PLANO DE TREINO
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Se estavam à espera de encontrar aqui as melhores dicas de como dar uma escapadinha ao ginásio durante o horário de trabalho, sem que o boss se aperceba, lamentamos, mas não temos nada disso; temos algo melhor!
E não é algo novo, não senhor. Se calhar até já viram algumas por aí, mas acharam que era só mais um aparelho de ginásio comum e, por isso, passaram à frente. Mas como sempre, estamos aqui para falar dos assuntos do momento e para esclarecer a vossa curiosidade, portanto aqui vai — ei-las: as Walking Pads.
Continuas sem perceber nada? Vá, nós explicamos.
As Walking Pads são a mais "recente" obsessão, não só de quem trabalha no mundo corporativo, mas de quem trabalha sentado, no geral. São uma espécie de passadeira de ginásio, com a vantagem de serem mais pequenas e compactas, e assim poderem coexistir connosco no dia a dia, não só em casa, como no trabalho.
“Então mas não é mais fácil ir ao ginásio ou fazer uma caminhada ao ar livre?” Perguntam vocês.
Mais fácil não sabemos, mas mais comum ou normal, talvez sim. Mas vejamos, nem toda a gente tem tempo para treinar entre o trabalho e os afazeres da vida, portanto se esta for uma opção para contrariar o sedentarismo, porque não?
E aliás, o seu propósito não é serem substitutas de uma vida ativa e saudável, mas sim acrescentar mais movimento às rotinas mais sedentárias durante o dia de trabalho.
Afinal, mais vale uma caminhada de meia hora durante aquela reunião que podia ter sido um e-mail, do que nada, certo?
Então vamos lá falar um pouco mais sobre isto.
As primeiras Walking Pads foram criadas por uma empresa chinesa — a King Smith —, fundada por Albert Jing, em Pequim. Os dois principais objetivos, ao criar este aparelho, eram claros: combater o sedentarismo, permitindo que as pessoas pudessem trabalhar e caminhar ao mesmo tempo; e resolver a falta de espaço, pois um aparelho destes dito de tamanho normal, seria sempre mais difícil de adaptar em qualquer casa.
Criaram então esta espécie de gadget, com as mesmas funções de uma passadeira comum, mas com a vantagem de ser muito mais leve e fácil de transportar, podendo arrumar-se em qualquer lado (como quem arruma as roupas da estação do ano anterior, estão a ver?).
Tornaram-se populares por serem colocadas debaixo das secretárias de trabalho (elevatórias, claro), as conhecidas “under-desk treadmills”, e tinham essa mesma intenção — de permitir caminhar enquanto a pessoa trabalhava, estudava ou até enquanto via uma série.
. Mais fina do que uma passadeira normal
. Fácil de guardar, pois pode deslizar-se para debaixo do sofá ou da cama, por exemplo
. Mais silenciosa (apesar de não o ser totalmente)
. Dá para controlar através de uma app ou de um comando
. Tem uma velocidade moderada, ideal apenas para caminhadas
Desde a pandemia que o teletrabalho se tornou um requisito para muitos trabalhadores, ou no limite, um regime de trabalho híbrido. Trabalhar desde o conforto de casa é para muitos essencial, e muitas vezes, até mais produtivo.
E apesar de ter mais pontos a favor do que contra, a verdade é que uma das desvantagens é o facto das pessoas se mexerem menos.
A ida para o trabalho podia contribuir, por exemplo, para atingir a meta de passos diária, e isso deixou de existir, ou pelo menos, todos os dias.
É por isso que este tipo de equipamentos passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas, e se começou na base da experimentação, agora já é algo que faz parte das suas rotinas.
Também algumas empresas aderiram e conseguem garantir que os seus trabalhadores estão mais dispostos, com uma melhoria do humor, com mais foco e presença.
Como em tudo, há sempre pontos a favor e outros contra. Deixamos-te os mais importantes, ou o que deves ter em conta de quiseres juntar-te a esta tendência:
Conveniência
Como é óbvio, um dos pontos principais a favor, é a conveniência. Não tens de ir dar três voltas ao quarteirão para conseguir atingir a meta de passos diária, ou ir até ao ginásio só para esticar as pernas. Basta saíres da secretária e ligar a passadeira, literalmente. Faça chuva ou faça sol, com as Walking Pads não há desculpas.
Tamanho
Mais uma vez, um dos seus pontos mais fortes — o tamanho.
Podem ser facilmente arrumadas, não ocupando muito espaço. São também mais leves, o que faz com que sejam mais facilmente transportáveis.
Impacto na Saúde
Continuamos a afirmar: usar Walking Pads não substitui uma rotina de treino estruturada, keep it in mind. Mas é um óptimo complemento!
Ajuda tanto na saúde física como mental, pois para além de contribuir para o gasto calórico e ajudar a combater a rigidez muscular (quem trabalha sentado sabe do que falamos), também pode ajudar na concentração e a conseguir mais energia mental.
Ergonomia
Trabalhar durante uma caminhada pode ser bom, mas não para todas as tarefas. Enquanto reuniões ou leitura de e-mails, por exemplo, são completamente fazíveis, outras tarefas como escrever ou programar, podem não ser tão fáceis assim.
Já para não falar da adaptação da altura dos ecrãs. Se esta não for feita, podemos estar a resolver um problema de sedentarismo, mas estar a causar outros como dores no pescoço ou nas costas.
Função
Apesar de ser uma passadeira, a corrida nestes aparelhos não é aconselhada, por isso acaba por poder ser apenas utilizada para caminhadas leves. Em alguns modelos os motores não estão concebidos para cardio intenso, por isso limita a sua utilização.
Ruído
Como já sabem, as Walking Pads podem ser usadas em escritórios, mas a maioria usa-as em casa. E para quem vive em apartamentos este pode ser um issue, precisamente por alguns destes equipamentos (de qualidade mais aquém) terem bastante vibração e provocarem ruído que pode facilmente incomodar a vizinhança.
Preço
Um aparelho destes de boa qualidade, que cumpra e dure, não é propriamente barato. E quando juntamos então o design, mais encarece. Portanto, digamos que, não é algo que esteja ao alcance de todos os bolsos.
Como qualquer gadget, também as Walking Pads têm vindo a evoluir ao longo do tempo, não só em relação ao design como à tecnologia.
Hoje em dia, conseguem encontrar aparelhos de boa qualidade que:
. O ruído é cada vez menor
. Têm sistemas anti-vibração
. Conseguem guardar facilmente, porque já há exemplares dobráveis e com estruturas cada vez mais leves
. Se integram em standing desks
. Conseguem ligar a apps ou smartwatches
. Fazem a contagem dos passos
. Adaptam a velocidade de forma inteligente
Os objetivos futuros:
. Conseguirem motores cada vez mais silenciosos
. Integrarem IA
. Serem cada vez mais eficientes (energia)
. Terem um design híbrido, que possa facilmente ser integrar função com decoração
(Em relação a estes últimos, sim, sabemos que algumas marcas já o fazem, mas não são as mais acessíveis.)
Estamos a tornar-nos repetitivos? Talvez. Mas vamos continuar a insistir, sorry not sorry.
As Walking Pads não são usadas para substituir o treino, por isso se por acaso até estão curiosos para experimentar, pensem sempre nesta questão e prometam a vocês próprios que sabem ao que vão.
Um treino tem o objetivo não só de nos pôr a mexer, como também de nos fazer ganhar força, massa muscular e de preparar o nosso corpo para um envelhecimento saudável. Nada substitui isso.
Se as quiserem usar para adicionar mais movimento ao vosso dia a dia, go for it. Mas apenas para complementar aquilo que já fazem.
Por outro lado, se o treino não faz parte da vossa rotina, esta pode ser uma forma de começarem a introduzi-lo aos poucos na vossa agenda. Começam com as caminhadas durante o trabalho e, se ganharem o bichinho, o céu é o limite.
Se esta foi a pergunta que surgiu nas vossas cabeças até agora, está tudo ok convosco, podemos garantir. Aliás, nós também nos questionamos, e é sobre isto mesmo que também queremos falar.
Não há uma resposta certa ou errada para esta pergunta. Tudo depende das circunstâncias de cada um. Se esta for realmente a única forma de alguém praticar exercício, seja porque razão for, então é melhor que nada.
No entanto, para algumas pessoas, treinar a sério é a única altura do dia em que podem dedicar-se a algo que não seja trabalhar. Em que podem libertar as tensões, libertar a cabeça, estar no momento presente. E esse momento é sagrado, não querem misturar conceitos. E está tudo bem também.
O que é certo é que vivemos numa época em que nos é exigido constantemente o multitasking. Nunca podemos estar a fazer só uma coisa de cada vez, cobram-nos produtividade a toda a hora, e estamos sempre a fazer algo com um objetivo final.
Por isso, como tudo, há que saber distingir as coisas, impor limites, mesmo a nós próprios, e perceber que se isto para nós não passa de uma trend ou não faz sentido na nossa rotina, então não vamos aderir só porque sim.
Acreditamos que todas as perspetivas são válidas, e somos, acima de tudo, ávidos defensores de que tanto a alimentação saudável como o movimento, são o melhor que podemos dar ao nosso corpo. Seja numa Walking Pad, seja a ir ao ginásio ou a praticar um desporto que nos dá prazer e que faz sentido para nós.