PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Parabéns! À partida, se estás a ler isto, talvez estejas na tua jornada de formar família, a acompanhar alguém nesta fase… ou simplesmente queiras manter-te informad@. Independentemente da razão, bem-vind@!"
Estamos em 2026 e podemos afirmar que atual (e felizmente!), a ideia de que a gravidez é sinónimo de “abrandar” em todos os aspetos já começa a ficar para trás. Como dizem muitas mães: “estar grávida não significa estar inválida”... E nós (e a ciência) não poderíamos estar mais de acordo.
Ordens como: “Evita o esforço”, “Fica em repouso” ou “Não levantes pesos” caem por terra quando não há gravidez de risco ou qualquer outra causa plausível para tal.
O exercício físico, principalmente sob orientação profissional, deve fazer parte da rotina de todas as mulheres grávidas, uma vez que traz inúmeros ganhos para a sua saúde e para o bebé.
A ciência coloca-se, mais uma vez, ao lado dos técnicos de exercício físico ao listar os inúmeros benefícios da prática do exercício físico durante a gravidez. Os estudos provam-nos como o exercício não só é seguro, como pode ser uma das melhores decisões mais impactantes para a saúde da mãe e do bebé.
Outro dos grandes objetivos deste artigo passa por mostrar como o treino de força (aquele que muita gente ainda associa a risco), pode ser exatamente aquilo que falta nesta fase da vida.
Durante muitos anos, criou-se a ideia de que a gravidez era uma fase de “repouso”, limitação e redução quase total da atividade física. Felizmente, hoje sabemos que, na maioria dos casos, o corpo da mulher beneficia precisamente do contrário: continuar a mover-se.
E faz sentido... A gravidez traz mudanças físicas, hormonais e emocionais extremamente exigentes. O centro de gravidade altera-se, o volume sanguíneo aumenta, as articulações tornam-se mais instáveis e o corpo começa gradualmente a suportar mais peso e fadiga diária. Pedir ao corpo que lide com tudo isto sem qualquer estímulo físico acaba, muitas vezes, por aumentar desconfortos, perda de capacidade funcional e sensação de cansaço constante.
Manter algum nível de atividade física durante a gravidez ajuda a preservar mobilidade, força, resistência e autonomia ao longo dos meses. Trata-se de continuar a dar ao corpo aquilo para que ele foi feito: movimento.
Além disso, parar completamente por receio ou excesso de proteção pode levar a uma redução significativa da condição física, tornando o pós-parto mais desafiante e a recuperação mais lenta. O corpo adapta-se àquilo que faz repetidamente. Se passa meses em inatividade, vai naturalmente perder capacidade física, estabilidade e resistência.
Claro que isto não significa ignorar limitações ou treinar sem critério. Significa perceber que, quando devidamente ajustado, o exercício pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar a mulher a sentir-se mais capaz, mais confortável e mais preparada para todas as fases da gravidez.
Muitas mães se questionam sobre a mesma coisa: “É seguro? Devo fazê-lo?” E a resposta aqui não podia ser mais certeira: sim!
Desde que estejam informadas sobre aquilo que é aconselhado e desaconselhado fazer para as suas gravidezes (individuais), informadas sobre os cuidados a ter, as técnicas de progressão, sobre as posições e práticas desaconselhadas… O exercício deve fazer parte da rotina de todos, sem exceção.
Durante anos, o medo de prejudicar o bebé levou a recomendações demasiado conservadoras. Hoje, estudos mais recentes mostram que:
Isto contraria uma crença antiga: a de que “qualquer esforço pode ser perigoso”. Na verdade, o problema está mais na inatividade do que no movimento.
A ciência reforça a ideia de que o exercício físico, durante a gravidez, não só é seguro para a maioria das mulheres, como pode trazer inúmeros benefícios para a mãe e para o bebé. Aliás, uma revisão sistemática publicada no PubMed (“Physical exercise during pregnancy: a systematic review”) concluiu que a prática regular de exercício durante a gestação está associada a melhorias significativas na saúde física, metabólica e psicológica da grávida.
De forma geral, mulheres fisicamente ativas durante a gravidez tendem a apresentar um:
Mas os benefícios não ficam por aqui.
O exercício ajuda também a reduzir dores lombares, desconfortos musculares, sensação de fadiga e problemas associados ao pavimento pélvico, como a incontinência urinária e a flacidez muscular. Além disso, contribui para melhorias na circulação sanguínea, postura, mobilidade e qualidade do sono, algo que muitas grávidas sentem dificuldade em manter, sobretudo nos últimos meses.
A nível psicológico, o impacto pode ser igualmente transformador.
Graças à libertação de endorfinas e outros neurotransmissores associados ao bem-estar, o exercício físico ajuda a reduzir stress, ansiedade e sintomas depressivos, promovendo uma maior sensação de controlo, confiança e ligação ao próprio corpo numa fase marcada por tantas mudanças físicas e emocionais.
E o mais interessante? Esse “boost” positivo não beneficia apenas a mãe. Alguns estudos sugerem que os benefícios fisiológicos do exercício podem também influenciar positivamente o ambiente intrauterino e o desenvolvimento do bebé.
Outro ponto relevante é a redução do risco de macrossomia fetal (bebés com peso excessivamente elevado à nascença), algo frequentemente associado a complicações no parto e a alterações metabólicas futuras.
Além disso, manter-se ativa durante a gravidez parece facilitar o trabalho de parto, melhorar a tolerância ao esforço físico durante as diferentes fases do parto e contribuir para um pós-parto mais funcional e autónomo.
Segundo as recomendações atuais, as futuras mães podem (e devem) realizar atividades de intensidade ligeira a moderada cerca de 3 a 4 vezes por semana, durante pelo menos 30 minutos, desde que não exista qualquer contraindicação médica. Caminhadas, treino de força adaptado, natação, bicicleta estática ou aulas pré-natais são apenas alguns exemplos de atividades seguras e altamente benéficas.
Se há coisa que ainda gera dúvidas é isto: “Posso treinar com pesos durante a gravidez?” Sim e pode ser extremamente benéfico.
O treino de força consiste na utilização de resistência externa (como pesos, máquinas, elásticos ou o próprio peso corporal) com o objetivo de melhorar a força muscular, estabilidade, postura e capacidade funcional.
Especificamente, no que diz respeito a esta modalidade, estudos sobre este tipo de prática durante a gravidez, mostram que:
Mais recente ainda, revisões científicas indicam que o treino de força pode:
Traduzindo: não só é seguro como faz sentido, respondendo às necessidades básicas de todas as grávidas.
Porque a gravidez exige muito do corpo e o treino de força prepara-o para isso.
Se pensarmos bem, o parto (especialmente o parto natural/vaginal) é um dos momentos fisicamente mais exigentes que o corpo humano pode atravessar. Estamos a falar de um verdadeiro “evento de resistência”, que envolve força, controlo muscular, capacidade respiratória, resistência à dor e coordenação entre vários sistemas do corpo.
Durante o trabalho de parto, há contrações intensas e repetidas do útero, necessidade de controlo do core e do pavimento pélvico, além de um esforço ativo da mãe na fase expulsiva. Tudo isto enquanto o corpo já está sob grande stress físico e emocional.
E é aqui que o treino de força pode fazer toda a diferença.
Antes do parto, ajuda a preparar o corpo para lidar com as alterações da gravidez: melhora a postura, reduz dores lombares, fortalece músculos que vão suportar o aumento de peso e contribui para uma maior estabilidade articular.
Durante o parto, um corpo mais forte e consciente consegue gerir melhor o esforço. A capacidade de ativar corretamente o core e o pavimento pélvico, manter controlo respiratório e sustentar posições pode facilitar o processo e torná-lo mais eficiente.
E no pós-parto… o impacto continua. Recuperar de um parto exige força. Desde tarefas simples como pegar no bebé, amamentar, manter posturas prolongadas ou voltar gradualmente à rotina. Um corpo que foi trabalhado durante a gravidez tende a recuperar mais rapidamente, com menos desconforto e maior funcionalidade.
No fundo, o treino de força é essencialmente focado em preparar o corpo para um dos maiores desafios físicos da vida… e ajudar a que ele responda da melhor forma possível, antes, durante e depois.
Ao trabalhar para tornar os músculos mais fortes, as mães terão uma melhor capacidade de esforço e controlo na hora H.
Com o crescimento gradual da barriga, há mais carga na coluna. Por isso, o treino com foco nas costas, core e glúteos ajuda no suporte desse peso extra e a reduzir (possíveis) dores ou desconfortos.
Isto acontece porque um corpo mais forte e mais condicionado lida melhor com as exigências físicas do nascimento e das semanas seguintes, que podem ser extremamente desgastantes. Falamos de noites mal dormidas, horas a pegar no bebé, amamentação, alterações hormonais e um enorme desgaste físico e emocional.
No fundo, o treino de força não serve apenas para “aguentar melhor” a gravidez. Serve também para preparar o corpo para tudo o que vem depois dela.
De acordo com a Universidade Americana de Obstetras e Ginecologistas, recomenda-se a prática de 30 minutos de exercício moderado por dia ou 150 minutos de exercício por semana durante a gravidez. Mas o que é que isto significa?
Aqui, iremos abordar o como, o quando e o porquê do exercício físico durante a gravidez. Provando, mais uma vez, que o treino não deve ser estático, deve evoluir connosco e com a fase em que nos encontramos.
Independentemente do trimestre em que se encontram, existem algumas atividades que tendem a ser seguras e altamente recomendadas ao longo de toda a gravidez:
Se houver uma mensagem realmente importante a retirar deste tema, é esta: o treino durante a gravidez precisa obrigatoriamente de ser ajustado à mulher, à fase da gestação e às alterações que o corpo vai sofrendo ao longo do processo.
A gravidez não é uma fase para tentar provar que ainda se consegue fazer tudo igual, manter recordes pessoais ou continuar a treinar exatamente da mesma forma que antes. O objetivo deixa de ser performance e passa a ser saúde, segurança, funcionalidade e preparação do corpo para tudo o que a gravidez, o parto e o pós-parto exigem.
E adaptar não significa “parar” ou “fraquejar”. Significa treinar com a orientação profissional indicada.
Ao longo dos trimestres, o centro de gravidade altera-se, a estabilidade articular muda, a fadiga pode aumentar e o corpo começa naturalmente a pedir outros cuidados. É precisamente por isso que o acompanhamento profissional e um plano individualizado fazem tanta diferença nesta fase.
Mais do que nunca, é importante respeitar aquilo que a ciência atualmente recomenda e perceber que cada gravidez é única. O treino deve acompanhar essa evolução e nunca funcionar contra ela.
Muitas mulheres deixam de treinar por medo e param a prática de exercício físico / desporto por completo. Mas aqui está o twist que a maioria desconhece: não treinar pode ser mais prejudicial do que treinar.
A inatividade está associada a:
Ou seja, o corpo foi feito para se adaptar… não para parar.
No Fitness UP acreditamos que o treino deve acompanhar todas as fases da vida. E a gravidez não é exceção.
Mais do que continuar ativ@, o importante é fazê-lo com segurança, adaptação e acompanhamento adequado. Por isso, se estás grávida ou conheces alguém que esteja, procura sempre aconselhamento profissional antes de iniciar ou ajustar os treinos.
Nas nossas salas, os técnicos de exercício físico estão preparados para ajudar, orientar e esclarecer dúvidas, garantindo que cada treino respeita as necessidades, limitações e alterações próprias desta fase tão especial.
Porque no final… não estás apenas a cuidar de ti. Estás a construir força… para dois.