PLANO DE TREINO
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Vamos falar (outra vez) sobre hormonas? Vamos! Mas desta vez, de uma perspetiva diferente.
Quando falamos de saúde hormonal, é quase automática a associação que fazemos às hormonas femininas e masculinas. Como estas afetam a saúde tanto da mulher como do homem e, consequentemente, as suas vidas. E apesar de realmente estas serem as hormonas protagonistas e que distinguem cada um, há muito mais além disto.
First things first: é importante percebermos, antes de tudo, que as hormonas são substâncias químicas produzidas por nós, e que os seus níveis afetam diretamente o nosso corpo e estado emocional. Qualquer desequilíbrio que exista, vai refletir-se tanto física como mentalmente.
E se há uns anos este tema passava meio que despercebido, nem nas consultas de rotina era sequer abordado, e não havia uma preocupação com o que se andava a passar com o nosso corpo (hormonalmente falando), hoje em dia já não é assim. E ainda bem para nós!
O interesse e curiosidade foram surgindo, se calhar até através de conteúdos que fomos encontrando aqui e ali — redes sociais incluídas —, e hoje olha-se para esta temática muito mais abertamente e com noção real do seu impacto.
Mas ainda assim, achamos sempre que há mais qualquer coisa a aprender, portanto, estamos cá para fazer o nosso serviço público.
Bora lá!
Claro que é uma pergunta retórica, tod@s sabemos que sim.
Mas se calhar o que nem toda a gente sabe é que, tanto o homem como a mulher, produzem as mesmas hormonas mas em quantidades diferentes. Seja a progesterona, o estrogénio ou a testosterona, todas estas hormonas estão presentes em ambos os sexos, mas com uma predominância diferente, claro.
Na mulher, a progesterona e o estrogénio são as hormonas principais. Produzidas nos ovários, são as responsáveis pelas características femininas, como o crescimento dos seios, por exemplo, bem como pela regulação do ciclo menstrual. Podes ler mais sobre isso aqui
Já no homem, é a testosterona que leva o papel principal. Produzida nos testículos, ajuda no desenvolvimento das características masculinas, como a musculatura ou o engrossamento da voz, e na produção dos espermatozoides.
Mas há hormonas que não servem só para nos distinguir ou para a nossa reprodução (estas anteriores também não servem só para isso, porque o nosso corpo é um sistema, óbvio), servem para nos regular e nos manter em equilíbrio.
Embora não possamos falar de todas, senão tínhamos toda uma dissertação pela frente, falemos então daquelas que consideramos essenciais e impactantes no nosso dia a dia:
Hormona bastante conhecida e falada ultimamente (talvez até um pouco vulgarizada, o que pode não ser assim tão bom).
O cortisol é a conhecida “hormona do stress”. É uma hormona importante, porque se ativa para nos ajudar a lidar com as situações mais intensas ou difíceis.
O problema é quando não a conseguimos desativar, e estamos num estado de alerta constante. Isso pode levar-nos a estados de ansiedade, preocupação excessiva, insónias e, por cima disto tudo, um sistema imunitário cada vez mais fraco.
A grande responsável pelo controlo dos níveis de açúcar no sangue (sim, a verdadeira! #entendedoresentenderão).
Esta hormona é produzida pelo pâncreas, e quando existe algum problema nessa mesma produção ou na sua atuação, podem surgir doenças como a conhecida diabetes.
Produzida durante o sono, é aquela hormona responsável por manter o nosso relógio biológico a funcionar em pleno. E claro, influencia nos ciclos do sono.
As nossas “hormonas da felicidade”, também conhecidas de muitos.
Estas duas são responsáveis por influenciar o nosso estado de ânimo, a motivação e por ajudar na sensação de felicidade. São produzidas pelo cérebro e intestino, e a sua desregulação pode levar a estados depressivos ou de ansiedade.
Talvez não tão conhecidas, mas igualmente importantes, de seus nomes Tiroxina e Triiodotironina.
Nomes difíceis à parte, estas duas hormonas têm a função de regular o nosso metabolismo. Influenciam e controlam ações como a digestão, a regulação da temperatura corporal, os níveis de energia, humor e até os batimentos cardíacos, por exemplo.
Quando estas hormonas estão nas suas plenas capacidades, todo o resto do nosso corpo tende a funcionar saudavelmente. Quando não estão, aí a conversa já é outra.
It's metáfora time:
Vamos olhar para todas estas hormonas de que acabámos de falar, juntamente com as hormonas sexuais, como uma banda musical em que cada uma toca um instrumento.
Para esta banda tocar em harmonia, cada uma tem de estar a executar bem a sua função instrumental.
Se existe alguma delas que está desafinada, toda a banda vai ser afetada.
Mas agora a sério.
O nosso corpo e mente para funcionarem bem, precisam de viver em constante equilíbrio, e as hormonas são muitas vezes responsáveis por esse mesmo equilíbrio. Quando algo não está bem com alguma delas, vai tudo por arrasto.
E não vamos estar com utopias de que vamos conseguir estar sempre super equilibrad@s, com as hormonas em dia, porque, vida atual não é… Mas temos de pelo menos tentar fazer algo. E isso passa por começarmos a nutrir-nos com coisas que nos fazem realmente bem e nos regulam. Seja aquilo que comemos, o que vemos, como nos movimentamos, com quem estamos e até o que vestimos, tudo influencia.
E mais, é essencial também que comecemos a prestar mais atenção ao que o nosso corpo tenta dizer-nos — mesmo que baixinho.
Sabemos que somos pros na arte de ignorar os pequenos sinais, mas temos de tentar mudar um pouco o mindset, sob pena de depois termos de correr atrás do prejuízo (também somos pros nesta modalidade…).
Já percebemos que a nossa saúde hormonal influencia tanto o nosso estado físico como emocional, por isso é importante que tenhamos isto em consideração e que trabalhemos para o equilíbrio de ambos.
Ou seja, para haver resultados consistentes, temos de cuidar de um sem descurar o outro. Always.
Agora, vamos à prática:
É praticamente dado adquirido que uma alimentação equilibrada e saudável, é a base de prevenção contra muitas doenças e desequilíbrios. Na saúde hormonal não é exceção, e não somos só nós que o afirmamos, como podes confirmar.
Uma alimentação deficiente pode ter impacto direto na insulina, no cortisol e noutras hormonas, por isso:
Optem por consumir
E por evitar
Sim, as caminhadas também contam. Mas não são suficientes! Temos de treinar à seria se queremos impacto real na nossa saúde hormonal, e a combinação de vários tipos de exercício é o ideal. Intercalar entre cardio, musculação e algum outro desporto que desperte interesse, é uma boa aposta.
Estes estímulos diferentes vão influenciar, por exemplo, a produção de endorfinas, a regulação da insulina e de outras hormonas como a testosterona e o estrogénio.
Mas tão importante é mexer o corpo, como descansá-lo.
O sono ajuda-nos a regular hormonalmente, desde a melatonina, ao cortisol, e até à testosterona. Uma boa noite de sono pode ser o antídoto para o cansaço, as alterações de humor e o aumento do apetite.
Portanto, toca a priorizar o sono e o descanso.
Altos níveis de stress podem não só afetar os níveis de cortisol, como também desregular outras hormonas.
É essencial que consigamos autoregular-nos neste sentido, nem que seja com uns minutos de paz no nosso dia a dia, com uma respiração consciente, por exemplo.
E se for a vossa vibe, podem também experimentar a meditação.
Costuma dizer-se que o intestino é o nosso segundo cérebro, e aqui não podia ser mais verdade.
Como este órgão participa na produção de hormonas como a serotonina, é importante que esteja saudável. Para isso, para além das dicas de alimentação que falámos acima, também o consumo de probióticos e uma hidratação no ponto podem ser dicas bastante benéficas quando se trata de equilíbrio hormonal.
Podemos falar sobre o assunto, mas apenas constatamos factos e damos dicas, não somos especialistas. Por isso o melhor conselho que podemos dar, para além de todos os que já falámos, é que procurem um especialista em saúde hormonal para vos ajudar neste processo.
Porque cada pessoa tem características únicas, e muitas vezes são necessários exames específicos e individuais.
É importante continuarmos a dar voz a este assunto, isso é certo. Não só porque é moda ou porque agora tudo é um assunto nas redes sociais, mas porque finalmente estamos a chegar a um caminho em que se olha para a saúde como um todo.
Quantos diagnósticos hão de ter sido feitos no passado com base apenas em sintomas? Quantas disfunções hormonais hão de ter sido ignoradas e não tratadas, porque não era algo que “apetecesse” explorar? Quantas doenças “mascaradas”?
“Ah tens queda de cabelo excessiva? Isso é falta de ferro.” “E falta de motivação e cansaço constante? Uns anti-depressivos resolvem rapidamente.” “Burnout? O que é isso? Tira umas férias que passa.” E isto é só a ponta do iceberg.
Felizmente somos pessoas cada vez mais conscientes (a maioria, vá), e já não nos contentamos com uma breve explicação. Queremos ir mais fundo, saber o que se passa connosco e como funciona o nosso corpo.
Isto não só nos ajuda a interpretar alguns sinais — sem auto diagnósticos a toda a hora, por favor (inserir emoji com os olhos revirados) — , como a perceber o que o nosso corpo precisa para funcionar em harmonia.
No fim disto tudo, o importante a reter é que se tomarmos as decisões certas, fizermos escolhas inteligentes, olharmos para dentro com empatia e cuidado, ou seja, pusermos em prática tudo aquilo que falámos acima, as nossas hormonas estarão felizes e a funcionar, e nós também.