PLANO DE TREINO
A CARREGAR...
Quantas vezes ouviste “não podes treinar até melhorares”, “tem cuidado, o ginásio não é para toda a gente” ou “trabalho de força e pesos? isso pode ser perigoso”?
Durante anos, fomos levados a crer que o exercício devia ser deixado de lado quando havia doença, dor ou fragilidade. Mas hoje a ciência mostra exatamente o contrário: não há praticamente nenhuma condição de saúde em que o treino de força seja contra-indicado ou desaconselhado, quando bem prescrito e acompanhado.
Na Tribo UP acreditamos que o exercício é uma ferramenta terapêutica poderosa, capaz de restaurar qualidade de vida, reduzir medicação e devolver independência. E o mais importante? Fazer exercício é mais seguro do que não fazer exercício, em qualquer cenário.
Durante décadas, o modelo tradicional de saúde encarava o exercício como algo “complementar”, opcional, quase recreativo. Quem tinha uma doença cardíaca, artrose ou um problema oncológico era aconselhado a “descansar” e a “ter cuidado”.
Mas esse paradigma (felizmente) está a mudar. E rápido.
Hoje, centenas de estudos mostram que o exercício físico é uma intervenção clínica com efeitos terapêuticos reais e mensuráveis.
Na verdade, é das intervenções mais estudadas e menos prescritas da medicina interna.
E isso é particularmente evidente na oncologia, onde se gastam décadas e milhões a testar fármacos que prolongam a vida em semanas, enquanto o exercício pode prolongá-la em anos.
“Exercise may not be pleasant; chemotherapy is not pleasant. But one of them improves life and the other, just try to prolong it.”
É fácil pensar que “treinar é arriscado”. Mas é preciso comparar com a alternativa: não treinar.
O sedentarismo é hoje reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um dos principais fatores de risco de mortalidade precoce.
Segundo o World Health Organization Global Status Report on Physical Activity (2022), mais de 25% dos adultos não atingem os níveis mínimos de atividade física recomendados e isso está diretamente ligado a doenças cardíacas, diabetes tipo 2, depressão e até alguns tipos de cancro.
O que retiramos daqui? Que não te mexeres é o verdadeiro risco.
E quanto mais deixas o corpo “parar”, mais difícil é recomeçar.
A perda de massa muscular (sarcopenia) começa por volta dos 30 anos, e acelera se não for travada. Grande parte da população pode concordar que “ir ao ginásio custa”, é verdade, mas o que custa mesmo é perder autonomia, independência, força e mobilidade.
Não sair da cama por preguiça hoje pode transformar-se em não sair da cama porque não consegues, amanhã. Não por vontade, mas por incapacidade.
Vamos direto ao ponto: Não existe nenhuma condição de saúde onde o exercício seja automaticamente proibido. Existem, sim, momentos específicos em que é preciso ajustar, monitorizar, adaptar e prescrever de forma segura.
Mesmo em doenças graves, como insuficiência cardíaca, cancro ou artrite, a evidência científica apoia a prática de exercício estruturado.
O segredo está na prescrição certa. O treino de força não é só levantar pesos: é fortalecer músculos, ossos, articulações e até o sistema imunitário.
Quando o corpo ganha força, melhora a capacidade de lidar com o stress fisiológico, sejam tratamentos médicos, cirurgias ou o simples envelhecimento.
O exercício, portanto, não é um luxo, é uma forma de tratamento.
Durante anos, a “receita” era quase sempre a mesma: “Hidroginástica e Pilates.” (já ouviste isto antes, certo?). E claro, nada contra essas modalidades. São ótimas opções.
Mas o problema é que eram prescrições genéricas, repetidas como um copy-paste sem atender à realidade de cada pessoa.
Hoje, o paradigma está a mudar.
Já não falamos só de “exercício leve”, mas sim de treino de força estruturado, orientado, progressivo e adaptado.
Os médicos estão cada vez mais a encaminhar os seus utentes para profissionais de exercício físico, reconhecendo que só um técnico qualificado pode ajustar o treino ao histórico, quadro clínico, disponibilidade e objetivos de cada indivíduo.
A ideia não é fazer tudo de uma vez… É fazer de forma correta, com acompanhamento e propósito.
O treino de força tem mecanismos fisiológicos cada vez mais bem compreendidos:
Em doentes oncológicos, por exemplo, o exercício:
Na diabetes, melhora a sensibilidade à insulina e reduz a necessidade de medicação.
Nas doenças cardiovasculares, melhora a pressão arterial e o perfil lipídico.
Na depressão, atua como antidepressivo natural, aumentando a dopamina e serotonina.
O exercício é, literalmente, um medicamento com múltiplos benefícios e sem efeitos colaterais negativos. Quando bem aplicado, claro.
Vivemos na era dos atalhos. Queremos resultados rápidos, confortáveis e, de preferência, sem esforço. É por isso que o mercado das “soluções mágicas”, desde comprimidos detox até suplementos milagrosos, continua a crescer.
Mas o corpo humano não se engana: Nenhum comprimido substitui o movimento.
Quando dizem que “exercitar custa”, está certo. Mas há verdades que precisamos de encarar:
Entre o “cansaço do treino” e o “cansaço da doença”, escolhe o primeiro, porque esse cura. Esse dá-te outra hipótese na chance de uma vida com qualidade. Esse resulta... E fica bem mais barato.
Aqui entra a importância do acompanhamento técnico. Não se trata de “fazer exercício por fazer”, mas de treinar com critério, segurança e propósito.
E, a partir daí, desenha um plano personalizado. Baseado nas características individuais e únicas da pessoa avaliada.
Este acompanhamento é o que transforma o medo em confiança, e o risco em progresso. O exercício não é incompatível com a doença, mas sim parte integrante da recuperação.
Ou seja: o exercício não é apenas seguro, é vital. Deveria fazer parte da lista das tarefas da nossa rotina diária, como lavar os dentes.
Estamos a entrar numa nova era onde o ginásio e a medicina caminham lado a lado ("finalmente!" diz toda a malta da área do exercício físico). O médico diagnostica, o técnico do exercício prescreve movimento.
Cada vez mais vemos hospitais e centros de saúde com programas de exercício clínico supervisionado, adaptados a doenças cardíacas, metabólicas e oncológicas. O Hospital da Luz, por exemplo, já tem um programa bastante interessante nesse sentido, acompanhado por equipa clínica multidisciplinar, que inclui:
E é assim que deve ser: o exercício passa de “atividade de lazer” para terapia com base científica.
Não é um complemento, é parte do tratamento. Memoriza esta frase.
O treino de força não é apenas sobre estética, sobre um corpo mais tonificado ou abdominais mais definidos. É sobre funcionalidade, autonomia e longevidade. Na verdade, não há nenhuma condição de saúde que invalide o movimento, desde que ele seja individualizado, seguro e acompanhado.
Hoje, a medicina já reconhece que a prática de exercício vai além da prevenção… É também tratamento, manutenção...
É o que devolve vitalidade, reduz aos comprimidos que teimam em encher a caixa semanal da medicação e dá às pessoas o controlo sobre o seu próprio corpo.
Na Tribo UP, acreditamos nisto profundamente:
E lembra-te: o exercício pode custar, sim, mas o sedentarismo (a longo prazo) custa muito mais. O corpo foi feito para se mover. E o movimento, quando bem guiado, cura.