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Há muitas pessoas com obesidade quem hesitam procurar ajuda médica. Sobretudo, por causa da estigmatização que muitas vezes pesa mais do que a própria balança. O Dia Mundial da Obesidade, celebrado a 4 de março, procura consciencializar a população para esta doença, através da educação e compreensão das suas causas multifatoriais.
Neste artigo, vamos explicar as causas complexas que estão por trás da obesidade, reforçar a importância de combater o estigma e desvendar algumas dicas ajudar a combater esta doença – sempre com acompanhamento médico.
O SNS define a obesidade como: “uma doença crónica caracterizada pelo excesso de gordura acumulada no organismo”, representado um problema de saúde pública e um fator de risco e agravamento de outras doenças crónicas.
Se não for tratada, além de ser um risco para a saúde, pode desenvolver outras doenças:
O Dia Mundial da Obesidade procura reforçar a importância de combater o estigma, sobretudo através da compreensão das causas multifatoriais da doença.
A obesidade não pode simplesmente ser associada a falta de vontade: muitas vezes, é o corpo a reagir aos seus genes, ao mundo e aos seus vícios. Por isso, é fundamental compreendermos as suas causas, em vez de simplesmente apontarmos o dedo.
A ciência já concluiu que a obesidade pode ser hereditária e que existem pessoas com mais predisposição genética para ter excesso de peso. Este estudo, por exemplo, referiu que a herdabilidade da obesidade está entre 40% e 70%.
Por outras palavras, os genes carregam a arma da obesidade. Cabe-nos a nós, contudo, não deixar que seja o nosso ambiente a premir o gatilho. Ou seja, embora a obesidade possa ser genética, é importante arranjar estratégias no dia a dia para curar a doença.
Atualmente, existe conforto para tudo. Se queremos almoçar, mas não queremos cozinhar, basta ligarmos uma app, fazemos o pedido da encomenda e entregam-nos à porta. Normalmente, as opções não são muito saudáveis.
Também podemos trabalhar por casa e ficamos sentados quase 8 horas. Só levantamos o rabo da cadeira para ir à casa de banho e comer alguma coisa. E como não temos muito tempo, comemos algo que seja rápido: umas bolachas de chocolate…
Passear com os amigos? Preferimos fazer scroll no Instagram… E andar a pé? Para quê? Se temos um carro que chega mais rápido… O sedentarismo aliado às más escolhas alimentares facilita o excesso de peso e o surgimento de outras doenças crónicas.
É um dos temas centrais da atualidade e do Dia Mundial da Obesidade. Porque quando não estamos bem mentalmente, o corpo é que sofre. Por exemplo, muitas vezes, comemos porcarias porque estamos tristes, sozinhos e ansiosos.
Todos sabemos que viver em 2026 não é fácil – não conseguimos pagar renda ou comprar uma casa, dormimos mal, o trabalho é precário, comparamo-nos constantemente com os outros por causa das redes sociais, que também agravam o problema da obesidade, e estamos cada vez mais isolados com a inteligência artificial.
Este desgaste emocional deixa-nos exaustos, sem vontade de treinar e com vontade de vingar as emoções na comida: chocolates, gomas, hambúrgueres, fast food…
As dificuldades económicas são uma barreira para a saúde. Os alimentos que compramos têm de ser os mais baratos; muitas vezes, os menos saudáveis.
Também existe alguma limitação de alimentos em algumas regiões. Assim, a falta de variedade e as dificuldades económicas representam uma das causas da obesidade.
Algumas doenças, como hipertireoidismo, e certos medicamentos e tratamentos podem contribuir para o ganho de peso. Por exemplo, corticoides e antipsicóticos.
Temos de arrancar da cabeça a ideia de que quem tem excesso de peso não tem caráter, é preguiçoso(a), não quer saber da sua vida ou não tem ambição. A obesidade não é um pecado, é um problema de saúde que precisa de apoio clínico e psicológico.
Em Portugal, por exemplo, estima-se que 1 em cada 7 portugueses com obesidade não acha que está doente. Sabes porquê? Porque continua a ser estigmatizada.
O Dia Mundial da Saúde também procura consciencializar sobre a importância de sermos seguidos por profissionais de saúde. Qualquer tratamento sem aconselhamento médico, mesmo que sejam comprimidos aprovados pela comunidade científica, podem comprometer a tua saúde.
A balança até pode dizer que estás a perder peso. Contudo, pode ser enganadora. Muitas vezes, estás a perder músculo e não gordura. Ou seja, sem músculo, o teu corpo gasta menos energia e tende a recuperar o peso num instante – o efeito ioiô.
Segundo um estudo da revista médica BMJ, se parares de tomar medicamentos para a obesidade sem mudares os teus hábitos, voltas a ganhar peso quatro vezes mais rápido. Por isso, é fundamental manter um estilo de vida saudável.
As dietas milagrosas são muitas vezes extremistas. Se perderes peso, mas faltarem vitaminas e minerais essenciais no teu corpo, também não vais estar saudável. É importante manter uma dieta balanceada.
A obsessão por emagrecer rápido, cria ansiedade e frustração. Além disso, gera uma bola de neve: ingestão de mais comida não-saudável como recompensa para a tristeza de não conseguires atingir as metas irrealistas que definiste.
Combater a obesidade não depende apenas de ti, uma vez que que existe uma forte resistência biológica – alterações no metabolismo, aumento de apetite e falta de saciedade.
Se é verdade que a genética até pode não estar do teu lado, também é verdade que a tua gestão emocional pode fazer toda a diferença.
Treina quantas vezes forem precisas. Levantar pesos vai ajudar-te a construir músculo, essencial para controlar o açúcar no sangue e queimar energia.
Seja uma caminhada de manhã, um treino ligeiro ou um treino no ginásio, é importante que faças exercício físico. E mais importante: foca-te no teu progresso, define metas realistas e não te compares com os outros. Aos poucos, vais chegar lá!
Uma alimentação balanceada, de preferência aconselhada por um nutricionista, é fundamental para perder peso sem comprometer a saúde. Evita comidas cheias de açúcar e com alto teor de gordura.
No Dia Mundial da Obesidade, devemos olhar também para o que acontece na internet e de que forma pode afetar os nossos objetivos.
Não acredites em tudo o que vês e, acima de tudo, não te compares com os outros. Em primeiro lugar, não existem corpos perfeitos. Muitas vezes, estão cheios de filtros. Em segundo lugar, deves concentrar-te apenas no teu progresso.
O sono é fundamental para queimar gordura e recuperar a mente. Descansa pelo menos 7 horas e desliga-te do ruído das redes sociais. Lê um livro, por exemplo, e descontrai.
Nada do que referimos acima resulta sem acompanhamento clínico. As pessoas com excesso de peso devem ser acompanhadas por um médico, com medicação indicada, plano alimentar e plano de treino, ajuda psicológica, etc…
Segundo a CNN Portugal, já existe um comprimido (Wegovy) que promete acabar com 16,6% do peso. O que será uma revolução no tratamento da obesidade – um comprimido tomado todos os dias pode passar a ter o mesmo efeito que uma injeção semanal.
O comprimido já está a ser comercializado nos EUA, mas ainda não chegou às farmácias portuguesas – o processo de introdução no mercado nacional depende da aprovação europeia e das negociações de preço e comparticipação com o INFARMED.
No Dia Mundial da Obesidade, devemos estar conscientes que a obesidade é um problema complexo no mundo onde vivemos, e que pode aparecer em cada um de nós por motivos diferentes.
Combater o estigma é o ponto de partida para termos mais saúde. Contudo, também é importante que comecemos a cuidar de nós, independentemente da nossa situação: com cuidados de saúde adequados, exercício físico, e alimentação equilibrada.
É preciso olhar para obesidade com mais ciência e menos julgamento, com mais empatia e menos discriminação, esquecendo a ideia antiga de que para combater a obesidade só precisamos de fechar a boca e treinar – a obesidade é uma doença e deve ser curada.