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Verão que é verão em Portugal tem sempre melancia a acompanhar. Quando esta fruta colorida começa a surgir em destaque nos supermercados, as redes sociais também se inundam com promessas e receitas milagrosas como "come melancia para emagrecer rápido" ou "a dieta da melancia faz milagres em três dias". De repente, este fruto passa de um simples e refrescante snack a uma espécie de remédio santo ou solução mágica para quem procura perder peso de forma acelerada antes de vestir o biquíni.
Para compreendermos a razão pela qual a melancia foi coroada como a rainha das dietas de perda de peso, precisamos de saber mais sobre ela.
Esta fruta destaca-se de quase todas as outras opções do pomar por um motivo muito simples: a sua polpa é composta por cerca de 90% a 92% de água pura. Esta impressionante percentagem de fluidos faz com que a melancia seja um dos alimentos mais hidratantes e refrescantes disponíveis na natureza, preenchendo um volume físico considerável no estômago sem trazer consigo uma densidade energética elevada.
Além disso, a melancia apresenta um perfil calórico extremamente reduzido, fornecendo apenas cerca de 30 calorias por cada 100 gramas de fruta consumida. Quando associamos esta leveza calórica ao seu sabor intensamente doce e à textura refrescante que corta imediatamente o desejo por petiscos menos saudáveis, torna-se perfeitamente óbvio o motivo pelo qual tantas pessoas a associam de forma automática ao emagrecimento. No entanto, não tem propriedades mágicas capazes de derreter a gordura do teu corpo por si só.
É fundamental desmistificar, de uma vez por todas, o maior mito que assombra o universo do fitness e da nutrição comportamental: não existem alimentos, sumos, chás ou suplementos capazes de queimar gordura de forma isolada e independente. O emagrecimento humano ocorre exclusivamente quando o corpo se encontra num estado de défice calórico sustentado ao longo do tempo.
O défice calórico verifica-se quando a energia total que gastas através do teu metabolismo, das atividades diárias e do exercício físico planeado é superior à energia que ingeres através dos alimentos. O sucesso deste processo nunca dependerá de um único ingrediente isolado, mas sim de todos os teus hábitos quotidianos.
Se a melancia não tem propriedades queima-gordura, como se explica que tantas pessoas jurem ter perdido peso após aumentarem o seu consumo? A explicação não reside em nenhum segredo bioquímico oculto, mas sim em três grandes alterações comportamentais e mecânicas que ocorrem na rotina alimentar de quem a consome de forma estratégica:
Reduzir a melancia a água com açúcar de fruta é um erro que ignora a riqueza de micronutrientes e compostos bioativos que esta fruta carrega na sua polpa vermelha. Para além das quantidades simpáticas de Vitamina C (essencial para o sistema imunitário e produção de colagénio), Vitamina A e Potássio (fundamental para o equilíbrio eletrolítico e contração muscular), a melancia destaca-se devido a dois componentes principais:
Muitas pessoas que procuram emagrecer ou que praticam musculação evitam a melancia porque leram algures na internet que esta fruta tem um Índice Glicémico (IG) elevado, situado habitualmente em redor de 72. O Índice Glicémico mede a velocidade com que os hidratos de carbono de um alimento entram na corrente sanguínea sob a forma de glicose. Um valor de 72 é, de facto, considerado alto, o que levou à propagação do mito injusto de que a melancia provoca picos massivos de insulina e que, por isso, deveria ser proibida em dietas de definição muscular.
No entanto, enquanto o IG avalia apenas a velocidade de absorção de um tipo de hidrato de carbono teórico, a Carga Glicémica avalia a quantidade real de hidratos de carbono que uma porção típica de alimento contém. Como a melancia é maioritariamente água, precisarias de comer uma quantidade astronómica de fruta para obter uma quantidade significativa de açúcares. Na verdade, uma fatia normal de 120 gramas de melancia apresenta uma Carga Glicémica extremamente baixa, avaliada em cerca de 5. Isto significa que o impacto real da melancia na tua glicémia e na libertação de insulina é praticamente insignificante, deitando por terra o argumento de que a fruta engorda devido ao seu açúcar natural (frutose).
A "Dieta da Melancia" propõe que o indivíduo se alimente de forma quase exclusiva de melancia durante três, cinco ou sete dias consecutivos, prometendo uma perda de peso drástica na balança. Embora seja verdade que o peso desce rapidamente devido ao défice calórico extremo criado por uma alimentação tão restrita, esta estratégia está longe de ser saudável ou inteligente por vários motivos biológicos:
Para retirares o máximo partido da melancia sem comprometeres a tua saciedade nem a tua massa muscular, o segredo reside na forma como a combinas com outros macronutrientes. Aqui tens quatro formas inteligentes e deliciosas para as tuas refeições de verão:
No final do dia, a obsessão em encontrar um alimento milagroso para o emagrecimento apenas serve para desviar a tua atenção daquilo que realmente importa na construção de um corpo saudável. A melancia não faz milagres, não queima gordura acumulada enquanto estás deitado na toalha de praia e não vai compensar uma rotina sedentária ou um fim de semana de excessos sistemáticos. No entanto, ela também não merece a fama injusta de ser perigosa para a dieta devido ao seu sabor doce ou ao seu índice glicémico.
Integrada de forma inteligente numa alimentação variada e acompanhada por uma rotina consistente de exercício físico no teu ginásio Fitness UP, a melancia é uma ferramenta excecional para controlo do apetite, hidratação e prazer gastronómico. Neste verão, desfruta da tua melancia porque sabes que ela é deliciosa, rica em antioxidantes e incrivelmente refrescante, e não porque acreditas num mito da internet.