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Fitness
23/03/2026

Repetições Lentas e Controladas São Mesmo Melhores para a Hipertrofia?

Imagem - Repetições Lentas e Controladas São Mesmo Melhores para a Hipertrofia?
  • “Controla bem a fase excêntrica.”
  • “Desce devagar.”
  • “A parte negativa do movimento deve ser lenta.”

Penso que posso afirmar com alguma certeza que estes conselhos e orientações já foram partilhados contigo durante o treino, certo? Entre amigos e até pelos Personal Trainer, esta parecia ser a teoria que primava no treino de hipertrofia

A lógica soava simples: se baixarmos o peso mais devagar, o músculo passa mais tempo sob tensão, o que teoricamente deveria estimular mais crescimento muscular. Mas será que é mesmo assim?

Nos últimos anos, vários estudos começaram a analisar esta questão com mais rigor. E os resultados estão a mostrar algo interessante: a velocidade da repetição pode não ser tão importante para a hipertrofia como durante muito tempo se acreditou.

Põe-te confortável e embarca nesta leitura UP (baseada nas últimas descobertas), para desmistificar mais um mito do mundo fitness. Afinal, fazer repetições super lentas pode não ser o segredo para ganhar mais músculo…

 

De Onde Veio Esta Teoria?

A recomendação de controlar a fase excêntrica não surgiu por acaso… Quando fazemos um exercício de musculação existem duas fases principais:

  1. Fase concêntrica - Que acontece quando o músculo encurta enquanto produz força. Nesta fase estás a fazer contração muscular com encurtamento das fibras, vencendo a resistência externa. É normalmente a fase mais “explosiva” do movimento, onde existe maior recrutamento de unidades motoras para superar a carga. (Exemplo: no supino, esta fase é quando levantamos o peso/subimos a barra);
  2. Fase excêntrica – Nesta fase, o músculo continua a produzir força, mas está a alongar. Tecnicamente, isto chama-se contração excêntrica, onde o músculo está ativo enquanto resiste à carga, controlando o movimento. (No exemplo do supino, esta fase é a da descida do peso da barra até ao peito.)


Durante muito tempo acreditou-se que prolongar a fase excêntrica aumentaria o estímulo para hipertrofia, principalmente porque aumentava o famoso tempo sob tensão.

De facto, tempos mais lentos podem aumentar a duração de cada repetição e alterar algumas respostas metabólicas do músculo.

Por isso, muitos programas de treino começaram a recomendar tempos como:

  • 2 segundos a subir
  • 3 ou 4 segundos a descer

 

Mas a ciência decidiu investigar se isso realmente faz diferença no crescimento muscular.

 

O Que Dizem os Estudos Mais Recentes?

Um estudo recente intitulado “How slow should you go?”, uma revisão sistemática com meta-análise sobre o tempo das repetições no treino de força, analisou vários estudos que compararam diferentes velocidades de execução.

O objetivo era perceber se repetições mais lentas levam a mais hipertrofia muscular. A conclusão foi esclarecedora mas controversa: O tempo da repetição tem pouco ou nenhum impacto no crescimento muscular.

Quando os investigadores compararam tempos de repetição mais rápidos com tempos mais lentos, os resultados foram muito semelhantes em termos de hipertrofia.

Ou seja, a que conslusão chegamos? Desde que outras variáveis importantes estejam controladas, como:

  • Volume de treino;
  • Intensidade;
  • E proximidade da falha muscular.

 

O músculo tende a crescer de forma semelhante independentemente da velocidade da repetição.
Outras revisões científicas chegam a conclusões parecidas: repetições que duram entre cerca de 0,5 e 8 segundos produzem resultados comparáveis para hipertrofia.

 

Então Não Importa Nada a Velocidade?

Também não é bem assim. Nem oito, nem oitenta.

O que os estudos mostram é que não existe uma velocidade “mágica” para ganhar músculo. Ou uma cadência que sirva de regra/ referência universal neste tipo de treino.

Mas isso não significa que o ritmo do exercício seja irrelevante. Na prática, a velocidade da repetição influencia várias coisas importantes durante o treino:

  • Técnica do exercício;
  • Controlo do movimento;
  • Segurança;
  • Carga utilizada

 

Por isso, mesmo que o tempo da repetição não determine diretamente o crescimento muscular, ele continua a ter utilidade e deve sempre ser tomado em consideração.

 

Porque Se Recomenda Descer Devagar?

A principal razão para muitos treinadores pedirem para controlar o movimento é a segurança.

Quando um aluno/atleta levanta o peso demasiado rápido ou deixa o peso cair na fase excêntrica, várias coisas podem acontecer:

 

Controlar o movimento ajuda a garantir que:

  • O músculo certo está a trabalhar;
  • O exercício é executado corretamente;
  • O risco de lesão diminui.

 

Especialmente para quem está a começar.

 

Para Iniciantes, o Ritmo Faz Mais Diferença

Para quem é novo no treino de força, fazer repetições mais lentas e controladas pode ser extremamente útil.

Principalmente porque ajuda a:

  • Aprender a técnica correta;
  • Sentir melhor o músculo a trabalhar;
  • Evitar compensações com outros músculos;
  • Manter controlo do peso.

 

Ou seja, a recomendação de fazer repetições controladas continua a fazer sentido, mas por razões pedagógicas e de segurança, não necessariamente por hipertrofia. É uma ferramenta de aprendizagem.

 

Ingredientes Para a Confeção Muscular

Se a velocidade da repetição não é o fator decisivo, então o que realmente faz crescer músculo?

Com base em investigação consistente, a ciência tem vindo a apontar para alguns pilares muito claros:

 

Proximidade da Falha Muscular

Treinar perto da falha muscular aumenta o recrutamento de unidades motoras, especialmente das fibras tipo II, que têm maior potencial de crescimento.

À medida que te aproximas da falha:

  • Mais fibras musculares são ativadas;
  • Maior tensão mecânica é gerada.

 

E isso é um dos principais gatilhos da hipertrofia.

Porém, não precisas de ir sempre até à falha para crescer. Uma meta-análise mostrou que treinar até à falha não é superior a parar ligeiramente antes, desde que o volume seja equivalente.

E outra revisão reforça que a relação entre proximidade da falha e hipertrofia é não linear. Ou seja:

  • Muito longe da falha - estímulo fraco;
  • Muito perto da falha - bom estímulo;
  • Sempre até à falha - pode até prejudicar o volume total.

 

O que podes retirar daqui? Que deves sim, ir perto da falha, porém não tens de fazer isso norma.

 

Volume de Treino

Se tivéssemos de escolher um “rei” da hipertrofia… seria o volume.

Em que é que se traduz o volume? É número total de séries x repetições x carga ao longo da semana.

A evidência mostra que mais volume (até certo ponto), corresponde a um maior crescimento muscular. E isto é consistente em vários estudos. Além disso, a própria investigação sobre falha muscular mostra que quando o volume é igual, ir ou não à falha faz pouca diferença.

Ou seja, o corpo “responde” mais à quantidade de estímulo acumulado do que ao detalhe de como o fizeste.

 

Carga e Tensão Mecânica

Agora sim, tocamos no verdadeiro estímulo do músculo...

Contrariamente à crença geral, o músculo não cresce (mais) porque fizeste 3 segundos a descer. Este artigo serviu exatamente mas desmistificar isso... Ponto assente?

Cresce porque foi obrigado a produzir força. A isto chamamos de “tensão mecânica”. 

E é considerado o principal mecanismo da hipertrofia.

 

Quando levantas cargas desafiantes:

  • Crias tensão nas fibras musculares;
  • Provocas micro-adaptações;
  • O corpo responde ficando mais forte e maior.

 

Uma dúvida que parece ser bastante frequente relativamente à possibilidade de hipertrofiar com cargas pequenas: é possível? Sim. Na verdade, podes gerar hipertrofia com cargas leves ou pesadas, desde que chegues perto da falha.

Porque isso garante recrutamento muscular significativo.

 

Gestão de Fadiga

Treinar não se trata unicamente de estimular. Temos de saber pausar e recuperar. Se fores sempre até à falha, em todas as séries, em todos os treinos:

  • Acumulas fadiga excessiva;
  • Reduzes desempenho nas sessões seguintes;
  • Comprometes o volume total.

 

E isso pode limitar o crescimento.

Aliás, estudos mostram que treinar um pouco abaixo da falha pode gerar os mesmos ganhos com menos fadiga acumulada.

 

Consistência

A consistência e a disciplina acaba por ser a chave para o sucesso, já que nenhum destes fatores funciona isoladamente ou a curto prazo.

A hipertrofia é um processo crónico. Estamos a falar de semanas, meses e até anos. 

Podes ter o melhor plano do mundo… mas se não fores consistente, não há resultados. Sim, é de facto o conselho mais cliché, mas o mais verídico.

 

O Problema das Repetições Demasiado Lentas

Já te apercebeste de que quando as repetições ficam excessivamente lentas, podem até reduzir a carga que conseguimos levantar?

E isso pode diminuir o estímulo mecânico no músculo.

Por exemplo, se cada repetição demorar:

  • 10 segundos
  • 12 segundos ou mais

 

o peso utilizado terá de ser muito menor.

E isso pode tornar o treino menos eficiente para hipertrofia. Por isso, a maioria das recomendações científicas aponta para um ritmo natural e controlado, mas não exageradamente lento.

 

Então Qual é o Ritmo Ideal?

Depende sempre da pessoa e do seu caso, claro. Porém, o ritmo ideal é aquele que te permite treinar com boa técnica e intensidade suficiente.

Para a maioria das pessoas, isso significa algo como:

  • Subir o peso de forma controlada;
  • Descer o peso também com controlo;
  • Evitar deixar o peso “cair”.

 

Sem necessidade de contar segundos obsessivamente. Treinar bem é mais importante do que treinar em câmara lenta.

 

Não Fiques Obcecado com o Cronómetro

Durante muito tempo acreditou-se que fazer repetições muito lentas era a chave para ganhar mais músculo.

Mas a investigação mais recente mostra que a realidade é mais simplória e descomplicada.

 

Desde que o treino seja feito com:

 

O músculo cresce independentemente de a repetição durar dois ou quatro segundos. Por isso, continua a controlar os movimentos, mas não fiques obcecado com o cronómetro. No final, o músculo não está a contar segundos, está apenas a responder ao estímulo do treino.

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