PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Pilates para aqui, pilates para ali. Pilates de manhã ou à hora de almoço. Espera… Pilates ao fim do dia também.
Pilates com a melhor amiga, pilates em casal, pilates até num team building do trabalho. O novo pilates studio da rua, a mais recente boutique de pilates na cidade. E podíamos ficar aqui a enumerar para sempre.
Se há uns anos este método existia timidamente ou era visto como uma prática “só para velhotes”, hoje em dia o cenário não podia ser completamente o oposto. Aliás, nos dias de hoje é mais estranho alguém não praticar pilates ou nunca ter experimentado sequer (tipo, como assim?!).
Portanto, passou do quase anonimato a não passar despercebido a ninguém. É mais ou menos aquele miúdo da escola que toda a gente subestimava, mas que do nada fez uma extreme makeover e agora todos querem ser amigos dele, mesmo sem o conhecerem muito bem.
O que é certo é que o pilates já não é apenas um método de treino, faz parte de um lifestyle cosmopolita e contemporâneo e, digamos que, está na moda. No entanto, e tendências à parte, quem souber aproveitá-lo na plenitude, com certeza que vai surpreender-se com os resultados.
A vocês desse lado, quer nunca tenham ouvido falar (duvidamos!), quer sejam adeptos fervorosos da prática, vamos deixar-vos a par de algumas curiosidades, fazer-vos pensar sobre o lado bom, mas também o lado mau de algo que está nas bocas do mundo, e esmiuçar algumas coisas que possivelmente nunca relacionaram com o método. Tirem uns minutinhos, sentem-se confortavelmente e ativem o scroll down.
Story time!
Um pouco de história nunca fez mal a ninguém, certo? Então vamos lá.
O método Pilates, inicialmente conhecido como Contrologia, foi criado por um senhor alemão, cujo nome com toda a certeza não vos é estranho — Joseph Pilates. Sim, era mesmo o apelido dele.
Joseph Pilates era um rapaz debilitado, que sofria de algumas doenças. A dada altura da sua vida pensou quão importante seria fazer algo para começar a sentir-se melhor e enfrentar a sua condição. Vai daí, e depois de dedicar-se a várias áreas de estudo como a anatomia, o yoga, artes marciais e ginástica, decidiu começar a desenhar e programar alguns exercícios.
Precisamente durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto estava internado em Inglaterra, começou a testá-los nos colegas também internados, para os ajudar na sua recuperação e a manterem-se saudáveis.
Uns tempos depois mudou-se para Nova Iorque, e foi lá que abriu o seu primeiro estúdio, com a mulher, Clara, que era enfermeira.
Clara não foi apenas uma parceira de vida e negócios, na verdade ela teve também um papel fundamental no desenvolvimento do método.
Diz-se que Joe, como era conhecido, tinha uma forma de ensinar mais rigorosa e às vezes até meio “abrutalhada” (os registos fotográficos da época não enganam…), e Clara foi, no fundo, a peça chave para acrescentar mais suavidade e fluidez ao método.
Ora no inicio, como dissemos antes, o pilates era usado essencialmente para reabilitação. Tornou-se até popular no mundo da dança, pois ajudava os dançarinos e coreógrafos a recuperar de lesões. E durante anos foi tendo esta conotação.
Atualmente, o pilates é uma forma de praticar exercício físico com intensidade e foco muscular, e ao mesmo tempo pouco impacto, logo, melhor para as articulações.
Portanto, quais são então os reais benefícios da prática?
Este tinha de ser o primeiro a ser referido. E porquê? Porque um dos princípios do método assenta no trabalho sobre o alinhamento do corpo.
Para pessoas que passam muitas horas nas mesmas posições, por exemplo, quem trabalha muito tempo de pé ou sentado, treinar o alinhamento e, consequentemente, a postura, é fundamental.
À primeira vista, e para quem nunca praticou, parece impossível. Só que não! O pilates realmente ajuda na construção e fortalecimento da musculatura de todo o corpo, mas principalmente do core, pois trabalha constantemente a ativação profunda desta zona.
Se começarem a sentir maior estabilidade e a ver os abs muito mais definidos depois de algum tempo de prática, não é ilusão, podemos garantir.
Estas duas, que com o passar dos anos podem começar a ficar comprometidas, nem que seja porque “sem querer” nos tornamos mais sedentários, têm também o seu papel no pilates.
O facto da maioria dos exercícios combinar força, com alongamento e também movimento nos vários planos, ajuda o nosso corpo a tornar-se mais ágil e a movimentar-se sem esforço.
A consciência corporal que se ganha é claramente uma das consequências positivas que vai acontecendo com a consistência da prática.
E quando temos noção do nosso corpo, de como podemos controlar o movimento, tudo o resto melhora. O equilíbrio deixa de ser um problema, e a coordenação então, nem se fala.
Apesar de já não ser visto como o ponto principal, continua a ser um dos benefícios. E que ótimo benefício!
Usado por muitas pessoas que têm o corpo como principal meio de trabalho, como atletas ou bailarinos, mas também pela pessoa mais comum. O pilates continua a ser um grande buddie no que respeita à recuperação e prevenção de lesões.
Tão simples como, quando nos lesionamos é importante não pararmos de nos mexermos (claro que na fase aguda, no way!), e o facto deste método possibilitar o movimento de uma forma mais gentil e adaptável, acaba por ser das melhores escolhas para quem passa por fases fisicamente mais desafiantes.
Para terminar, um 2 em 1, portanto dois dos princípios do método: concentração e respiração.
O pilates pede que nos concentremos no momento, que nos foquemos nos exercícios e na forma como os fazemos. Mas não só! Também requisita o trabalho e coordenação da nossa respiração com o que estamos a fazer.
É aqui que a magia acontece. No fundo, a mente desfoca-se dos problemas do exterior ao focar-se naqueles objetivos, e assim, o corpo relaxa e deixa-se levar.
É apetecível ou não? Nós não temos duvidas.
“Não faço pilates porque é sempre o mesmo e torna-se aborrecido”
Não sabemos que tipo de pilates já experimentaram, mas podemos garantir que não são todos iguais. E é aqui que entramos na esfera do pilates clássico vs pilates contemporâneo.
Existe uma espécie de rivalidade, como em qualquer modalidade desportiva. A questão é, será que vale mesmo a pena alimentá-la? Será que ambas as abordagens não podem coexistir? Nós dizemos: claro que sim.
No pilates clássico o método foca-se num repertório de exercícios, que devem ser seguidos religiosamente e repetidos vezes sem conta, até que o nível de “quase perfeição” seja atingido. Claro que com o objetivo de melhorar o corpo, seguindo os princípios do método.
Já o pilates contemporâneo, apesar de se reger também pelos princípios e ter um repertório que se repete, acaba por ser mais espontâneo. Abre mais espaço para explorar várias formas de movimento, partindo da base.
“Ah mas isso não é pilates”, dizem os policias do pilates de plantão.
Claro que é pilates. É apenas uma forma diferente de olhar para a mesma coisa.
Por isso, depende de cada um e daquilo que procuram. Se querem algo mais metódico ou algo mais fluido e adaptável.
E se há quem ainda não lhe tenha tomado o gosto, há também quem já não viva sem.
O pilates tornou-se popular nas redes sociais, pela partilha de conteúdos educativos (não todos, como em tudo), de memes engraçados e de reels com sequências de exercícios inspiradoras.
É óbvio que não ia passar despercebido e, por isso, muita gente ficou curiosa e decidiu procurar e começar a explorar a modalidade. Escusado será dizer que muitos ficaram viciados…
Agora uma dica que devem ter em conta se querem começar realmente a descobrir a prática — procurem instrutores e formas de ensinar com as quais se identifiquem. É meio caminho andado para se tornarem praticantes assíduos.
Tal como noutras áreas, as redes sociais expõem as duas faces da moeda.
Se por um lado partilham conteúdo que inspira e entusiasma, por outro também partilham muita coisa que dá a ideia de que o pilates se tornou um statement, ao qual só algumas pessoas podem ter acesso.
As selfies no espelho com o outfit a condizer, os vídeos a fazer alguns dos exercícios mais avançados no Reformer (como se fossem a coisa mais simples do mundo) e, claro, a ideia e a vibe que passam do que deve ser o Pilates Body.
Se alguém que não se identifica com esta estética só vir este tipo de conteúdos, claro que o pilates não vai ser uma opção para ela.
Toda esta estratégia de marketing, que é tudo menos positiva, está a transformar a forma como se olha para o método.
Faz o pilates parecer algo elitista, exclusivo e que não está disponível para todos os corpos. E é totalmente o contrário.
Agora, sabemos que isto não vai deixar de existir, quanto muito pode acalmar, quando houver outra modalidade qualquer em altas; por isso, cabe-nos a nós termos a capacidade de separar o trigo do joio.
Para todos os corpos, todas as idades e todos os géneros. Para quem nunca experimentou ou para quem já o faz com uma perna às costas (quase literalmente). Para reabilitação ou para melhoria da condição física. Toda a gente pode praticar pilates.
E não! N-ã-o h-á u-m c-o-r-p-o d-e p-i-l-a-t-e-s! Aponta isto em letras garrafais.
Todas as pessoas podem fazê-lo. Se houver algumas limitações, devem-se, só e apenas, a questões musculoesqueléticas, que claramente pode ser melhoradas com o método.
Em suma, se o pilates era um método inicialmente muito associado a pessoas idosas, com lesões e a grávidas, hoje em dia essa versão está completamente desatualizada.
Por isso, se nunca praticaste mas tens essa curiosidade, seja pelo pilates de equipamentos ou de solo, agora já sabes ao que vais. Se já és assídu@ na prática, então apenas continua a dar o teu melhor e garantimos que quando tiveres 70 anos, não vais sentir que os tens.