PLANO DE TREINO
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Acabaram-se os dias sem despertador, os mergulhos no mar, os jantares que começam tarde, os passeios sem hora para terminar e aquela sensação maravilhosa de não saber exatamente que dia da semana é.
De repente, toca o despertador.
É segunda-feira. O e-mail está cheio. A agenda voltou a estar preenchida. O trânsito regressou. E aquela pergunta começa a ecoar na tua cabeça: “Quando é que posso voltar a ter férias?”
Se este cenário te é familiar, não estás sozinho. É bastante comum sentirmos uma espécie de “baixa” emocional depois das férias. Tristeza, nostalgia, irritabilidade, falta de energia, ansiedade ou simplesmente aquela enorme vontade de voltar para o destino de onde acabámos de regressar.
Mas será que podemos mesmo chamar-lhe depressão pós-férias?
O termo é utilizado para descrever o conjunto de emoções negativas que algumas pessoas experienciam quando regressam das férias, mas não corresponde a uma condição clínica oficialmente reconhecida. Na literatura e nos meios de comunicação, também encontramos expressões como post-vacation blues, post-holiday blues ou síndrome pós-férias.
Ou seja: o fenómeno pode ser real. O nome “depressão” é que pode ser enganador.
Imagina isto: durante uma ou duas semanas, a tua rotina muda completamente.
Acordas sem despertador, tens menos responsabilidades, conheces lugares novos, passas mais tempo com pessoas de quem gostas, experimentas restaurantes diferentes, vais à praia, fazes atividades que normalmente não cabem na agenda e, sobretudo, tens uma pausa das obrigações habituais.
Depois, regressas.
E regressar significa voltar ao trânsito, às reuniões, às tarefas domésticas, aos horários, aos estudos, ao trabalho e às responsabilidades que estavam temporariamente suspensas.
É normal que exista algum contraste.
As férias proporcionam uma pausa das fontes habituais de stress e podem melhorar o humor e o bem-estar. No entanto, quando regressamos à rotina, os mesmos fatores que contribuíam para o stress podem voltar a aparecer. Um estudo de 2020, realizado com 60 trabalhadores, observou precisamente alterações nas emoções negativas, stress e agressividade após um período de férias, com estes fatores a voltarem a aumentar quando as pessoas retomavam as suas responsabilidades.
Por isso, talvez não estejas “deprimid@”.
Talvez estejas simplesmente a ter dificuldade em trocar o modo “férias ON” pelo modo “vida real ON”.
E sejamos honestos: quem é que faz essa transição com entusiasmo?
Existe ainda uma explicação bastante simples para aquele sentimento de tristeza depois das férias: as férias acabaram… (como diz o ditado “o que é bom dura pouco…).
Durante as férias, temos experiências novas, paisagens diferentes, momentos de lazer, convívio e liberdade. Quando tudo isso termina, é natural sentir alguma nostalgia.
Não precisas de estar insatisfeito com a tua vida para sentires falta das férias.
Podes gostar do teu trabalho, dos teus amigos, da tua casa e da tua rotina e, simultaneamente, sentir saudades daquele pequeno-almoço com vista para o mar que durava duas horas.
A Psychology Today aponta precisamente para esta comparação entre a forma como nos sentimos durante as férias e a forma como nos sentimos na rotina habitual. Quando percebemos que estamos muito mais relaxados, disponíveis ou felizes durante o período de descanso, podemos começar a questionar o nosso quotidiano e sentir que o regresso é particularmente difícil.
(E talvez essa reflexão não seja assim tão má).
Esta pode ser uma das partes mais útil do fenómeno.
As férias não servem apenas para descansar. Também nos dão distância suficiente para perceber como gerir a nossa vida.
Se durante as férias dormiste melhor, tiveste tempo para estar com amigos, fizeste exercício ao ar livre, leste, passeaste ou simplesmente tiveste tempo para ti e regressaste a casa a pensar “era mesmo disto que eu precisava”, talvez exista aqui alguma informação importante.
Não significa que tenhas de abandonar o emprego, mudar de cidade e comprar uma carrinha para viver na praia. Calma, Atleta…
Significa apenas que podes tentar perceber o que é que as férias te deram que está a faltar na tua rotina.
A própria Psychology Today sugere aproveitar este período de reflexão para identificar elementos positivos das férias que podem ser transportados para o quotidiano.
Às vezes, as férias acabam, mas não precisam de levar tudo aquilo que nos fez bem com elas.
Há quem volte das férias e sinta apenas alguma preguiça ou nostalgia.
Mas há também quem sinta ansiedade, tristeza, irritabilidade, desconforto, falta de motivação ou receio de voltar ao trabalho ou às aulas. Estes são alguns dos sentimentos frequentemente associados ao chamado post-vacation blues.
Existem vários motivos que podem contribuir para esta sensação:
1) A mudança brusca de horários é um deles. Durante as férias, podemos dormir e acordar mais tarde, fazer refeições a horas diferentes e alterar completamente a nossa rotina.
2) O choque de voltar à realidade. Durante duas semanas, o máximo de pressão que sentiste foi escolher entre praia ou piscina. Agora tens 37 e-mails por responder.
Não admira que o cérebro faça uma pequena greve.
A boa notícia é que não tens necessariamente de sofrer durante uma semana inteira até voltares a sentir-te tu próprio. Existem algumas estratégias simples que podem facilitar a transição.
Se tiveres possibilidade, evita regressar de viagem no domingo à noite e começar a trabalhar na segunda-feira de manhã.
Dar um ou dois dias ao corpo e à cabeça para se readaptarem pode tornar a transição mais suave.
O facto de teres regressado ao trabalho não significa que tenhas de voltar imediatamente a uma rotina composta exclusivamente por obrigações.
Continua a marcar planos: um jantar com amigos, um passeio, uma ida ao cinema, uma caminhada, um treino ou até um fim de semana fora.
A Psicotec recomenda precisamente manter atividades de lazer depois do regresso, ajudando a preservar alguns dos momentos positivos que associamos às férias.
Porque se passares de “14 dias de férias” para “zero diversão até ao próximo verão”, a tua segunda-feira vai parecer ainda mais segunda-feira.
E é aqui que entra a nossa área favorita (e a de todos os UPPERS): a atividade física. Esta pode ser uma excelente ferramenta para ajudar a gerir o stress e recuperar alguma estrutura depois das férias. A Medical News Today, citando recomendações da American Psychological Association, inclui o exercício entre as estratégias saudáveis para lidar com stress e tensão.
E não estamos a dizer que tens de regressar ao ginásio e tentar compensar todas as bolas de Berlim, gelados e francesinhas do verão numa única sessão, muito pelo contrário.
Voltar gradualmente ao treino pode ajudar-te a recuperar a rotina, a voltar a mexer o corpo e a criar novamente momentos do dia que são exclusivamente teus.
Um treino pode ser aquele pequeno intervalo entre o trabalho e a vida pessoal. Um momento em que não tens e-mails para responder, reuniões para preparar ou notificações para ignorar.
Só tu, o treino e aquela música que juraste que te dava +20% de força.
Outra estratégia simples é não deixar que as férias sejam o único acontecimento pelo qual estás ansiosamente à espera.
janeiro = trabalhar
fevereiro = trabalhar
março = trabalhar
abril = trabalhar
maio = trabalhar
junho = trabalhar
julho = SOBREVIVER
agosto = FÉRIAS!!!
setembro = depressão
…temos aqui um problema.
Planear pequenas coisas agradáveis ao longo do ano pode ajudar a quebrar esta sensação de que só existe uma grande recompensa no calendário.
Não precisa de ser outra viagem internacional. Pode ser um concerto, uma caminhada num sítio novo, um jantar, uma escapadinha de fim de semana ou simplesmente uma atividade que gostes.
Solução? Planear algo divertido para os dias ou semanas seguintes ao regresso, criando novos momentos de novidade e prazer.
A chamada “depressão pós-férias” não é uma depressão clínica.
O termo é utilizado de forma informal para descrever um período temporário de humor mais baixo, nostalgia, ansiedade, irritabilidade ou dificuldade em regressar à rotina depois de umas férias.
A depressão clínica é algo diferente, mais complexo e que pode envolver sintomas persistentes como tristeza, desesperança, perda de interesse por atividades, alterações do sono ou apetite, fadiga e dificuldades de concentração, entre outros. Quando estes sintomas são persistentes e interferem significativamente com a vida diária, é importante procurar apoio de um profissional de saúde.
Por isso, sentir uma enorme saudade das férias na segunda-feira de manhã não significa, por si só, que estejas deprimido.
Mas também não significa que devas ignorar aquilo que estás a sentir.
Na Fitness UP, acreditamos que saúde e bem-estar não se resumem ao que acontece dentro do ginásio.
E talvez uma das melhores formas de lidar com o pós-férias seja precisamente perceber o que este período te mostrou.
Precisarás de mais descanso? De mais tempo ao ar livre? Mais movimento, mais convívio ou de menos e-mails depois das 19h?
Ou simplesmente de mais momentos em que não tens absolutamente nada para fazer.
As férias não precisam de ser uma fuga temporária à vida que levamos durante o resto do ano. Podem ser também uma oportunidade para perceber que partes dessa vida queremos melhorar.
Por isso, se estás a sentir aquela típica tristeza de regresso, respira (e aproveita o guia UP de voltar à rotina sem stress).
Começa por recuperar alguns dos hábitos que te fizeram bem, voltar gradualmente à rotina, manter momentos de lazer, mexer o corpo e deixar algum espaço para aquilo que realmente te faz sentir bem.
Porque as férias podem ter terminado, mas isso não significa que o bem-estar também tenha de acabar.
E, afinal, talvez a melhor forma de combater o post-vacation blues seja não esperar pelo próximo verão para voltar a fazer aquilo que te faz bem.