PLANO DE TREINO
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A Gen Z tem o feliz hábito de trazer para cima da mesa os temas mais pertinentes, e o tema da alimentação/nutrição não é uma exceção.
Sabemos que não estão a descobrir nada de novo, pois este assunto não é novidade para ninguém, mas talvez estejam a descomplicar. Só por isso, já agradecemos!
Fomos ensinados a ignorar tais questões, seja por pressão social ou por não estarmos nem aí para o que o nosso corpo e mente têm para dizer, mas agora é diferente.
Assumir que reduzimos o consumo de carne por razões éticas, que não consumimos determinados alimentos porque não nos fazem bem ou até mesmo o contrário, que consumimos algo com o intuito de trazer um benefício real ao nosso corpo. Tudo isto estava longe de fazer parte do nosso dia a dia, mas esta geração veio provar, sem medos, que conseguimos ser saudáveis à nossa maneira, mesmo sem comportamentos extremistas.
Ao falarem e assumirem posições sobre este tema, fizeram com que a alimentação passasse a ser vista como uma aliada e não como uma inimiga, como certas gerações anteriores nos fizeram crer.
E quando falamos em assumir posições, não é de todo algo que não possa sofrer alterações ao longo do tempo. Aliás, o objetivo é exatamente o oposto, incentivam a que conheçamos o nosso corpo durante as várias fases da nossa vida e, a assumirmos sem culpa, o que nos faz sentido comer em determinado momento.
Para trás ficam as dietas radicais e ideias pre concebidas, como por exemplo, de que o glúten é um bicho papão ou de que não devemos comer hidratos de carbono depois das 16h.
Ressoou contigo? Ótimo! Trazemos-te então as trends do momento da Gen Z no que toca a alimentação, para finalmente sentires que não, não és um alien no que à nutrição diz respeito, ou, no limite, te sentires tentado a experimentar coisas novas.
Eis as tendências de que todos falam:
Para esta geração, a sustentabilidade e a ética estão na ordem do dia. Não comem só por comer, ou só porque adoram determinado alimento. Se este não for transparente quanto à sua origem, ou causar por exemplo, maior desperdício, talvez fique de fora.
Outras preocupações são também as embalagens, havendo maior tendência de optarem por alimentos com embalagens eco friendly, e o bem-estar animal, pois os processos pelos quais passam até se tornarem “consumíveis”, são uma questão que se impõe.
Sabem aquele alimento que têm a certeza que vai ser difícil de digerir, e provocar mau estar na barriga? Pois é, a Gen Z também sabe, e é por isso que o evita.
A saúde intestinal é importante, então preferem optar por alimentos fermentados e ricos em fibra. Exemplos como kombucha, kefir ou iogurte são essenciais na sua rotina, para um bom aporte diário desse nutriente.
E já que falamos em fibra, falemos da grande trend do TikTok Fibremaxxing. Esta tendência é, nada mais nada menos, do que introduzir um elevado número de fibra na alimentação diária, com o intuito de fortalecer o intestino.
No entanto é importante ter atenção às tendências, e não seguir só porque sim. Há que perceber se fazem sentido para nós e para o nosso organismo, neste caso, é essencial sabermos que se aumentamos o consumo de fibra, é também importante que aumentemos o consumo de água. Assim evitamos situações indesejadas como inchaço ou desconforto, e até gases.
Carne sim, mas não a toda a hora.
A tendência para a redução do consumo de carne é cada vez mais evidente, mesmo que o objetivo não seja eliminá-la de vez do cardápio. São mais importantes agora os vegetais, não só por questões éticas mas também de saúde.
A proteína, essa que também faz parte das tendências de consumo desta geração, vão buscá-la a outros alimentos ou até mesmo através de suplementação de origem vegetal.
Alimentos integrais, cereais e leguminosas, tofu e seitan, e os clássicos legumes e vegetais, tornaram-se os protagonistas da alimentação da Geração Z.
A proteína é aquela velha amiga, que está lá para tudo, e nunca nos abandona. E a Gen Z continua a dar-lhe a devida atenção.
Mais uma vez, não entrando em dietas radicais, esta geração quer construir um físico baseado num bom suporte muscular, mas também quer manter as suas escolhas ao nível da alimentação o mais saudáveis possível, evitando aqueles devaneios que dão quando se sentem insaciados. É por isso que a proteína continua a assumir este papel de construção e, ao mesmo tempo, de moderadora.
Mas como sempre, o equilíbrio é a chave, por isso nem só de proteína vivem. Querem mais foco e energia, e um bem-estar geral ao longo do dia, por isso apostam num blend que junta também gorduras (das boas, óbvio!) e hidratos de carbono.
Um pequeno exemplo de macronutrientes que são populares na sua alimentação:
Costuma dizer-se que sem saúde mental, não há saúde física. E a alimentação pode ser um bom ponto de partida para estarmos em harmonia no todo.
A Geração Z preocupa-se com essa harmonia, e é por isso que uma das tendências é a utilização e consumo de suplementos adaptógenos.
E o que são adaptógenos? Perguntam vocês. Pois bem, são substâncias presentes em plantas e cogumelos, que ajudam o corpo a adaptar-se a circunstâncias de stress, seja ele físico, mental ou emocional.
Dos mais populares destacam-se a ashwagandha ou o ginseng. O primeiro conhecido pelas suas propriedades calmantes, e o segundo por atuar ao nível do aumento de energia e melhoria das capacidades cognitivas. Há também os cogumelos Reishi e Chaga, que ajudam a fortalecer o sistema imunitário.
Combinar beber um copo de vinho com uma amiga ao final da tarde, é algo que pode naturalmente acontecer. Mas, atualmente, talvez prefiram um matcha date a meio do dia.
Uma das grandes mudanças que se vê nesta geração, é o facto do álcool estar a tornar-se cada vez menos interessante, mesmo em situações sociais.
Privilegiam bebidas funcionais ou probióticos, e os famosos mocktails (cocktails sem álcool). No fundo, algo que lhes dê prazer consumir, mas que ao mesmo tempo lhes traga benefícios e contribua para o seu bem-estar.
No top das suas escolhas está, por exemplo, o iced latte ou outras bebidas com cafeína, como a matcha, bebidas com colagénio, e o viral bubble tea.
No que toca a alimentação, como vimos até agora, o foco é sem dúvida a saúde. Mas, o facto de, não implica que.
Ou seja, embora na maior parte dos seus dias consumam comida saudável, não quer dizer que não possam comer outras coisas mais indulgentes ou fora do comum. E fazem-no sem culpa!
A curiosidade que têm por outras culturas e tradições, é também um incentivo que leva a Gen Z a experimentar com frequência alimentos e pratos oriundos de outros países. Alimentos e pratos esses que, por norma, se tornaram virais nas redes sociais.
Quem nunca ouviu falar de um belo korean fried chicken ou da tão famosa cucumber salad, que atire a primeira pedra.
Novas tendências de nutrição e alimentação surgem a toda a hora em plataformas como o TikTok ou Instagram, seja através da partilha de receitas, ou daquele influencer que deu 10/10 a um novo restaurante ou coffee shop.
E os membros desta geração, como foodies assumidos que são, não podem deixar passar a oportunidade de experimentar, tirar aquela foto e fazer o post.
A cultura alimentar passa assim não só pela comida em si, mas também pela partilha do momento e daquela receita instagramável.
Um plano alimentar personalizado? É para já!
Monitorizar o que se come através de uma app já passou à história, e não faz parte, de todo, da identidade nutricional desta geração. Já pedir à IA que crie um plano ajustado às necessidades de cada um, fazem-no como quem bebe um copo de água.
O processo é simples, partilham os seus dados de saúde, estilo de vida e objetivos a cumprir, e têm, no exato momento, um plano com a alimentação detalhada, que podem ir revendo e alterando sempre que precisarem. E se a inspiração algum dia falhar, até a receitas baseadas nesse mesmo plano têm direito.
No fim das contas, o que temos a aprender com a Geração Z sobre este tema tão vasto, e muitas vezes controverso, é que tudo é uma questão de equilíbrio. Que os extremismos já não fazem sentido nesta matéria e que podemos, e devemos, assumir as nossas escolhas alimentares com consciência, mas também sem culpa ou medo do julgamento alheio. Que, no limite, somos nós os maiores conhecedores do nosso corpo e necessidades e, por isso, temos o poder de decidir aquilo que nos faz sentir bem em determinado momento: seja uma salada super saudável, ou um gelado com 3 toppings diferentes.