PLANO DE TREINO
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Tal como acontece na moda, no fitness também existem tendências que aparecem, crescem, explodem… e às vezes desaparecem tão rápido quanto surgiram.
Mas há outras que ficam, que mudam comportamentos. Que alteram a forma como vemos o treino, o corpo e até a nossa própria rotina.
Nestes primeiros meses do ano, temos estado atentos ao que se passa: redes sociais, estudos, novas abordagens e, claro, às escolhas reais de quem treina.
Aqui ficam algumas das tendências que prometem marcar o ano.
Provavelmente já ouviste falar. E se ainda não ouviste… prepara-te, porque está em todo o lado.
A “hot girl walk” nasceu no TikTok, durante um período em que muita gente procurava simplesmente… sentir-se melhor.
Tudo começou com uma influenciadora que, em pleno período de isolamento durante o COVID-19, procurava uma forma de lidar com o stress, a ansiedade e a falta de rotina.
Correr não era opção. Treinos intensos também não… Mas ela queria mexer-se.
E foi aí que descobriu algo que já se alinhava mais com os seus gostos: caminhar. Depois de decidir que o caminho era por aí, realizou a sua pesquisar para perceber se efetivamente existiam benefícios com essa prática e acabou por corroborar a sua decisão.
Na sua pesquisa, viu levantar-se um problema com esta simples escolha, apontado por muitas pessoas nos fóruns em que lia. Muitos caminheiros não sabiam lidar com o tempo longo da caminhada já que ficavam sós com os próprios pensamentos… E a verdade é que muita gente evita exatamente isso.
Então a criadora de conteúdos decidiu transformar essa experiência: criou uma espécie de “guia mental” para as suas caminhadas, baseado em três pilares:
O resultado? Um boost inesperado de energia, motivação e bem-estar. Segundo a própria, dá-se uma combinação de dopamina e endorfinas que a fazia sentir… melhor, mais leve e confiante.
E assim nasceram as suas “hot girl walks”.
Apesar do nome, esta tendência está longe de ser superficial. Na prática, a “hot girl walk” é muito mais do que dar passos.
É uma pausa consciente no meio do caos, uma escapatória da rotina ou até um momento só teu, num dia cheio de ruído.
É aquele espaço raro onde:
Estás apenas… presente.
O que torna esta trend tão forte é exatamente esta combinação: Movimento físico + clareza mental.
É quase como uma terapia em movimento e talvez seja por isso que tanta gente se identifica. Porque no meio de treinos intensos, rotinas exigentes e vidas aceleradas… isto acaba por saber a equilíbrio.
Em 2022, as leggings representavam cerca de 50% das vendas das marcas de roupa desportiva. No entanto, em 2025, esse número desceu para 39%, o que corresponde a uma queda de 11%, segundo a Edit.
Até no mundo da moda já se nota esta mudança. Revistas como a Vogue apontam para uma quebra no interesse pelas leggings, com muitas mulheres a optarem por alternativas como calças flare, peças com inspiração vintage ou até calções.
E a verdade é que esta mudança faz sentido quando olhamos para o dia a dia real. As leggings, apesar de práticas, são muito justas e acabam por evidenciar bastante as curvas do corpo, o que nem sempre é confortável para toda a gente.
Cada vez mais, a escolha recai sobre peças que ofereçam liberdade de movimento, conforto e alguma versatilidade. Seja para treinar, trabalhar ou simplesmente viver o dia sem preocupações. Afinal, sentir-te bem naquilo que vestes também faz parte do teu bem-estar.
A proteína tem sido, sem margem de dúvida, a estrela nestes últimos anos. Um estudo da Cargill (2025) confirma: a procura por proteína, motivada por razões de saúde, tem vindo a crescer de forma consistente. Mais ainda, 61% dos consumidores afirmam ter aumentado a ingestão de proteína desde 2019, o que representa um crescimento significativo de 48%.
Porém, alguns nutricionistas ficam preocupados por podermos estar a negligenciar outros macronutrientes e/ ou carboidratos essenciais… Enquanto a proteína sobe ao palco, há outro nutriente essencial que está a ser deixado nos bastidores: a fibra.
E aqui é que a história começa a ficar preocupante. Usando como exemplo o Reino Unido, é estimado que cerca de 96% da população não consuma a quantidade diária recomendada de fibra.
Ouvimos esta previsão pela primeira vez no podcast Mamamia Out Loud e, desde então, começámos a vê-la ganhar força um pouco por todo o lado. Basta abrir o TikTok para perceber: vários profissionais de Pilates, muitos deles com grande influência, estão a integrar (ou até a migrar totalmente para) o treino de força.
Parece não ser só perceção. Há dados que sustentam esta mudança.
Relatórios da Strava mostram que a Geração Z está cada vez mais presente na sala de musculação. Aliás, têm o dobro da probabilidade, comparando com a Geração X, de considerar o treino de força como o seu principal “desporto”. E há mais: 61% mais jovens da Gen Z afirmam treinar com pesos por motivos estéticos.
Do lado feminino, a tendência também é clara. Em 2025, as mulheres tinham mais 21% de probabilidade de registar treinos de musculação na app.
Ou seja… algo está claramente a mudar.
Para muitas pessoas, o Pilates foi (e continua a ser) o primeiro contacto com o mundo do fitness.
E faz todo o sentido: ambientes mais tranquilos, aulas guiadas, grupos pequenos, foco na técnica e uma energia menos intimidante tornam esta modalidade extremamente apelativa, especialmente para iniciantes. É um espaço seguro para começar, ganhar consciência corporal e criar consistência.
Mas… há um ponto interessante aqui.
Claramete, o Pilates pode trazer-te qualidade de vida, porém à medida que as pessoas vão evoluindo, começam também a procurar mais resultados. Começam a ler, a informar-se, a perceber melhor como o corpo funciona e o que realmente gera mudanças físicas.
E é muitas vezes aí que entra o treino de força.
Hoje em dia, o termo “Pilates body” tornou-se quase um objetivo estético.
Refere-se, normalmente, a um corpo mais “alongado”, tonificado e com um aspeto ligeiramente definido. E isso leva muita gente a acreditar que o Pilates é a melhor (ou única) forma de atingir esse resultado.
Mas vamos ser diretos contigo… O Pilates tem inúmeros benefícios: melhora a postura, a mobilidade, a estabilidade do core e a consciência corporal. No entanto, quando falamos de alterações mais visíveis na composição corporal, como ganho de massa muscular e perda de gordura, não é a ferramenta mais eficiente.
Porquê?
Porque para estimular crescimento muscular de forma significativa, é necessário:
E aqui, o treino de força leva vantagem.
Além disso, construir um corpo mais musculado não é um processo rápido. Exige tempo, consistência e estratégia. Não existe “atalho elegante” ou método milagroso.
Importa deixar algo claro: isto não é uma guerra entre Pilates e treino de força… Não é “um ou outro”.
Na verdade, são complementares.
O Pilates pode melhorar a tua base no que toca a controlo, estabilidade e mobilidade. O treino de força pode desenvolver a tua estrutura, músculo, força e densidade óssea.
Juntos? Tens um combo extremamente poderoso.
O problema começa quando se vende uma ideia incompleta… ou quando se escolhe uma modalidade apenas porque está “na moda”.
As tendências têm o seu lado positivo: motivam, criam curiosidade, fazem mais pessoas mexerem-se… Mas também têm um lado perigoso.
Fazem-nos, muitas vezes, correr atrás de objetivos que nem sequer são nossos. Hoje é o Pilates. Amanhã é o treino de força. Depois é o HYROX, o CrossFit, a corrida, o yoga…
E no meio disto tudo, esquecemo-nos de uma coisa essencial: o que é que TU precisas?
Cada corpo responde de forma diferente. Cada pessoa tem objetivos, histórico e preferências distintas.
Por isso, antes de seguires uma tendência, faz uma pausa e pergunta:
No final do dia, não é o treino mais “trendy” que traz resultados. É o treino que consegues repetir.
Claro que querer sentir-te bem com o teu corpo é legítimo. Mas talvez esteja na altura de mudar o foco.
No Fitness Up defendemos que deves ter menos obsessão com o “corpo perfeito” e sim mais atenção a um corpo capaz.
Capaz de:
Porque isso… isso sim é tendência que nunca sai de moda.