento exato para fazer algo, pode gerar ansiedade, pois pode não haver espaço ou tempo para esse momento acontecer.
Exemplo: vou ler todos os dias ao final do dia.
Em vez disso, pensa que se tiveres tempo em qualquer outra altura do dia, podes ler as duas ou três páginas, ou até só uma.
Mudar o foco para a consistência em vez da intensidade pode ser o virar da chave. A ideia é pensares que não convém falhar com esse novo hábito dois dias seguidos, por exemplo.
Faz mesmo que não estejas super no mood, usa lembretes se for preciso, como se fosse uma tarefa que tem mesmo de ser cumprida.
Com o passar do tempo, começa a aumentar o nível de dificuldade, o desafio, o que seja. E adiciona ao mesmo tempo a celebração de pequenas vitórias.
Exemplo: inicias-te na corrida.
Começas a correr o que consegues, depois vais aumentando o nível de dificuldade — tempo ou distância. Depois começas a registar os teus progressos ao longo do tempo.
À partida, nesta altura do campeonato, já se tornou parte daquilo que tu és. Portanto já está tão automatizado, que já não é um esforço. Já consegues, por exemplo, entrelaçar atividades, ou seja, fazeres coisas que já fazias ao mesmo tempo que fazes esta nova atividade.
Podiam ser dicas só nossas, mas não.
Algumas delas baseiam-se num livro de sucesso, que está na prateleira dos best sellers de uma qualquer livraria conhecida — o “Atomic Habits”, de James Clear.
Quem já o leu, diz que é o verdadeiro almanaque da mudança no que toca à aquisição de novos hábitos.
Se não és dos que já leu e precisas daquele empurrãozinho, fica a dica.
Claro que tem de existir, mas claramente não é tudo. E nesta temática então, deixa um pouco a desejar.
Quem é que acorda todos os dias com vontade de continuar com toda a força do mundo a implementar um novo hábito? Se souberem de alguém, digam-nos, por favor. Adorávamos conhecer essa espécie rara!
Portanto, no que há aquisição de novos hábitos diz respeito, mais importante do que a motivação, é a estratégia. Pois é.
O Habit Loop, conhecido por ser um conceito da área da psicologia comportamental, divulgado por Charles Duhigg, baseia-se num sistema muito simples que funciona numa base de gatilho-ação-recompensa.
Dando um exemplo prático: a pessoa não se sente bem com o seu corpo, quer começar a cuidar de si (gatilho) - Toma a decisão de começar a ir ao ginásio com frequência (ação) - Com o passar do tempo começa a ver resultados, e isso fá-la sentir-se mais confiante e com a autoestima reforçada (recompensa).
A repetição deste sistema faz com que o nosso cérebro comece a tornar o comportamento cada vez mais automático ao longo do tempo, tornando-o assim num hábito.
Se antes era algo que assustava ou um gerador de indecisão e incerteza, hoje olha-se para a mudança como algo maioritariamente positivo.
Se vamos mudar, é assumido que será para melhor (ou assim esperamos).
Esta “change of mindset” pode ser algo também incutido por aquilo que consumimos todos os dias, seja à nossa volta ou até nas redes sociais.
Momento Advertência: mas tudo tem um peso e uma medida. É fundamental que não façamos só porque vemos os outros fazer.
Sabemos que nem tudo aquilo que vemos do outro lado do ecrã é real, e que grande parte das vezes as “mudanças” que apregoam, são só para mostrar os novos ténis #gifted ou para publicitar uma nova marca de suplementos que nem sequer sabem se têm resultados efetivos. Portanto…
E não, não estamos em modo mimimi, nem a dar na cabeça, estamos só a relembrar (nunca é demais!).
Até agora falámos de situações hipotéticas e de como podemos adaptar-nos para lá chegar. Mas agora falemos da Primavera e das mudanças que esta nos pede.
Como bem sabemos, estamos na altura dos recomeços, e nada melhor do que esta altura do ano para fazermos um reset geral e, quiçá, até conseguirmos mudar o nosso estilo de vida.
Ideias simples mas que podem fazer a diferença:
Reativar o corpo e começar a praticar exercício com mais frequência é sempre uma boa ideia. Começar a comer melhor também. Podes sempre:
A mente também precisa de manutenção, tal como o corpo. E como uma mente sã é tudo de bom, podes:
Tudo isto pode ser super fazível e pode ter resultados a longo prazo, mas não se esqueçam do que dissémos até aqui — o importante não é a intensidade, é a consistência.
Preocupem-se com as pequenas coisas primeiro, e uma coisa de cada vez, por favor. Sempre nos disseram que qualidade não dependia de quantidade, então vamos lá pôr isso em prática
E remember, não queremos perfeição, queremos progresso, ao ritmo de cada um.