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O mês de junho já sabe bem a verão… É sinónimo de dias mais longos, temperaturas mais altas e ruas cheias de vida. Em Portugal, junho também significa uma coisa: a chegada dos Santos Populares.
Entre arraiais, música, sardinhas assadas e muita animação, existe uma celebração que se destaca pela dimensão e energia que consegue reunir todos os anos (mais) pelo norte do país: o São João.
Muito mais do que uma simples festa popular, o São João é uma tradição centenária que mistura história, cultura, gastronomia e convívio, transformando cidades inteiras em autênticos palcos ao ar livre.
E se há algo que podemos garantir é que, nesta noite, ficar parado não costuma fazer parte do plano.
Quando se fala em Santos Populares, a maioria das pessoas pensa imediatamente em arraiais, sardinhas assadas, música popular e ruas enfeitadas. Mas antes das festas existirem, existiam os santos que lhes deram origem.
Apesar de serem frequentemente celebrados em conjunto durante o mês de junho, cada um possui a sua própria história, simbolismo e tradições.
Santo António nasceu em Lisboa, no século XII, sendo uma das figuras religiosas mais importantes da história portuguesa.
É conhecido como o santo dos pobres, dos objetos perdidos e, sobretudo, dos casamentos. Daí a tradição dos famosos Casamentos de Santo António, celebrados anualmente em Lisboa.
As Festas de Lisboa, que decorrem durante todo o mês de junho, têm Santo António como figura principal. Os bairros históricos enchem-se de marchas populares, música, manjericos e arraiais que atraem milhares de visitantes, tanto portugueses como estrangeiros.
Se Santo António é o santo dos casamentos, São João é provavelmente o santo da festa.
Celebrado na noite de 23 para 24 de junho, São João Batista é uma figura central da tradição cristã por ter sido o profeta que anunciou e batizou Jesus Cristo.
Contudo, as celebrações atuais vão muito além da componente religiosa. Ao longo dos séculos, várias tradições populares e pagãs associadas ao solstício de verão acabaram por se misturar com a festividade cristã, dando origem a uma das maiores festas populares do país.
É precisamente sobre ele que vamos falar ao longo deste artigo.
O último dos Santos Populares é São Pedro, celebrado a 29 de junho.
Considerado o primeiro Papa da Igreja Católica, é tradicionalmente associado aos pescadores, ao mar e às comunidades piscatórias.
Por isso, as suas festas têm especial relevância em várias localidades costeiras portuguesas, onde procissões marítimas, romarias e celebrações religiosas continuam a ser uma parte importante das comemorações.
Apesar das diferenças entre eles, existe algo que une Santo António, São João e São Pedro: a capacidade de reunir pessoas para uma celebração.
As festas dos Santos Populares transformaram-se numa comemoração da identidade portuguesa, da vida comunitária e da chegada do verão. São dias em que as ruas ganham cor, os bairros ganham vida e a tradição passa de geração em geração.
E se existe uma festa que representa tudo isso em grande escala, é precisamente a noite de São João.
A história por trás da festa é a parte que a maioria da juventude desconhece. Afinal que papel teve São João na história cristã? São João Batista é uma das figuras mais importantes da tradição, conhecido por ter batizado Jesus Cristo nas águas do rio Jordão.
A sua festa celebra-se oficialmente a 24 de junho. No entanto, como acontece com muitas tradições populares, as comemorações começam na noite anterior, de 23 para 24 de junho.
Ao longo dos séculos, a celebração religiosa foi-se misturando com festividades populares ligadas ao solstício de verão, criando uma das noites mais emblemáticas (e épicas) da cultura portuguesa, com adesão especialmente forte dos mais jovens.
Embora existam celebrações em várias regiões do país, é impossível falar de São João sem mencionar a mítica cidade do Porto, sendo também conhecida como a “grande festa tripeira”.
Ano após ano, milhares de pessoas invadem as ruas da cidade para participar naquela que é considerada uma das maiores festas populares da Europa.
Mas o São João também é celebrado em várias localidades portuguesas, como Braga, Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Figueira da Foz. Cada uma com as suas particularidades, tradições e arraiais.
Se nunca viveste um São João, pode parecer estranho ouvir isto… Mas, durante uma noite inteira, milhares de pessoas andam pela rua a bater umas nas outras com martelos de plástico.
E tal como no Carnaval, ninguém leva a mal.
Os famosos martelinhos tornaram-se uma das imagens mais reconhecidas da festa. Surgiram apenas na segunda metade do século XX, mas rapidamente conquistaram um lugar especial nas celebrações.
Hoje são praticamente um símbolo oficial da noite de São João.
Muito antes dos famosos martelinhos de plástico invadirem as ruas, o protagonista das festas de São João era outro: o alho-porro.
A tradição consistia em circular pelos arraiais com um alho-porro na mão e aproximá-lo discretamente do nariz de amigos, familiares ou até completos desconhecidos. Sendo uma planta comprida e de aroma bastante característico, o objetivo passava por surpreender os outros com uma brincadeira tão atrevida quanto bem-humorada.
Ao contrário do martelinho, que anuncia a sua chegada a quilómetros de distância, o alho-porro exige uma abordagem silenciosa, estratégica e quase furtiva. Há quem diga que o verdadeiro mestre do alho-porro sabe escolher o momento certo, estudar cuidadosamente a próxima "vítima" e agir sem levantar suspeitas.
A origem desta tradição não é totalmente consensual, mas acredita-se que esteja ligada a antigos rituais de fertilidade e às celebrações da chegada do verão, muito anteriores às próprias festas de São João.
Embora os martelinhos tenham conquistado o protagonismo nas últimas décadas, o alho-porro continua a marcar presença nos arraiais mais tradicionais. E sejamos honestos: poucos símbolos representam tão bem o espírito irreverente, popular e genuinamente português desta noite como uma planta malcheirosa usada para pregar partidas a desconhecidos.
Se existe um aroma capaz de anunciar que o São João chegou, é o das sardinhas assadas.
Por muito que os martelinhos façam barulho, os bombos ecoem pelas ruas e as bifanas tentem roubar protagonismo, a verdadeira rainha da noite continua a ser a sardinha. É ela que domina os grelhadores, perfuma os bairros e reúne famílias, amigos e vizinhos à volta da mesa.
Tradicionalmente servidas sobre uma fatia de pão, acompanhadas por pimentos assados, batata cozida ou uma boa salada, as sardinhas tornaram-se um dos maiores símbolos dos Santos Populares e uma presença obrigatória em praticamente qualquer arraial que se preze.
Aliás, para muitos portugueses, o São João começa verdadeiramente no momento em que o primeiro fumo sobe do carvão e o cheiro das sardinhas invade a rua inteira.
E sim, reconhecemos o mérito das bifanas, que ocupam com distinção o segundo lugar deste pódio gastronómico. Mas quando falamos de tradição, identidade e espírito sanjoanino, a medalha de ouro continua a pertencer às sardinhas.
Agora sejamos sinceros: depois de leres este capítulo, já ficaste com vontade de acender o grelhador ou de procurar o arraial mais próximo, não foi?
Outro símbolo incontornável da época é o Manjerico.
Tradicionalmente oferecido entre familiares, amigos ou casais, o manjerico é acompanhado por pequenas quadras populares.
Estas quadras são pequenos poemas bem-humorados que falam de amor, amizade, saudade ou simplesmente da alegria da festa.
Curiosidade: o manjerico não deve ser cheirado diretamente. Segundo a tradição, deve aproximar-se uma flor caída da planta ao nariz para apreciar o seu aroma.
O São João também se vive através do som.
Entre concertos, música popular, DJs, ranchos folclóricos e grupos tradicionais, há sempre alguma coisa a acontecer.
Os bombos assumem um papel especial. O som ritmado dos tambores ecoa pelas ruas e cria uma atmosfera única que faz parte da identidade destas celebrações.
As marchas populares e os desfiles contribuem igualmente para o ambiente festivo, juntando cor, dança e tradição.
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Muitas pessoas passam horas a caminhar durante a noite de São João sem sequer se aperceberem.
Entre percorrer ruas, visitar arraiais, assistir a concertos, atravessar pontes e procurar o melhor local para ver o fogo de artifício, não é raro acumular vários quilómetros numa única noite.
Sem grandes planos, treinos programados, objetivos de perdas de calorias ou contagens de cronómetros.
Apenas movimento, convívio e diversão.
É um excelente exemplo de como a atividade física nem sempre precisa de acontecer dentro de um ginásio para trazer benefícios.
À meia-noite, os olhos viram-se para o céu. O espetáculo de fogo de artifício tornou-se um dos momentos mais aguardados da noite, reunindo milhares de pessoas para assistir a um dos maiores símbolos da celebração.
Durante alguns minutos, a festa parece parar… Mas apenas durante alguns minutos, porque logo a seguir a música regressa, os arraiais continuam e a cidade permanece acordada até ao nascer do sol.
Num mundo cada vez mais digital, é giro ver que o São João continua a ser um dos melhores exemplos de como as tradições conseguem unir pessoas de diferentes gerações.
É uma noite de partilha, cultura, música, gastronomia e convívio.
Uma noite onde os telemóveis perdem protagonismo para as ruas cheias, os abraços, os martelinhos e as conversas que se prolongam madrugada dentro.
E talvez seja precisamente por isso que continua a ser uma das celebrações mais especiais do calendário português. Porque, no final, o São João não se resume a sardinhas, fogo de artifício ou manjericos. Resume-se a pessoas e à alegria de celebrar juntas.