PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
"Parecia o match perfeito: estava tudo a correr tão bem, havia química, tema de conversa, gostos em comum... Mas, de um dia para o outro, deu-me ghost. Deixou de me responder e bloqueou-me em todo o lado... Se calhar fui demasiado insistente. Será que disse alguma coisa de errado? Mandei red flag sem me aperceber? O problema deve ser meu, já não é a primeira vez que isto me acontece. Só queria saber o porquê e ter closure. Olha, mais vale aceitar que vou ficar sozinh@ e pronto. Desisto, vou desinstalar as apps de dating e ser feliz sozinh@."
Bem-vindos à era do ghosting. Infelizmente, este é um exemplo de um diálogo interno – intencionalmente super dramático – que já se tornou um clássico dos nossos dias. Por isso, se já levaste ghost, és oficialmente um ser humano do século XXI. Se já deste ghost... também.
Há várias questões que aqui se impõem. Afinal, porque é que desaparecer virou normal? Como é que, de repente, anda meio mundo a dar uma de fantasma? Por que raio tanta gente prefere evaporar-se no ar em vez de dizer um simples "Epa, desculpa, mas não estou interessado"? E, por fim, o que é que isto diz sobre nós, seres humanos modernos, e sobre a forma como nos escolhemos relacionar uns com os outros?
Se namoras com o teu highschool sweetheart: que sorte, nunca deves ter passado pelo ghosting. Mas apostamos que o teu ombro já serviu para amparar as lágrimas de um bestie ou de uma bestie a quem deram ghost.
Mas vamos lá explicar melhor o que é isto do ghosting. A definição do dicionário diz-nos que ghosting é:
A teoria bate certo, não é? Então e em termos práticos? Em que se traduz o cortar contacto sem qualquer explicação? Basicamente, a outra pessoa:
E o pior é que é comum voltares a cruzar-te com ele/a no Tinder, no Bumble, you name it. Mesmo que fosses a "pessoa da minha vida" a semana passada... Porque esse match não desistiu nem de uma relação, nem de uma situationship, nem de uma cena casual. Simplesmente, já não quer saber de ti. E, por mais autoconfiança que tenhas, ninguém é de ferro – e custa sempre um bocadinho.
Pois é, infelizmente as más notícias não se ficam por aqui. Apesar de associarmos o ghosting ao universo das dating apps e das relações amorosas, o facto é que esta tendência já vai além dos assuntos do coração.
Também é possível levar ghost em:
A necessidade de encontrar os culpados para um problema é uma coisa tão antiga quanto a própria Humanidade. Mas antes de apontarmos o dedo aos Millenials ou à Gen Z pelo ghosting, vamos ser honestos.
Quem é que gosta genuinamente de ter conversas difíceis? Pois, ninguém. E a coisa mais fácil de fazer é fugir e evitar esse confronto. E esta atitude não surgiu com o Tinder nem com o Instagram. Pois é, o ghosting não é uma cena do século XXI – só ficou mais fácil.
Portanto, aquilo que (nos) mudou foi a tecnologia. Na sociedade pré-apps, a rejeição implicava uma conversa desconfortável, fosse cara a cara ou por telefone. Hoje em dia, é só deixar de responder. E por que motivo nos havemos de esforçar e sair da nossa zona de conforto, se basta abrirmos o Bumble, entrar no jogo dos swipes e, quase instantaneamente, temos alguém novo com quem conversar?
Agora que sabes que o ghosting não é uma moda recente, vamos tentar perceber o que estás por detrás deste comportamento. (Pista: os ecrãs são os grandes culpados!).
Este artigo começou com uma sequência de frases bem duras. Com o seu q.b. de dramatismo, também. No entanto, todas essas frases são "baseadas em factos verídicos".
Ou seja: o ghosting pode ter impactos bem reais, e graves, nas nossas vidas. Porque nem toda a gente tem uma ótima estrutura emocional. E também porque todos passamos por fases de maior fragilidade. Portanto, dar ghost a alguém pode potenciar sentimentos de:
É impossível não alimentar expectativas quando estamos a conhecer outra pessoa e temos interesse nela. E receber ghost é o equivalente a tirarem-nos o tapete debaixo do pés. Além disso, o cérebro não gosta mesmo nada de histórias sem conclusão. É também por esse motivo que desejamos tanto a tal closure. E, quando isso não acontece, é fácil entrar em overthinking, por exemplo.
Bem, resta-te saber como lidar da melhor forma com situações de ghosting – independentemente do lado da barricada em que estás.
Já te deram ghost e gostavas de gerir as emoções que surgem de forma mais saudável? Atenta:
E agora queres saber como escapar a isto dos fantasmas emocionais, certo? Infelizmente, não temos um livro de regras para te dar. Está atento/a aos sinais que recebes do outro lado: a consistência é, normalmente, um sinal positivo. Mas, acima de tudo, segue a tua intuição.
Por outro lado, tens tendência para dar ghost? Identificaste esse padrão em ti e queres pôr um travão nisso? Se queres melhorar nesse aspeto, toma nota: