PLANO DE TREINO
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Já alguma vez estiveste a treinar, com o corpo todo suado e os músculos a queimar, quando, de repente, sentiste um prazer intenso? Algo que não consegues justificar? Não te preocupes! O coreorgasmo não tem nada de anormal e é mais comum do que possas imaginar.
Neste artigo, vamos descomplicar este conceito misterioso e partilhar contigo tudo o que a ciência tem para dizer a seu respeito. Vais descobrir algumas dicas para alcançares um orgasmo no treino e também como evitá-lo. Preparad@ para entrar na parte mais picante do treino?
O orgasmo pode ser definido como o auge da excitação sexual. Geralmente, resulta da estimulação sexual e envolve a libertação de oxitocina e de substâncias químicas que proporcionam uma sensação de bem-estar e relaxamento.
Num mundo cada vez mais stressante, o orgasmo, nomeadamente o coreorgasmo, serve como um antídoto natural que, além de melhorar a qualidade de sono, ajuda a que as pessoas se sintam mais relaxadas, mais felizes, menos propícias a episódios depressivos e a sentirem-se menos ansiosas. Isto acontece porque o orgasmo diminui os níveis de cortisol, promovendo a libertação de hormonas como oxitocina, serotonina e dopamina.
O orgasmo pode desempenhar um papel importante na prevenção do aparecimento de rugas prematuras. De que forma? Através do colagénio, presente no nosso corpo, que é responsável por manter a pele jovem. Contudo, ao longo da vida, a pele vai perdendo elasticidade e firmeza. Mas, alguns estudos indicam que, durante o orgasmo, o nosso corpo estimula a produção de colagénio – mantendo assim a elasticidade da pele.
O orgasmo pode mesmo salvar vidas. Segundo uma notícia de 2014, do Diário de Notícias, o orgasmo é bom para a saúde cardiovascular. O médico Ignacio Fernández-Lozano, vice-secretário da Sociedade Espanhola de Cardiologia, refere que “o melhoramento da circulação juntamente com a sensação de felicidade provocada pela secreção destas hormonas ajuda a manter uma melhor saúde cardiovascular”.
A descoberta do nosso corpo, através da dança, do orgasmo ou de outra forma de nos descobrirmos, ajuda a ter uma perceção de nós próprios e a construir uma relação mais íntima e saudável com o nosso corpo. Esta familiaridade e consciência tornam-nos mais orgulhos, mais leves e mais confiantes.
Além de melhorar o relaxamento e de intensificar a sensação de bem-estar, o orgasmo também apresenta benefícios no sistema imunitário. Como? O clímax está associado ao aumento da produção de anticorpos, conforme referido neste estudo, ajudando assim a combater infeções.
O conceito nasceu em 1953, através do famoso sexólogo Dr. Alfred Kinsey. No seu livro, intitulado “Sexual Behavior in the Human Female”, o Dr. Kinsey observou uma ligação entre o orgasmo feminino e o exercício físico.
Embora ainda existam dúvidas sobre o mecanismo que leva alguém a sentir um orgasmo no treino, investigações sugerem que o envolvimento dos músculos que estabilizam o tronco também pode contrair os músculos do pavimento pélvico, fundamentais na obtenção do orgasmo.
Por outras palavras, o coreorgasmo ocorre quando uma pessoa sente um orgasmo através de exercício físico, nomeadamente através de exercícios abdominais intensos ou exercícios para o tronco. É importante referir que podem ocorrer mesmo sem uma sensação de excitação ou estimulação física – são fisiológicos, e acontecem sem pensamentos ou fantasias sexuais prévias.
Segundo a Dra. Debra Herbenick, professora e autora do livro “The Coregasm Workout”, os orgasmos durante o treino são bastante comuns. De acordo com um estudo da Pesquisa Nacional de Saúde e Comportamento Sexual de 2013, cerca de 9% das pessoas Estados Unidos já experimentaram pelo menos uma vez.
A maior parte das investigações concentram-se nas mulheres, e para compreender a experiência dos homens são necessárias mais pesquisas. No entanto, os homens também podem sentir um orgasmo no treino; mas, segundo a Dra. Debra Herbenick, são considerados menos comuns nos homens.
Além disso, independentemente do género, assim como em qualquer tipo de orgasmo, os coreorgasmos podem ser mais fáceis de alcançar para algumas pessoas – por exemplo, pode ser mais suscetível para uma pessoa com um abdómen mais forte, uma vez que a força abdominal é um dos fatores essenciais.
É importante referir que não existem garantias que um treino de abdominal intenso vai terminar num orgasmo. Outros fatores como anatomia, movimentos, alinhamento e estado emocional de uma pessoa podem influenciar a capacidade de desencadear um orgasmo.
Como em qualquer tipo de orgasmo, a sensação e a intensidade podem variar de pessoa para pessoa. No entanto, há diferenças entre indivíduos com vulva e indivíduos com pénis.
Segundo evidências empíricas, a sensação do orgasmo para indivíduos com vulva assemelha-se ao clímax atingido através da penetração vaginal. Mas, ocorrem com menos intensidade e sem a sensação de pulsação no clitóris – geralmente começa na parte inferior do abdómen e depois espalha-se para a vagina e a parte inferior do corpo.
Nos indivíduos com pénis, o coreorgasmo pode ser semelhante a um orgasmo da próstata – que proporciona uma sensação mais intensa e prolongada que o orgasmo peniano.
Antes de mais, é importante clarificar que não existe nenhuma dica que garanta infalivelmente o coreorgasmo. Depende de vários fatores, de cada individuo, e até há pessoas que sentem por acidente. Embora não seja possível garantir um orgasmo no treino, a prática regular de exercícios que visam os músculos abdominais e pélvicos pode ajudar a alcançar este clímax.
Estares em sintonia com o próprio corpo, conhecendo-o intimamente, no sentido de compreenderes facilmente o que estás a sentir, pode ajudar – se estiveres a treinar e começares a sentir um prazer intenso, deves relaxar e permitir que aconteça sem interromperes o exercício.
Acredita-se que os treinos de alta intensidade ajudam a sentir um coreorgasmo mais rápido. No entanto, podes sempre optar por exercícios de baixo impacto e de curta duração, com foco no core e no pavimento pélvico.
Um estudo de 2018, refere que os exercícios de curta duração aumentam o fluxo de endorfinas, serotonina e outras substâncias químicas que desempenham papéis fundamentais na excitação. Além disso, também aumentam a atividade no sistema nervoso simpático – melhorando assim a excitação e as respostas a estímulos sexuais.
É importante concentrares os teus treinos no core e no pavimento pélvico, mas antes disso deves fazer 20 a 30 minutos de cardio – pode não induzir diretamente o orgasmo, mas vai ajudar a aumentar a excitação e o desejo sexual, uma vez que melhora o fluxo sanguíneo.
Como em tudo na vida, é preciso haver abertura à experiência para podermos vivê-la. Neste caso, é igual. Se sentes vergonha ou algum constrangimento em sentir este tipo de prazer, dificilmente conseguirás alcançá-lo ou acabarás por evitá-lo. Um dos caminhos para qualquer tipo de orgasmo é a vontade de o sentir sem repúdio.
Apesar dos orgasmos no treino estarem mais relacionados com exercícios abdominais, também é possível senti-los noutras exercícios. Segundo um estudo publicado em 2011, que analisou 370 mulheres, nos exercícios que mais induziram o orgasmo estavam os abdominais, as escaladas e o levantamento de peso. Além disso, neste estudo, as participantes descartaram que o orgasmo teve origem em pensamentos sexuais durante os exercícios.
Existem outras exercícios que podem ajudar, como pranchas ou flexões, mas é importante ressalvar que nenhum exercício garante que vais atingir o clímax. Há vários fatores que influenciam, tais como: condição física, respiração controlada, bem-estar emocional, consciência do próprio corpo, entre outros.
Nem toda a gente se sente confortável em sentir um orgasmo, sobretudo quando estão rodeadas de outras pessoas.
Além disso, podes sentir que é uma distração para o teu treino e para as tuas metas.
Também é verdade que pode aparecer sem aviso, mas podes sempre controlá-lo. Se sentires um orgasmo enquanto estás a treinar, muda de exercício, faz uma pausa para respirar e volta ao treino normalmente. Se sentes que és uma pessoa muito suscetível e tens medo de ser apanhad@ de surpresa, evita os exercícios que sabes que provocam e promovem esse prazer.
O mais importante de reter neste artigo é sabermos que tudo o que nos preenche individualmente tem origem no nosso corpo: emoções, sensações, prazeres.
E para nos sentirmos bem e conseguirmos alcançar a sensação de plenitude, seja através de um coreorgasmo, de uma alegria infinita ou da consciência do próprio corpo, é importante cuidarmos, ouvirmos e trabalharmos o nosso corpo.
É nesta linha de evolução individual que o Fitness UP ocupa um papel fundamental: oferecendo as melhores condições de treino a preços acessíveis, partilhando conteúdos que enriquecem cada um dos nossos leitores, e ajudando diariamente todos os atletas a encontrarem a sua melhor versão. E, quem sabe, a alcançarem uns quantos coreorgasmos.
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