PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Nos últimos anos, a IA deixou de ser um produto de ficção científica para se tornar companheira assídua na vida dos jovens. Mas existe um preço invisível que levanta preocupações sobre a Inteligência Artificial e Saúde Mental.
Este artigo não procura demonizar a evolução tecnológica. Serve para provocar reflexão e alertar para os efeitos negativos produzidos pelas ferramentas de IA, sobretudo nos jovens e quando utilizadas de forma inconsciente.
Em 2025, segundo dados da Eurostat, cerca de 33% das pessoas utilizaram ferramentas de inteligência artificial.
Portugal é um dos países onde mais se recorre a instrumentos de IA – ocupa a 6ª posição da União Europeia onde a IA é mais usada em meios educativos.
Segundo dados do INE, nos três meses anteriores ao “Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias”, realizado em 2025, cerca de 90% das pessoas entre os 16-74 anos utilizaram internet e 39% recorreu a IA.
A proporção de utilizadores é mais expressiva no grupo etário dos 16 aos 24 anos (76,5%) e nos estudantes (81,5%).
A terapia é cara, o acesso é desigual e às vezes sentimos vergonha de pedir ajuda. Por isso, recorremos muitas vezes aos chatbots quando não estamos bem. É aqui que a relação Inteligência Artificial e Saúde Mental ganha mais significado.
Um estudo divulgado pela Stanford, identificou riscos concretos ao recorrermos a chatbots como se fossem terapeutas ou médicos – nomeadamente a tendência de a IA expressar estigmas e dar respostas inadequadas em situações delicadas.
Os jovens cada vez mais recorrem a IA para estudar. Facilita-nos em alguns exercícios, ajuda-nos a otimizar tempo, a sermos mais produtivos e a encontrarmos respostas mais rápidas. Por exemplo, é mais fácil resumir um livro no chatGPT do que ler 200 páginas.
Segundo um estudo apresentado na CHI 2025 (Microsoft Research), a maior confiança na IA está associada a menos pensamento crítico, enquanto maior confiança nas próprias capacidades está associada a mais pensamento crítico.
A IA poupa-te esforço hoje, mas rouba-te autonomia amanhã. E a relação Inteligência Artificial e Saúde Mental ganha expressão: mais facilitismo no dia a dia, mais ansiedade em situações que exigem autonomia e independência de IA.
A felicidade em 2026 é mediada por melhores momentos, melhores corpos e melhores vidas partilhadas nas redes sociais. O algoritmo faz-te parecer que a tua vida é incompleta e miserável, amplificando a comparação constante e baixa autoestima.
Os algoritmos estão pensados e desenhados para captarem a tua atenção, gerarem visualizações e interações nas redes sociais – uma enorme preocupação na relação Inteligência Artificial e Saúde Mental.
Vivemos na era da solidão 2.0. Estamos conectados nas redes, mas desconectados do mundo real. Temos muita interação, mas pouca intimidade. Muita conversa superficial, mas pouco aprofundamento.
Os jovens começam a evitar as pessoas porque as pessoas dão trabalho emocional, exigem tempo e vulnerabilidade. Por isso, isolam-se nas tecnologias e conversam com chatbots, apostando na conversa fácil e de zero risco, em vez de relações humanas profundas.
Neste contexto, a solidão entre os jovens está a atingir níveis históricos. Contudo, há quem compreende esta relação Inteligência Artificial e Saúde Mental e procure alternativas à imersão digital, regressando ao analógico.
A ansiedade é um dos maiores problemas do século XXI. Vivemos num mundo acelerado, urgente e imediato. A IA veio acentuar este modo de urgência permanente, causando sérios problemas na saúde mental das pessoas.
Sentes ansiedade quando estás offline? Abres apps sem intenção e ficas mais tempo do que precisas? O silêncio dá desconforto? A tua autoimagem depende de likes, visualizações ou mensagens?
A Bombeira IA ajuda-te apagar o fogo da ansiedade, com respostas em segundos, recomendações instantâneas, e conteúdos infinitos. Mas depois torna-te ainda mais ansioso(a), dependente dos conteúdos, e o fogo torna-se cada vez maior – reforçando a relação preocupante da Inteligência Artificial e Saúde Mental.
Cada pegada online tua é aprendida e utilizada pela IA para maximizar o engajamento. Não é para o teu bem-estar, é para te usarem a seu favor. Os algoritmos aprendem com cliques, tempos de visualização e padrões de comportamento.
Nunca deste por ti a procurar um vídeo de cães no Instagram e depois só aparecem sugestões de vídeos de cães? Ou fazes uma procura ainda mais específica: um vídeo de um cão de raça galgo… em segundos, só te aparecem galgos.
Não controlamos a tecnologia; ela é que nos controla!
A IA não é inimiga, mas também não é um mar de rosas. Como já vimos, existe uma inter-relação entre Inteligência Artificial e Saúde Mental – influencindo as nossas emoções e comportamentos de forma profunda e silenciosa.
O verdadeiro desafio é sabermos viver com IA e potenciarmos as suas mais-valias no dia a dia, sem que impactemos negativamente a nossa física e mental.
Não deves ser extremista e eliminar a inteligência artificial da tua vida. Deves saber utilizá-la a teu favor e de forma consciente e moderada.
Não uses como psicóloga, médica ou professora. A informação que a IA partilha é com base em dados, não é com base n teu contexto particular.
Por outro lado, deves esforçar-te para compreender o conteúdo gerado por IA. Não peças apenas respostas, mas também explicações. Utiliza-a como uma ferramenta complementar que te ajude a ganhar tempo e conhecimento, sem comprometer a tua evolução, criatividade, saúde mental…
Inteligência Artificial e Saúde Mental é um tema muito presente, sobretudo nos mais jovens, que passam horas agarrados aos ecrãs, ainda mais agora com os chatbots.
Esta dependência desenvolve problemas de ansiedade, depressão, isolamento, falta de criatividade, dificuldade de aprendizagem, cansaço extremo, entre outros.
Por isso, reconecta-te com o mundo e com a natureza humana pelo menos 2h por dia. A prática de exercício físico ajuda neste processo de libertação, mas não só:
Nem tudo é real. E, por vezes, o real não é a única realidade. O algoritmo vai mostrar-te aquilo que acha que te prende. O chatGPT vai dizer-te o que queres ouvir.
Portanto, filtra toda a informação que recebes. Utiliza-a com inteligência e não deixes que te afunde em conteúdos repetitivos e vazios.
Como dizia José Saramago, “é preciso sair da ilha para ver a ilha”. Neste caso, às vezes só precisas de sair do digital para veres o mundo real.
Como já referimos, Inteligência Artificial e Saúde Mental é a grande preocupação da atualidade. A IA veio mesmo para ficar. E a nós cabe-nos munir de competências para continuarmos seres livres e independentes.
Para isso, precisamos de ser educados e conscientes. Devemos ser capazes de utilizá-la em nosso benefício, como um complemento e nunca como uma substituição.
O segredo está em não permitir que os algoritmos moldem a nossa imagem, não deixarmos que a aprendizagem dependa de IA, sabermos estar calmos e gerir as emoções num mundo de urgência, e não substituirmos o humano pelo robô.
As interações humanas são insubstituíveis e não existe nada mais verdadeiro do que um olhar, uma troca sincera de palavras, um abraço, uma gargalhada… no fundo, a humanidade que existe em cada um de nós!