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O Natal do tuga começa no início de dezembro com as ruas e as casas cheias de luzes, a Mariah Carey em todas as rádios, os mercados de Natal já a bombar de pessoas e o ritual de montar a árvore e o presépio no sítio habitual.
Segue a caça às prendas para os pais, os irmãos, os avós, os amigos, os tios, os primos e, claro, o amigo secreto! E, em simultâneo, entramos na época dos jantares de Natal, onde trocamos as prendas e não resistimos à tentação de abrir o presente do tal amigo já não secreto.
No dia 24, as famílias juntam-se à volta da mesa, bem decorada, para saborear o típico bacalhau cozido, as rabanadas, o bolo-rei, o pão de ló e todas as iguarias que só comemos nesta altura. Depois de uma bela ceia de Natal, seguem os jogos até à meia-noite, a hora de abrir os presentes que estão debaixo da árvore. E para os mais religiosos, há ainda a Missa do Galo!
Para nós o Natal é isto… Mas será que é assim em todo o globo? Muitos países celebram esta data, mas não da mesma forma! Neste artigo partilhamos as 10 tradições de Natal mais bizarras do mundo!
Da Suécia à Islândia, passando pela Catalunha e pela Venezuela, prepara-te para viajar por tradições que te vão deixar de boca aberta. Algumas são engraçadas, outras assustadoras, mas todas fora da caixa!
Se achas que o presépio é tradicional, espera até conheceres o da Catalunha! Por lá, entre as figuras clássicas do menino Jesus, da Maria e do José, há sempre um elemento diferente: o Caganer.
O Caganer é uma pequena figura que representa um camponês agachado, com as calças abaixadas, a defecar. Por mais estranho que pareça, é um símbolo de boa sorte, fertilidade da terra e prosperidade.
Quem é que iria associar defecar a prosperidade? Historicamente, o ato de defecar simbolizava que a pessoa comia bem, logo tinha saúde. Por isso, ao colocar o caganer no presépio as pessoas queriam atrair sorte, riqueza e boa colheita para o ano seguinte.
A popularidade do Caganer é tanta, que agora é um ícone cultural e também colecionável. Atualmente é possível encontrar versões de celebridades, políticos e personagens de ficção.
Achaste bizarro? Então espera que há mais! A segunda tradição famosa da Catalunha é o “Caga Tió”, também chamado Tió de Nadal.
O “Caga Tió” é um tronco de madeira, com pernas e uma cara sorridente, que durante várias semanas antes do Natal é coberto com um pano para “não passar frio” e “alimentado” com restos de comida e doces.
As crianças da região tomam conta dele diariamente e, na véspera de Natal, cantam canções tradicionais e batem-lhe com paus para que ele “cague” doces, frutos secos e pequenos presentes escondidos pelos adultos debaixo do cobertor.
Apesar de nos parecer completamente louco, há uma moral na história. O Caga Tió ensina responsabilidade às crianças, que tem de o alimentar dia-a-dia, e mostra que o cuidado e a generosidade valem a pena, já que voltam na forma de presentes.
Todos os anos, na cidade sueca de Gävle, os cidadãos constroem uma cabra gigante de palha, com 13 metros de altura e 3 toneladas. E todos os anos, a pergunta é a mesma: será que alguém vai tentar queimá-la? É exatamente isto que acontece desde 1966!
A Gävlebocken (a cabra com 13 metros) foi inspirada numa antiga tradição nórdica e é construída pelos suecos para atrair força, fertilidade e proteção no inverno. O problema? A cabra tornou-se um alvo de vandalismo e já foi incendiada mais de 30 vezes!
Nesta época, a cidade reforça a segurança com polícia 24/7, câmaras e até drones, mas não é suficiente. A queima da cabra virou um desafio épico, apesar de ilegal, e os vândalos tornam-se cada vez mais criativos para conseguir destruí-la.
O resultado? Um drama nacional que toda a Suécia acompanha de perto e já com algum entusiasmo. Afinal, a queima da cabra já faz parte do espírito natalício sueco!
Acreditas que o Pai Natal é o único a vigiar as crianças durante o ano? Claramente não conheces o Natal da Islândia. Por lá, há 13 Yule Lads: personagens do folclore islandês que, entre os dias 12 e 24 de dezembro, descem das montanhas para andar pelas aldeias e cidades.
O mais curioso? Cada Yule Lad tem um nome e uma mania, por exemplo, o Spoon-Licker lambe colheres, o Door-Slammer bate portas e o Window-Peeper espreita janelas. Nos 13 dias antes do Natal, cada Yule Lad, a cada noite, vai visitar o povo islandês e fazer das suas traquinices.
Qual a semelhança com o Pai Natal? Os Yule Lads são os responsáveis por entregar os presentes aos menin@s bem-comportados. Antes de dormir, as crianças deixam um sapato à janela para o Yule Lad dessa noite e de manhã encontram lá um pequeno presente, se se portaram bem, ou uma batata podre, se se portaram mal.
Na Noruega realiza-se um ritual inesperado na véspera de Natal: esconder todas as vassouras da casa. Sim, em vez de preparar a ceia, há quem se certifique que nenhuma vassoura fica perdida no hall, na cozinha, na sala ou no quarto.
Segundo crenças medievais, nesta noite as bruxas e os espíritos malignos andam à solta, à procura de entrar nas casas, roubar as vassouras e criar o pânico. O objetivo de as esconder é proteger a casa e garantir que as forças do mal não lhes batem à porta!
Atualmente, poucos são os noruegueses que acreditam em bruxas. No entanto, mantém viva a tradição, que é passada de geração em geração, como um gesto simbólico e para celebrar as suas origens.
Sabes como são decoradas as árvores de Natal da Ucrânia? Com teias de aranha e pequenas aranhas de vidro! Estranho? Sim, mas representa uma história profundamente simbólica do país.
Esta tradição nasce da lenda popular que uma viúva pobre não tinha dinheiro para decorar a sua árvore de Natal. Durante a noite, as aranhas teceram teias na árvore e, ao nascer do sol, elas brilharam como prata e ouro, trazendo prosperidade para a sua vida.
Esta tradição tem uma mensagem de esperança: mesmo quem não tem nada pode ser surpreendido por uma reviravolta improvável. Então, os ucranianos penduram teias nas suas árvores de Natal como símbolo de boa sorte.
Nos Estados Unidos há uma tradição curiosa: esconder um picle na árvore de Natal. Calma, não é um picle literal e sim uma decoração natalícia que já é vendida isso. Mas, porquê? Na manhã de Natal, as crianças procuram-no e quem o encontrar primeiro ganha um presente extra!
Durante anos, acreditava-se que este ritual surgiu de uma antiga tradição germânica, trazida por imigrantes. No entanto, a verdade é menos romântica: tudo indica que o Christmas Pickle nasceu de uma campanha comercial do século XIX, promovida por lojas de enfeites e pelo marketing.
Ainda assim, o Christmas Pickle sobrevive porque é super divertido! Além de deixar as crianças logo bem-dispostas e com vontade de ganhar mais um presente, celebra a atenção, a curiosidade e o prazer da surpresa!
Em Portugal, a ida à Missa do Galo é completamente normal, certo? Ou vamos de carro ou a pé. Na Venezuela, em Caracas, a ida à igreja é muito mais cool! Na madrugada de Natal, algumas ruas da cidade são encerradas para que os moradores as possam atravessar de patins ou skate – as famosas “Patinatas”.
Esta tradição nasceu do clima quente e da forte ligação urbana aos patins, especialmente entre os mais jovens. Com a adesão ao longo dos anos, esta prática ganhou dimensão e virou uma tradição venezuelana.
Durante estas patinatas, há música, fogo de artifício e comida de rua. Num país marcado por dificuldades, esta tradição torna-se num ato de resiliência, partilha de energia e de união por parte dos habitantes, que relembram que um simples percurso até à missa pode ser um momento de celebração!
A 23 de dezembro, no México, celebra-se a “Noche de Rábanos”. A noite de que? Dos Rabanetes! Em Oaxaca, há um festival onde rabanetes gigantes são transformados em esculturas e exibidos ao público, num espetáculo improvável e visualmente marcante.
A origem desta tradição remete ao século XIX, quando vendedores locais começaram a esculpir rabanetes para chamar a atenção dos clientes no mercado. As esculturas podem representar cenas bíblicas, episódios históricos e mitos indígenas, celebrando a cultura, a história e as tradições populares do México. O que começou como uma simples estratégia de venda acabou por ganhar popularidade e tornar-se uma competição oficial com prémios!
A religião primordial do Japão é o Xintoísmo, não o cristianismo. O que é que isto significa? O Natal para os japoneses não tem a mesma simbologia que para nós, porque eles não acreditam no nascimento do menino Jesus.
Sendo assim, como se celebra o Natal no Japão? Nos anos 70, uma campanha publicitária mudou para sempre o Natal japonês - "no Natal, come-se frango”. Num país onde o peru era raro e não existia tradição natalícia, a mensagem colou.
O frango frito tornou-se um ritual familiar e anualmente milhões de pessoas encomendam menus especiais com semanas de antecedência. Num contexto não cristão, o Natal foi reinterpretado e o frango frito é o sabor associado a memórias e à ideia de celebrar juntos.
Do Caganer catalão ao frango frito japonês, passando pelas vassouras escondidas na Noruega e pelos patins venezuelanos, uma coisa é certa: o Natal é universal, mas cada cultura celebra-o à sua maneira.
Enquanto em Portugal nos reunimos à mesa para comer bacalhau e rabanadas, há quem alimente troncos de madeira, quem esculpa rabanetes gigantes e quem procure picles na árvore de Natal. Tradições que podem parecer estranhas aos nossos olhos, mas que carregam histórias, valores e memórias tão importantes como as nossas.
Este Natal, ao abrires os presentes à meia-noite, lembra-te: algures no mundo, alguém está a esconder vassouras, a queimar uma cabra gigante ou a patinar até à igreja. E isso torna o mundo muito mais interessante! Boas Festas!