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Lifestyle
06/08/2026

Setembro Parece Uma Segunda Passagem de Ano? A Psicologia Por Trás dos Recomeços

Imagem - Setembro Parece Uma Segunda Passagem de Ano? A Psicologia Por Trás dos Recomeços

Há qualquer coisa em setembro que nos faz sentir que estamos perante um novo começo.

As férias chegam ao fim, as agendas voltam a encher-se, os horários tornam-se mais organizados e regressamos, pouco a pouco, às rotinas que ficaram em pausa durante o verão.

Para muitas pessoas, este mês traz uma vontade renovada de estabelecer objetivos, criar novos hábitos ou retomar projetos que tinham ficado pelo caminho.

É curioso, porque a passagem de ano aconteceu há vários meses. Mas, ainda assim, setembro parece funcionar como uma espécie de "segundo janeiro".

É nesta altura que voltamos a inscrever-nos no ginásio, começamos um novo curso, reorganizamos a alimentação, compramos uma agenda nova ou prometemos que, desta vez, vamos conseguir manter uma rotina mais equilibrada.

Mas será apenas uma coincidência?

Na verdade, a psicologia mostra que existem momentos do calendário que têm um efeito especial na forma como encaramos a mudança. Certas datas ajudam-nos a sentir que estamos a fechar um capítulo e a iniciar outro, criando a motivação necessária para recomeçar.

Neste artigo, exploramos por que motivo setembro desperta essa sensação de renovação, o que acontece na nossa mente quando sentimos vontade de começar de novo e como aproveitar esta energia para construir hábitos que durem muito mais do que as primeiras semanas do mês.

 

Por Que Motivo Setembro Parece Um Novo Ano?

Se pensarmos bem, faz sentido que setembro desperte em tantas pessoas a vontade de recomeçar.

Desde cedo, aprendemos a associar este mês ao início de um novo ciclo. Durante anos, setembro marcou o regresso às aulas, o reencontro com colegas, os cadernos por estrear e os horários novos.

Mesmo depois de deixarmos a escola, essa ligação continua, muitas vezes, presente de forma inconsciente.

Mas não é só por causa das memórias de infância.

Setembro representa também o fim de uma pausa. Depois de semanas em que as rotinas tendem a ser mais flexíveis, regressamos ao trabalho, aos compromissos e aos hábitos do dia a dia. A mudança de ritmo cria uma sensação de "virar de página", como se estivéssemos a iniciar uma nova etapa.

Até a própria natureza reforça essa perceção.

Os dias começam a ficar mais curtos, as temperaturas tornam-se mais amenas e aproxima-se a mudança de estação. É um conjunto de pequenas alterações que transmite a ideia de transição e de renovação.

É precisamente por isso que tantas pessoas escolhem setembro para estabelecer objetivos que poderiam, teoricamente, começar em qualquer altura do ano.

Voltar ao ginásio, reorganizar a alimentação, criar uma nova rotina de sono, aprender uma competência ou simplesmente recuperar hábitos que ficaram esquecidos durante o verão parecem decisões mais fáceis quando sentimos que estamos a começar um novo capítulo.

No fundo, embora o calendário diga que o ano começou em janeiro, para muitas pessoas setembro continua a representar um verdadeiro ponto de partida. E essa perceção tem uma explicação psicológica bastante interessante.

 

A Psicologia Por Trás dos Recomeços

A sensação de que podemos começar de novo não acontece apenas em setembro. Na verdade, está ligada a um fenómeno conhecido na psicologia como efeito do novo começo (fresh start effect).

A ideia é simples: determinados momentos funcionam como marcos que nos ajudam a separar mentalmente o passado do presente. Um novo ano, um aniversário, o primeiro dia de um mês ou até uma segunda-feira podem ser encarados como pontos de viragem.

É como se o nosso cérebro criasse uma pequena fronteira entre o "eu de antes" e o "eu de agora".

Esta separação pode ser particularmente útil quando queremos mudar um comportamento. Em vez de pensarmos que estamos simplesmente a continuar uma tentativa que já falhou, sentimos que estamos perante uma nova oportunidade.

É por isso que frases como "segunda-feira começo", "em janeiro vou mudar" ou "em setembro vou organizar a minha vida" nos são tão familiares.

O passado fica, simbolicamente, para trás.

E isso pode ajudar-nos a olhar para os nossos objetivos com mais otimismo. Uma pessoa que não conseguiu manter uma rotina de exercício durante o verão pode sentir que setembro lhe dá uma oportunidade para recomeçar sem carregar tanto a sensação de falhanço.

Mas existe aqui uma nuance importante.

Sentir que estamos perante um novo começo pode aumentar a motivação, mas não garante que a mudança se mantenha. O entusiasmo inicial pode ser suficiente para começar, mas são os comportamentos repetidos ao longo do tempo que transformam uma intenção num hábito.

Por isso, setembro pode funcionar como um excelente ponto de partida, mas não precisa de ser uma corrida contra o calendário.

Não é necessário aproveitar a energia do recomeço para mudar tudo de uma vez. O verdadeiro desafio está em transformar essa sensação de renovação em pequenas ações que consigamos manter quando a novidade desaparecer.

 

Por Que Motivo é Mais Fácil Criar Hábitos Nesta Altura?

Setembro não traz apenas uma sensação de recomeço. Traz também uma coisa que pode facilitar bastante a criação de novos hábitos: estrutura.

Durante o verão, é normal que os horários fiquem mais flexíveis. Há férias, viagens, jantares que acabam mais tarde, dias passados fora de casa e planos que surgem espontaneamente.

É uma das melhores partes desta época do ano, mas também pode tornar mais difícil manter determinadas rotinas. Quando setembro chega, o cenário muda.

Os horários de trabalho voltam a estabilizar, as crianças regressam à escola, os compromissos tornam-se mais previsíveis e a semana começa a recuperar uma estrutura mais regular. Para quem quer introduzir um novo hábito, esta previsibilidade pode ser uma grande aliada.

Imagina que queres começar a treinar três vezes por semana.

É muito mais fácil transformar esse objetivo num hábito quando consegues definir dias e horários concretos: terça-feira depois do trabalho, quinta-feira de manhã e sábado à tarde, por exemplo. A atividade deixa de depender apenas da motivação daquele dia e passa a fazer parte da organização da semana.

O mesmo acontece com outros comportamentos:

  • Preparar refeições;
  • Reservar tempo para ler;
  • Estabelecer uma hora para desligar do trabalho;
  • Criar momentos para estar com amigos.

Tudo isto se torna mais simples quando existe uma rotina relativamente previsível onde esses hábitos possam encaixar.

No entanto, existe uma diferença importante entre ter vontade de mudar e conseguir manter a mudança.

A motivação inicial pode ajudar-nos a começar, mas tende a oscilar. Haverá dias em que teremos energia e outros em que preferíamos ficar no sofá. Haverá semanas tranquilas e outras em que a agenda parece não dar espaço para nada.

É por isso que os hábitos funcionam melhor quando deixam de depender exclusivamente da força de vontade.

Quanto mais natural for encaixar uma determinada atividade na rotina, menor será o esforço necessário para decidir fazê-la.

 

Mas Atenção! O Segredo Não Está em Mudar Tudo de Uma Vez

Quando setembro chega, é fácil cair na tentação de fazer uma lista interminável de mudanças, como "vou começar a treinar", "vou dormir 8 horas" ou "vou organizar a minha vida".

A intenção é ótima. O problema é tentar transformar todas essas promessas em realidade ao mesmo tempo.

Quando estabelecemos demasiados objetivos de uma só vez, rapidamente percebemos que a mudança exige mais tempo, energia e organização do que imaginávamos. E, quando não conseguimos cumprir tudo, podemos acabar por abandonar até aquilo que estava realmente ao nosso alcance.

Por isso, aproveitar o espírito de recomeço de setembro não significa reinventar completamente a nossa rotina.

Se o objetivo é voltar a praticar exercício, por exemplo, não é necessário começar com cinco treinos por semana. Escolher dois ou três momentos realistas e conseguir mantê-los já pode representar uma mudança importante.

O mesmo princípio aplica-se a qualquer outro hábito.

Em vez de decidir que nunca mais vais comer determinados alimentos, podes começar por preparar mais refeições em casa. Em vez de prometer que vais ler todos os dias durante uma hora, podes reservar 15 minutos antes de dormir. Em vez de tentar eliminar todas as distrações, podes começar por deixar o telemóvel de lado durante alguns períodos do dia.

São mudanças pequenas, mas têm uma vantagem importante: são mais fáceis de repetir.

Também não é preciso esperar pelo momento perfeito. Uma semana caótica não significa que o objetivo deixou de fazer sentido, tal como falhar um dia não apaga aquilo que já foi feito.

Setembro pode ser o ponto de partida, mas não precisa de ser uma reinvenção completa.

 

Então...

Talvez setembro seja mesmo uma espécie de segunda passagem de ano.

Não porque o calendário assim o determine, mas porque fomos aprendendo a associar este mês a novos ciclos, novas rotinas e novas oportunidades. Depois da pausa do verão, regressamos ao quotidiano com a sensação de que temos uma página em branco à nossa frente.

E essa sensação pode ser poderosa.

A vontade de recomeçar pode dar-nos a motivação necessária para recuperar um hábito, experimentar algo novo ou simplesmente fazer algumas mudanças na forma como organizamos os nossos dias.

Mas lembra-te de que um novo começo não tem de ser radical, perfeito ou sequer muito ambicioso. Pode ser apenas uma pequena decisão que queremos repetir até que deixe de parecer uma decisão e passe a fazer parte da nossa rotina.

Por isso, se setembro te está a dar aquela vontade de "começar de novo", aproveita-a. Escolhe uma coisa que gostarias de mudar, começa de forma realista e dá-te tempo para construir o hábito.

Afinal, não precisas de esperar por janeiro para recomeçar. E, verdade seja dita, também não precisas de esperar por setembro. Por que não começar já?

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