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De certeza, que já ouviste falar sobre investir no S&P 500: “mete uma fatia do teu ordenado mensalmente no S&P 500 e deixa o dinheiro a render”. Será que isto resulta mesmo? Que os conselhos que circulam no Tiktok e no Instagram são mesmo verdade? Será que vale mesmo a pena? E como investir em Portugal?
Neste artigo, vamos destrinçar tudo isto sem termos complicados. Vais compreender o que é o índice, por que é considerado um dos melhores investimentos, como podes investir a partir de Portugal e quanto vais pagar de impostos por isso. Sim, vamos falar de impostos, porque ninguém gosta de surpresas no reembolso do IRS.
Antes de começarmos, é importante esclarecer que nada neste artigo pretende incentivar ao investimento. Investir em bolsa deve ser sempre uma decisão ponderada e, idealmente, acompanhada por um consultor financeiro certificado.
O S&P 500 (Standard & Poor's 500) é um índice na bolsa que reúne as 500 maiores empresas cotadas nos Estados Unidos. No fundo, é um termómetro que mede a saúde do mercado acionista americano, uma vez que concentra as empresas mais importantes.
Nele índice, estão nomes como a Apple, Microsoft, Amazon ou Nvidia, mas também empresas de setores com menos destaque, como saúde, energia ou bens de consumo.
A história dos seus dados remonta a 1928, mas foi oficialmente lançado em 1957. Além disso, representa cerca de 80% da capitalização bolsista do mercado acionista dos Estados Unidos da América. Ao investir no S&P 500 não investimos diretamente no índice, mas através de fundos ou ETFs que o replicam.
É precisamente por isso que os principiantes no mercado de investimentos ficam confusos. Quando começam a pesquisar sobre este índice, têm muitas dúvidas sobre onde investir a partir da Europa ou de Portugal – mas vamos explicar tudo mais à frente.
A resposta é fácil e direta: devido ao histórico de rentabilidade. Ou seja, o seu histórico diz-nos que investir neste índice compensa.
De que rentabilidades estamos a falar? Desde 1928, o S&P 500 gerou uma rentabilidade média anual de cerca de 10% (incluindo dividendos reinvestidos), o que corresponde a uma média real de aproximadamente 6-7% já descontada a inflação.
Repara bem: isto é uma média, não uma garantia todos os anos. Há anos impressionantes! Em 2019, por exemplo, rendeu mais de 30%. Por outro lado, há anos horríveis, como em 2022 com uma queda de 18%.
O verdadeiro segredo de um bom investimento no S&P 500 está em manter o dinheiro investido a longo prazo e deixar o efeito dos juros compostos trabalhar por nós.
Aqui surge a primeira grande descoberta para quem começa a investigar: não podemos simplesmente comprar o ETF americano mais famoso do mundo, o SPY.
Porquê? A regulação europeia PRIIPs exige que qualquer produto financeiro vendido a investidores de retalho na UE tenha documentação num idioma comunitário, e a maioria dos ETFs americanos não cumpre este requisito.
Por isso, temos de deixar de fora nomes como SPY, VOO ou IVV.
Por outro lado, existem alternativas praticamente equivalentes: os ETFs UCITS, domiciliados normalmente na Irlanda. Replicam o mesmo índice com custos muito baixos.
Significa acumulação. Ou seja, os dividendos são reinvestidos automaticamente dentro do próprio fundo, em vez de caírem na conta. Isto representa uma enorme vantagem fiscal em Porugal, como veremos a seguir.
Os bancos tradicionais deixaram de ser as opções mais populares, dando lugar às corretoras digitais, sobretudo devido aos custos reduzidos.
Ninguém gosta de impostos! Mas, a verdade, é que fazem toda a diferença nos rendimentos do S&P 500.
Em Portugal, os ganhos com a venda de ações ou ETFs são tributados através de mais-valias, sujeitas a uma taxa de 28% sobre o saldo positivo apurado no ano (Anexo G ou Anexo J da declaração de IRS, consoante a corretora tenha ou não sede em Portugal).
Ou seja, os teus ganhos vão estar sujeitos a esta taxa. Por isso, é importante decidires se pretendes investir no S&P 500 de forma acumulativa ou distributiva.
Se o índice for acumulativo, reinveste o valor e só é tributado quando quiseres levantar (daqui a 20 anos, por exemplo). Se for distributivo, vais receber os dividendos nas datas de distribuição do índice, mas esses dividendos vão ser tributados nesse ano fiscal.
Antes de abrires uma conta e pensares erradamente que o mundo dos investimentos é um mercado que garante sempre lucro, vale a pena ser honesto sobre os riscos.
O S&P 500 está muito exposto a poucas mas enormes empresas tecnológicas. Se houver uma crise tecnológica, o índice vai sentir essa quebra de forma pesada.
Como o índice está denominado em dólares, a flutuação EUR/USD influencia o retorno em euros – tanto para o bem como para o mal.
Quedas de 15-20% num único ano não são raras. É importante estarmos preparados para estes acontecimentos e termos “estômago” para não entrar em pânico e vender. Desta forma, perdemos o benefício de estar investido a longo prazo.
É uma das frases mais repetida no mundo dos investimentos. Apesar dos históricos serem um bom ponto de análise, não significam que o futuro vai seguir exatamente as mesmas pegadas e os mesmo rendimentos – é fundamental estudar a oportunidades de investimento e tomar decisões ponderadas.
Não queremos que te falte nada. Por isso, criámos seis passos fundamentais para começares a fazer os teus primeiros investimentos no S&P 500. E nunca te esqueças: nenhum investimento garante rendimento e todos os investimentos representam risco.
Define os teus objetivos e o tempo de investimento. Não procures rentabilidades imediatas porque os investimentos não funcionam desta forma. Um investimento no S&P 500 faz mais sentidos para objetivos a 10, 15 ou mais anos.
Idealmente, a corretora deve ser autorizada pela CMVM. Depois da escolha, abre conta, lê todos os documentos e condições e estuda os teus investimentos. O processo de abertura de conta costuma demorar 1 a 3 dias úteis.
Um ETF UCITS de acumulação pode ser a melhor escolha porque reinveste em si próprio, sem que os teus ganhos sejam tributados nesse ano. ETFs como CSPX, VUAA ou SPYL.
Contudo, estuda ou procura aconselhamento sobre qual o melhor ETF para ti e toma a decisão quando tiveres a certeza, com base nos teus objetivos.
É importante teres um plano para manteres a consistência dos teus investimentos. Depositar uma quantia fixa todos os meses num investimento do S&P 500, independentemente de o mercado estar a subir ou a descer, reduz o impacto do timing errado. Por isso, investe com regularidade e cumprindo o plano.
A volatilidade a curto prazo é muito normal. O que interessa é a tendência a longo prazo. Se estiveres todos os dias a controlar os teus investimentos vais acabar por sentir frustração ou desânimo por não haver grandes rentabilidades.
Investir no S&P 500 através de um ETF UCITS acumulativo é uma das melhores formas de aumentares poupanças a longo prazo, uma vez que tens uma exposição simples, diversificada e historicamente rentável.
Isto não significa que estás isento de risco e de perdas monetárias. Além disso, pode não ser adequado para todos os perfis e horizontes temporais.
Este artigo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro ou fiscal personalizado. Antes de tomares qualquer decisão de investimento, vale a pena consultar um profissional certificado ou um contabilista.
Se gostaste deste artigo, de certeza que vais querer saber como atingir a reforma antecipada aos 40 anos! Sim, é mesmo possível!