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Ser pai em 2026 não é a mesma coisa que nos anos 90. O pai de família tradicional está em extinção, dando lugar a uma mistura de estilos, influências e crises existenciais. Mais do que nunca, é importante descobrires que tipo de pai queres ser.
Ah! E, se estás quase a ser pai, esquece aqueles calhamaços sobre o “sono do bebé” porque a paternidade real não vem com manual – vem com olheiras, noites mal dormidas, manchas de iogurte na t-shirt e muita capacidade de improviso à mistura.
Mas não te preocupes! Este artigo vai ajudar-te a descobrir os perfis mais comuns, quer sejas um pai à procura de respostas, uma mãe a tentar identificar o espécime que tem em casa, ou um futuro pai que pensa que vai dormir noites inteiras (spoiler: não vai).
Este tipo de pai é rijo e acredita que o mundo está a ficar “mole”. Defende que a hierarquia é necessária para educar uma criança. Os seus valores de educação baseiam-se no respeito, no aperto de mão firme e na palavra “não” sem necessidade de explicação.
O amor dele expressa-se através da exigência. Por trás da sua rigidez, existe medo de que o filho não seja resiliente o suficiente para enfrentar o mundo.
É a calma no meio da tempestade. Reconhece que as adversidades fazem parte do processo e mantém a paz, mesmo que o filho se tenha envolvido numa briga na escola. Os seus valores assentam na paz e no amor. Para este pai, tudo passa.
Por vezes, pode parecer que este pai vive noutro planeta. Todavia, a verdade é que ele é a calma no meio da tempestade, a âncora emocional da casa.
A masculinidade tóxica não faz parte do dicionário deste pai.
Antes de continuarmos, sabias que, segundo um estudo, a masculinidade tóxica é uma das causas que levam os homens a viver menos anos?
Continuando: “Os homens não choram” é a frase que menos gosta. Este pai conversa sobre sentimentos, incentiva o filho a chorar se estiver triste e faz questão de dividir as tarefas domésticas.
O trabalho pode ser exaustivo porque este pai quer ser sempre prefeito e consciente. As crianças educadas por este tipo de pai têm uma inteligência emocional acima da média.
Este pai não gosta de ser o vilão. A relação pai-filho assenta na amizade: é o melhor amigo, cúmplice, que faz asneiras e joga consola até às duas da manhã. Prioriza a confiança e a amizade acima da autoridade e da exigência.
Este pai é fixe e divertido. Ao mesmo tempo, educar pode ser um grande desafio.
Este tipo de pai é um autêntico gestor de crises. Não se perde em discussões filosóficas sobre o sono, cria logo um plano de ação, define metas e executa-o.
Além disso, antecipa perigos antes de acontecerem. Tem um kit de sobrevivência no carro e em todos os compartimentos da casa. Verifica sempre se as mochilas têm água e lanches suficientes para uma semana (mesmo se forem apenas ao parque).
Cria filhos organizados e cumpridores de objetivos. Contudo, às vezes, esquece-se que nem toda a vida familiar deve ser otimizada e que na ineficiência mora a diversão.
Não toma uma decisão sem consultar o google ou chatbots. Vive sempre num estado de alerta constante. Só toma decisões com base em estudos científicos de universidades de renome (nem que seja apenas para escolher entre dois tipos de chupetas).
Este tipo de pai vive em constante ansiedade e sofrimento. Acha sempre que vai acontecer alguma coisa ao filho (mesmo que esteja devidamente informado).
Não sabe para onde se virar: está sempre em reuniões, atividades escolares, tem de passear o cão, levantar encomendas e nem tem tempo para descansar.
Anda sempre com uma mancha de café na camisa, não sabes das chaves do carro e os bancos de trás estão cheios de fraldas, brinquedos, toalhetes usados e bolachas Maria.
A maioria de nós tem um pouco deste pai. Ele vive a paternidade real, sem filtros. Não finge que tem tudo sob controlo, aceita o processo tal como é (mesmo que esgotante).
Antigamente, o pai era o chefe de família. Hoje, é um parceiro de jornada. Durante décadas a carga emocional de educar uma criança era exclusiva das mães, agora o pai partilha esse dever de forma assumida (ou pelo menos deveria).
Isto quer dizer que o pai de hoje não é igual ao pai de ontem. Mas, também não existe nenhum tipo de pai que faça de ti o melhor pai do mundo. Até podes ser uma mistura dos modelos de pais referidos acima; depende do teu contexto e das tuas batalhas.
Se queres ser o melhor pai do mundo, não tentes ser perfeito!
Sê um super pai – presente e disponível, um exemplo de integridade, que dá apoio incondicional e encoraja, que é paciente, participa nas atividades do filho, ajuda em casa, é divertido e nunca perde o seu sentido de humor.
Seja qual for o teu perfil, a verdade é que a paternidade moderna exige algumas skills de sobrevivência. Se te sentires perdidos entre os vários tipos de pai, aplica pelo menos estes três comportamentos fundamentais que vão facilitar a tua paternidade.
No meio do caos, aproveita pelo menos 15 minutos de atenção plena com o teu filho – por outras palavras, entra no mundo da criança.
Mais um grupo de WhatsApp? Mas pode fazer a diferença! Partilhar misérias com um grupo de amigos que vive a paternidade pode ser bom para desabafar, sentires-te compreendido e até para se rirem.
Aceita que não vais ser perfeito. Vais errar, vais-te arrepender de alguma palavra ou ação. O importante é que reconheças os teus comportamentos, não ter martirizes, e que te esforces para compreender e ajudar o teu filho.
Muitas vezes, os pais sentem-se frustrados porque não são perfeitos. Sabes porquê? Porque não existem pais perfeitos. Existem super pais.
Pode ser um pai sobrevivente que serve os cereais com água porque se esqueceu de comprar leite e, ao mesmo tempo, o pai desconstruído que vê um filme à noite com direito a debate sobre as emoções das personagens.
Por isso, lembra-te, não interessa o tipo de pai. Até podes ser um híbrido, Bff-Pragmático-Desconstruído, o importante é que sejas o pai que o teu filho mais precisa.