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Lifestyle
09/04/2026

5AM CLUB: A Cultura da Otimização do Tempo Continua a Fazer Sentido?

Imagem - 5AM CLUB: A Cultura da Otimização do Tempo Continua a Fazer Sentido?

É uma tendência e continua a estar por todo o lado nas redes sociais. Mas será que continua a fazer sentido?

A “Cultura 5AM” mais conhecida como “5AM Club” é, em poucas palavras, uma tendência de lifestyle que viralizou nos últimos anos nas redes sociais. Consiste em acordar muito cedo, com o objetivo de começar o dia com mais foco e disciplina

É também uma forma de otimizar o tempo, pois tirando essas tarefas da agenda, podemos dedicar-nos a outras coisas ao longo do dia. Se analisarmos bem, é quase como viver um dia dentro de outro dia.

Como todas as tendências, começou em força, e os reels e tiktoks onde se mostravam estas rotinas, tornaram-se uma constante em muitos perfis. Quem nunca viu um “My 5am-8am routine” que se acuse. 

A lista pode ser extensa, mas divide-se principalmente entre fazer a skincare, exercício físico, escrever, ler, meditar, ouvir um podcast, assistir ao nascer do sol, preparar e beber um café com calma. 

Desde que nos ajude a ser produtivos e eficazes ao longo do resto do dia, é o que importa.

Mas…não será uma canseira? Bom, quem o pratica diz o contrário; e nós acreditamos, pronto. 

Agora a questão, ou questões, que se impõem: será um lifestyle praticável por todos? Será que esta cultura da produtividade excessiva é benéfica? Será que não estamos a pôr demasiada pressão em nós próprios? Será que faz realmente sentido

Como já é hábito, estamos aqui para pôr o dedo na ferida, ou a mão na consciência, vá, que é capaz de ser menos doloroso. Por isso, falemos então do tema, das várias perspetivas, todas elas válidas, sempre. 

Vamos a isso?

 

Mas afinal o que é isto do 5am Club?

Não, não é uma discoteca, mas podia ser.

Neste caso, é exatamente o oposto. As 5h da manhã não são a hora de deitar, mas sim de acordar. Todos os dias. 

Tudo isto começou com um livro de Robin Sharma com esse mesmo título “The 5am Club”

Este autor, muito popular nas redes sociais, com um público de milhões de pessoas, influencia quem o segue a tornar-se a sua melhor versão, digamos. 

É autor de outros livros de autoajuda e tem também um podcast que é capaz de ser dos mais ouvidos e partilhados no Instagram.

Portanto, como outros dos seus livros, “The 5am Club” tornou-se assim uma espécie de bíblia para quem quer — ou precisa — de mudar hábitos e rotinas na sua vida. 

Mas em que consiste esta mudança? É fácil. De explicar, pelo menos. 

A ideia baseia-se em acordar muito cedo, para haver tempo para fazer coisas logo no início do dia, quando a maioria das pessoas ainda está a dormir. Este ultimo facto evita distrações, ajuda a manter o foco e aumenta a produtividade, dizem. 

Resumindo, é um estilo de vida que valoriza o uso consciente do tempo, através da criação de hábitos e rotinas organizadas e praticadas nas primeiras horas da manhã. 

 

Na prática

Há várias formas de o fazer, mas as mais comuns são: distribuir as tarefas ou atividades por algumas horas; em apenas 1h (ideia original, diz-se), com o tempo mais ou menos contado e dividido, fazer essas mesmas tarefas.  

Neste último método, utiliza-se a regra do 20-20-20. Ou seja, divide-se 1h em 3 blocos de 20 minutos.

 

20 minutos para ativar o corpo

Fazer exercício físico. Claro que o tipo de exercício que for do agrado de cada um, porque o importante é mexer o corpo. 

20 minutos para ativar a mente 

Ouvir sons que ativem o sistema sensorial, meditar, ou escrever, em modo journaling, os objetivos para o dia. 

20 minutos para aprender/estudar 

Ler livros sobre os quais tenhamos curiosidade (menos o “Pai Rico, Pai Pobre”, por favor, já ninguém aguenta) ouvir podcasts que ensinem algo, ou estudar algum tema que seja do nosso interesse. 

 

O que dizem os praticantes  

Empreendedores, principalmente, são os grandes adeptos desta prática. Mas não só, há muitos fãs espalhados por aí. 

Todos eles defendem, com unhas e dentes, que se tornaram mais produtivos e que os seus dias rendem muito mais. 

E porque dizem isto? Explicam que, focarem a energia das primeiras horas da manhã em coisas que ajudam no seu desenvolvimento pessoal, os deixa mais felizes e realizados. Isso vai naturalmente contribuir para o seu desempenho ao longo do dia, seja no trabalho ou até nas relações pessoais. 

É uma espécie de começar o dia a ser positivo, a fazer coisas positivas, e depois poderem levar isso para o mundo que os rodeia. 

 

Mas será que estão a dizer-nos tudo?

O que é que pode estar por trás desta romantização de uma rotina que muitos querem ter, mas que nem todos conseguem? 

Não é preciso pensar muito para responder.

Vivemos numa sociedade que procura cada vez mais “premiar” quem mais faz. Portanto, quem mais produz. 

Só és um bom profissional se passares 12h no trabalho, só fizeste um bom treino se a tua performance esteve dentro dos parâmetros que “alguém” definiu, só tens um dia válido se o começares às 5h da manhã. 

Palavras como desempenho, produtividade, performance, autoconhecimento, passaram a ser a base do vocabulário da maior parte destas pessoas. 

Já sabemos onde é que isto vai parar, não é…

 

Se eu faço, tu também podes fazer 

As redes sociais são uma montra apetecível para o que quer que seja. Neste caso, a influência podia ser pior, é um facto. Não estão a influenciar-nos a um consumo desmedido, nem a experimentar coisas descabidas. 

No entanto, estão a influenciar-nos a tornarmo-nos algo. E esse algo, pode muito bem não nos servir. 

E não é só essa a questão, é importante falarmos também sobre a forma como tentam incutir-nos esta ideia. 

Fazem-nos crer que mudar ou adaptar as nossas rotinas é algo muito simples de se fazer, como se todos nós vivêssemos a mesma vida, sabem? Como se tivéssemos todos as mesmas obrigações, os mesmos gostos, as mesmas vontades.

Dizem-nos que só não conseguimos se não quisermos, que está ao alcance de todos, que só custa começar, enfim. 

Mas como somos todos muito inteligentes emocionalmente, não caímos facilmente nestas balelas (contém ironia). 

 

Frustração, where are you?

Ela aparece facilmente, não se preocupem.

Tal como outras tendências, que já falámos por aqui, esta pode ser outra das que facilmente nos leva a criar uma pressão desnecessária sobre nós próprios. 

Podemos querer muito tentar, podemos estar super convencidos de que fazer uma mudança destas nas nossas rotinas pode ser a chave. Mas e se os nossos horários não forem compatíveis com tudo isto? Ou, no limite, o nosso próprio organismo não conseguir adaptar-se?

Não é apenas uma questão de se querer muito, há muitas outras variantes envolvidas. 

É por isso que é importante não medirmos a nossa vida com a régua da vida dos outros. Porque se o fizermos, o que é que aparece? A frustração, pois claro. 

 

Entretanto, 2026. Isto ainda faz sentido?

Depende.

Somos da opinião de que, se é algo que faz sentido para algumas pessoas, e se com elas funciona (corpo e mente incluídos), podem continuar a praticá-lo. 

O que não faz sentido em 2026 é, alguns desses praticantes, continuarem a vender ideias de que a única maneira de se viver bem, é fazendo o que eles fazem e vivendo como eles vivem. E não falamos só de acordar de madrugada.

Há muitas formas de influenciar, e é óbvio que as partilhas vão continuar a acontecer nas redes sociais; por isso, temos de ser nós a decidir a quem queremos continuar a dar voz.

 

A verdadeira chave é o equilíbrio  

Seguir tendências é ok, mas até ao ponto de que estas não atrapalhem tudo o que se passa cá dentro. 

Trends de lifestyle, principalmente, são muitas vezes interpretadas como verdades absolutas, e nem nos damos ao trabalho de ir mais a fundo e questionar. Ou sequer experimentar. É assumir que já lá estamos e pronto, seja o que for. 

Mas sabem o que é que isso pode provocar? Desequilíbrio. Tanto fisico, como mental e emocional. 

Não existe grande ciência, se achamos que faz sentido, experimentemos. Se gostarmos e nos fizer sentir bem, continuemos. Mas atenção, não sejamos “maria vai com todas”, ao ponto de estarmos constantemente a dar estímulos diferentes ao nosso corpo, senão já sabemos onde isso vai dar (ler novamente o parágrafo anterior).

O que podemos retirar daqui, e levar para refletir, é tão simples como: independentemente de algo estar a ser um sucesso nas redes sociais, não quer dizer que seja um sucesso para nós, para o nosso corpo.

E mais, não é por gostarmos muito daquele/a influencer que temos de apoiar e fazer tudo o que ele/a faz. 

O essencial é mantermos a cabeça no lugar certo, e sabermos aquilo que queremos e que nos faz sentir bem. Não nos deixemos iludir, ou influenciar, vá, por modas que não passam disso mesmo — modas.

Importante mesmo é seguirmos as nossas necessidades e conseguirmos alinhar as nossas rotinas com algo que seja saudável e sustentável. Porque aquilo que não conseguimos cumprir, muito provavelmente não nos serve.

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Salienta-se que no decorrer desses dias, na existência de alguma cobrança, não existe o direito de reembolso por parte do Fitness UP.

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